
A “taxa de conveniência” em ingressos de shows e eventos é apenas custo extra ou pode fazer sentido em alguns casos?
21 de jan. de 2026
Emanuelle Serra, CFP®, responde:
Nos últimos anos, a compra de ingressos pela internet se tornou praticamente o padrão para quem deseja garantir presença em shows, teatros e eventos. Junto com essa praticidade, surgiu também a discussão sobre a taxa de conveniência, um valor adicional que costuma gerar dúvidas. Afinal, estamos pagando por algo que "não vemos". Mas será que essa cobrança é apenas um custo extra ou pode fazer sentido em certos contextos?
A taxa de conveniência é aquele valor a mais que pagamos quando fazemos a compra de um ingresso pela internet. Podemos dizer que é o preço pago pela facilidade e praticidade da compra online. É uma cobrança pelo serviço digital de venda de ingressos e remunera o sistema de venda, o sistema de fila virtual, o processamento do pagamento e os mecanismos de segurança utilizados na transação. Ou seja, refere-se ao serviço que viabiliza a compra online, e não ao ingresso em si.
Em alguns casos, no entanto, a taxa é percebida como um custo adicional sem contrapartida clara. Essa reação está relacionada a fenômenos estudados pela psicologia econômica, como a aversão à perda. Quando identificamos uma cobrança que não se traduz diretamente em benefício percebido, tendemos a avaliá-la como injusta, mesmo que ela faça parte do modelo operacional da plataforma.
Ao analisarmos esta taxa com um olhar amplo, percebemos que o ponto central não está apenas no valor cobrado, mas se o benefício da comodidade supera o custo adicional. Existem situações em que o pagamento da taxa pode ser racionalmente justificado. A alternativa presencial, quando disponível, pode exigir deslocamento, uso de transporte, pagamento de estacionamento e tempo de espera. Ao compararmos esses custos indiretos com o valor da taxa, é possível que a compra online represente menor gasto total.
Outro aspecto relevante é o acesso a eventos de grande demanda. A compra digital pode ser a única forma eficiente de garantir o ingresso dentro do curto período de disponibilidade. Nesse contexto, a taxa não está associada apenas à comodidade, mas ao aumento das chances de efetivação da compra.
Recomenda-se que o consumidor observe três pontos principais:
1. Transparência da cobrança – verificar se a taxa é informada de forma clara antes da finalização da compra.
2. Alternativas disponíveis – identificar se existem pontos de venda físicos ou outros canais sem a taxa.
3. Custo-benefício – avaliar se a taxa é inferior ao custo de tempo, deslocamento ou risco que seria assumido em outro formato de compra.
É importante lembrar que a educação financeira tem um papel essencial nesse tema. Compreender como os custos são formados, avaliar alternativas e tomar decisões conscientes são atitudes que fortalecem a nossa autonomia. Observamos que decisões bem informadas e de forma consciente tendem a gerar maior percepção de controle e melhor organização do orçamento. Discutir taxas de conveniência é também discutir nossas escolhas, quanto vale nosso tempo, nossa tranquilidade e nossa organização. Quando entendemos melhor esses pequenos custos do dia a dia, ampliamos nossa consciência financeira e fortalecemos nossa capacidade de decidir com mais clareza.
No fim das contas, falar sobre este assunto é falar de algo muito maior: é sobre como cuidamos da nossa própria vida. Cada escolha financeira carrega um pedacinho da nossa história, nossos medos, nossos sonhos, nossas prioridades. Quando paramos para entender esses detalhes, percebemos que o planejamento financeiro não é só sobre economizar dinheiro, é sobre viver de forma mais intencional, respeitando aquilo que realmente importa para nós. E talvez a maior lição seja essa: quando olhamos com carinho para o nosso dinheiro, estamos olhando com carinho para nós mesmos. Porque construir uma vida financeira saudável é, no fundo, construir uma vida leve e cheia de futuro.
Emanuelle Serra é planejadora financeira pessoal e possui certificação CFP® (Certified Financial Planner), concedida pela Planejar – Associação Brasileira de Planejamento Financeiro.
E-mail: manuserra@usemasnaoabuse.com.br
As respostas refletem as opiniões do autor e não da Gazeta Mercantil Digital ou da Planejar. O veículo e a Planejar não se responsabilizam pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso destas informações. Perguntas devem ser encaminhadas para: redacao@gazetamercantil.digital
Confira a publicação original do artigo: Gazeta Mercantil Digital

A Planejar
A Certificação CFP®
Quero ser Profissional CFP®
Sou Profissional CFP®
Planeje sua vida financeira
O que é planejamento financeiro
Imprensa
Saiu na mídia
Colunas e artigos
R. Joaquim Floriano, 1120 - 7º andar
Itaim Bibi - São Paulo - SP
CEP 04534-004 - Fone: (11) 4280-8520
Contato: planejar@planejar.org.br





