
Estratégia de alocação 60/40 ainda se sustenta?
5 de jan. de 2026
Oscar Almeida, CFP®, responde:
A alocação tradicional 60/40 ainda se sustenta frente à correlação entre renda fixa e renda variável?
Ao estudar investidores bem-sucedidos ao longo do tempo, percebemos que estes articulam filosofias de investimentos coerentes, aplicadas consistentemente a todos os aspectos do processo de gestão de portfólio. Princípios filosóficos são conhecimentos que foram testados ao longo do tempo e que ganham importância e passam a suportar as convicções profissionais.
A alocação de ativos de investimentos financeiros, ponto de partida para a construção do portfólio, envolve atividades como definir as classes de ativos que irão compor a carteira e determinar qual a proporção do patrimônio será destinada a cada classe. A alocação estratégica utiliza o que acredita ser a distribuição ideal dentre as diversas classes de ativos, considerando que os retornos futuros serão semelhantes aos observados no passado. Representa o referencial dos investimentos a longo prazo em relação à alocação de ativos. Por exemplo: uma carteira de renda fixa rendeu em média 10% a.a., durante um período de tempo observado, e uma carteira de ações rendeu em média 20% a.a. A alocação tradicional clássica 60/40 (60% da carteira aplicados em ações, e 40% da carteira aplicados em títulos de renda fixa) sugere que o investidor poderá esperar um retorno próximo de 16% a.a.
Selecionar as classes de ativos para um portfólio constitui um conjunto de decisões críticas que irão determinar o sucesso ou fracasso sobre os objetivos desta carteira. Identificar classes de ativos apropriadas requer concentração nas características funcionais e a avaliação do potencial do portfólio para entregar retornos e mitigar riscos. O comprometimento com maior parcela da alocação em ações, tende a trazer retornos maiores no longo prazo, porém, adicionando mais volatilidade à carteira, enquanto a busca de diversificação com títulos de renda fixa procura reduzir os riscos aumentando a previsibilidade dos retornos esperados. A diversificação exige comprar e manter ativos que respondem de maneiras diferentes às forças fundamentais que movem os mercados. Porém, é importante destacar que a maneira pela qual as classes de ativos se relacionam pode não ser estável. Por exemplo, as crises de mercados muitas vezes induzem mercados totalmente distintos a se comportar de forma parecida.
Quando pensamos em alocação de ativos de um portfólio de investimentos seguindo os padrões mundiais de planejamento financeiro definidos pelo FPSB (Financial Planning Standards Board) e orientados no Brasil pela Planejar – Associação Brasileira de Planejadores Financeiros, no escopo da certificação CFP®, podemos concluir que o processo deve ser baseado na análise detalhada da situação financeira do investidor, estágio de vida, experiências com aplicações financeiras, perfil de risco, necessidades, objetivos e restrições. Dimensionar a capacidade financeira do investidor, atual e projetada, frente às suas necessidades (custear seu padrão de vida, por exemplo) e objetivos futuros (aposentadoria, por exemplo), além de entender, respeitar e educar, se for necessário, sua tolerância a riscos é o caminho mais seguro para a construção de um portfólio de investimentos aderente aos seus objetivos de curto, médio e longo prazo, revisitando e rebalanceando a estratégia de alocação de ativos sempre que houver necessidade.
A política de investimentos deve preceder e ser a base para o processo de alocação de ativos. É este documento que irá determinar o percentual de alocação ideal entre as classes, de modo que esteja totalmente relacionado às suas necessidades, objetivos e tolerância a riscos, garantindo, desta forma, a construção de um portfólio eficiente.
Oscar Almeida da Silva Júnior é planejador financeiro pessoal e possui a certificação CFP® (Certified Financial Planner), concedida pela Planejar - Associação Brasileira de Planejamento Financeiro.
E-mail: oscaralmeidasilva@mail.com
As respostas refletem as opiniões do autor e não do jornal Valor Econômico ou da Planejar. O jornal e a Planejar não se responsabilizam pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso destas informações. Perguntas devem ser encaminhadas para: consultoriofinanceiro@planejar.org.br
Confira a publicação original do artigo: Valor Econômico

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