
Qual é a relevância do investimento em ativos alternativos, como arte e vinhos, no portfólio de investidores de alta renda?
29 de dez. de 2025
Samira Munaier, CFP®, responde:
Investir em ativos alternativos que representam luxo e sofisticação possibilita ao investidor de alta renda unir o prazer da experiência à estratégia financeira.
Explorar mercados que vão além dos investimentos tradicionais é uma forma de diversificar o patrimônio e, ao mesmo tempo, viver experiências únicas. Obras de arte e vinhos raros são exemplos de ativos alternativos que despertam o interesse de investidores com patrimônio consolidado e que desejam unir prazer, exclusividade e a possibilidade de ganhos.
Mais do que expressão estética, a arte representa um ativo tangível que atravessa ciclos econômicos com resiliência, preservando valor mesmo em contextos de volatilidade. Obras de artistas consagrados ou promissores funcionam como reserva de valor e, ao mesmo tempo, como extensão da identidade e da visão de mundo do investidor. Sua comercialização ocorre em galerias especializadas, feiras internacionais e leilões de prestígio.
Os vinhos finos, por sua vez, têm ganhado espaço entre investidores sofisticados que buscam ativos tangíveis com potencial de valorização consistente. Rótulos de safras raras e produtores renomados possuem mercado ativo por meio de plataformas globais especializadas, além de proporcionarem um prazer singular de posse e apreciação. Índices como o Liv-ex trouxeram mais estrutura, transparência e liquidez gradual a esse mercado, antes restrito a colecionadores.
Enquanto os investimentos líquidos crescem com juros e dividendos, os ativos de luxo seguem outra lógica: não geram rendimentos periódicos, mas podem se valorizar significativamente ao longo do tempo. O ganho surge quando a peça se torna mais rara, desejada ou reconhecida no mercado e encontra um comprador disposto a pagar mais do que o valor de aquisição. Esses investimentos exigem um olhar apurado e sensível, pois, embora apresentem menor liquidez, podem gerar retornos expressivos quando critérios de histórico, proveniência, técnica e escassez se combinam com percepções subjetivas de qualidade e reputação.
A sugestão é que a alocação em ativos alternativos seja feita de forma a preservar, e não dilapidar, o patrimônio construído. O ideal é considerar investir até o valor equivalente à rentabilidade obtida na carteira no período, mantendo a liquidez e o equilíbrio do portfólio. Assim, o prazer de investir em algo que se admira transforma-se também em uma estratégia financeira equilibrada.
O mercado de luxo e o dos investimentos alternativos estão em constante evolução, refletindo as mudanças de comportamento e valores das novas gerações de colecionadores e investidores. Cada vez mais, o desejo por exclusividade e significado se alia ao interesse por inovação. Um exemplo marcante é o crescente protagonismo da arte digital e dos NFTs (Non-Fungible Tokens, ou “tokens não fungíveis”), que são representações digitais de imagens, vídeos ou áudios com certificado de autenticidade e propriedade registrados em uma blockchain. Além disso, observa-se uma maior aceitação de transações realizadas com criptoativos, impulsionando uma nova dinâmica de liquidez e acesso global a obras e ativos de prestígio.
Os investimentos alternativos ocupam um papel estratégico na construção de portfólios resilientes voltados à gestão de grandes fortunas. Em um cenário de mercados voláteis e juros em constante transformação, esses ativos oferecem descorrelação, proteção e oportunidades de valorização que transcendem as métricas tradicionais. Inseridos de maneira criteriosa em um portfólio consolidado, tornam-se instrumentos que conectam finanças, cultura e estilo de vida — valores essenciais para investidores que enxergam o patrimônio como extensão de identidade e legado. Na dúvida, um planejador financeiro CFP® pode ajudar a acomodar essa estratégia no seu portfólio.
Samira Munaier é planejadora financeira pessoal e possui a certificação CFP® (Certified Financial Planner), concedida pela Planejar - Associação Brasileira de Planejamento Financeiro.
E-mail: samira.munaier@montebravo.com.br
As respostas refletem as opiniões do autor e não do jornal Valor Econômico ou da Planejar. O jornal e a Planejar não se responsabilizam pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso destas informações. Perguntas devem ser encaminhadas para: consultoriofinanceiro@planejar.org.br
Confira a publicação original do artigo: Valor Econômico

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