
Como o ciclo de vida das startups impacta o retorno esperado de fundos de inovação?
21 de jan. de 2026
Jaiana Cruz, CFP®, responde:
Os fundos de inovação têm ganhado espaço nas carteiras de investidores que buscam diversificação e potencial de crescimento no longo prazo. As operações de venture capital no Brasil fecharam o ano de 2024 com R$9 bilhões em investimentos, um avanço de 17% em relação a 2023, segundo levantamento da ABVCAP (Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital) em parceria com a TTR Data. Por trás desses fundos estão empresas jovens e escaláveis, conhecidas como startups, cujo ciclo de vida está diretamente relacionado ao desempenho desses fundos e cujo processo vai muito além da ideia inicial ou do entusiasmo do mercado.
O ciclo de vida de uma startup é geralmente dividido em 4 fases: seed (semente), early stage (inicial), growth (crescimento) e maturity (maturidade ou saída). Cada etapa apresenta características e riscos específicos que afetam o retorno esperado pelos cotistas do fundo. Entender essa dinâmica é essencial para o investidor e para o planejador financeiro certificado CFP®, que orienta seus clientes sobre a adequação desse tipo de ativo à sua estratégia patrimonial e tolerância ao risco.
Na fase seed, a empresa ainda está validando sua proposta de valor. O produto pode estar em desenvolvimento e o modelo de negócios, em teste. A probabilidade de insucesso é alta. Segundo um artigo publicado em 2023 na revista de governança corporativa da Harvard Business School, 75% das startups com backing de venture capital falham. Nessa etapa, os fundos de inovação alocam pequenas parcelas de capital em muitas empresas, buscando compensar as perdas das que não avançarem com os ganhos de poucas que terão alto crescimento. O retorno, se ocorrer, tende a vir apenas no longo prazo.
No early stage, o produto começa a ganhar tração e o negócio busca provar sua viabilidade econômica. É quando o fundo injeta novos recursos para financiar expansão, marketing e estrutura. Os riscos ainda são altos, mas já é possível observar métricas de desempenho e mercado. Em termos de investimentos, estamos falando de um ativo que normalmente tem caráter ilíquido e com horizonte de longo prazo, inadequado para quem precisa de liquidez ou tem perfil conservador.
A fase de crescimento (growth) ocorre quando a startup já comprovou seu modelo e busca escalar. Os aportes são maiores e o risco de falência diminui, mas o potencial de multiplicação também é menor que nas etapas anteriores. O retorno esperado dos fundos que concentram investimentos nesse estágio tende a ser mais previsível, embora ainda esteja sujeito a volatilidade. O planejamento financeiro considera não apenas o potencial de ganho, mas também o tempo necessário para materialização desse retorno, que muitas vezes pode ser superior a cinco ou sete anos.
Na fase de maturidade ou saída, a empresa atinge estabilidade e pode abrir capital, ser adquirida ou gerar distribuição de lucros. É nesse momento que o fundo realiza o chamado “exit”, convertendo sua participação em retorno financeiro aos cotistas. Entretanto, o sucesso dessa etapa depende de fatores macroeconômicos, como o apetite do mercado por novas listagens ou fusões, as condições de crédito e o cenário regulatório.
Do ponto de vista técnico, o retorno esperado de um fundo de inovação é determinado pela combinação de alto risco e baixa previsibilidade de fluxo de caixa. A relação risco-retorno é assimétrica: poucas startups bem-sucedidas respondem por grande parte dos ganhos. Esse comportamento é conhecido como efeito power law, e difere substancialmente do retorno médio de fundos tradicionais, que tendem a seguir distribuições mais equilibradas.
Por isso, contar com um profissional financeiro certificado CFP® é fundamental para ajudar o investidor a entender essa dinâmica e avaliar de forma mais clara como esses fundos se encaixam em um planejamento de longo prazo, considerando liquidez, horizonte de investimento e objetivos pessoais. Um investidor em fase de acumulação, por exemplo, pode destinar pequena parcela do patrimônio a fundos de inovação, enquanto quem está mais próximo da aposentadoria deve priorizar opções de ativos mais previsíveis.
O planejamento tributário é outro aspecto importante. Os fundos de inovação, geralmente classificados como FIPs (Fundos de Investimento em Participações) e regulados pela CVM, têm prazos mínimos de resgate e tributação no momento do retorno, o que adia o pagamento de impostos, mas exige disciplina do investidor. Em um cenário de constante inovação, é natural o interesse por fundos que buscam capturar o crescimento de novas empresas. Cabe ao profissional financeiro certificado transformar esse entusiasmo em decisões alinhadas ao perfil e aos objetivos do investidor, equilibrando risco, prazo e propósito.
Assim, compreender o ciclo de vida das startups não é apenas um exercício de análise de mercado, mas uma ferramenta essencial para alinhar expectativas e construir portfólios sustentáveis no longo prazo. Afinal, inovação pode gerar grandes retornos, desde que o investidor saiba o que esperar de cada fase e tenha um planejamento financeiro sólido conduzido por um profissional financeiro certificado.
Jaiana Cruz é planejadora financeira pessoal e possui a certificação CFP® (Certified Financial Planner), concedida pela Planejar - Associação Brasileira de Planejamento Financeiro.
E-mail: jaiana_cruz@hotmail.com
As respostas refletem as opiniões do autor e não do site ÉpocaNegócios.com ou da Planejar. O site e a Planejar não se responsabilizam pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso destas informações.
Confira a publicação original do artigo: Época Negócios

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