
O que é e como ajustar ‘duration’ da carteira?
26 de jan. de 2026
Thiago Dekker, CFP®, responde:
Imagine um barco à vela navegando em mar aberto. Se o capitão sabe que uma tempestade se aproxima, ajusta as velas para enfrentar ventos fortes. Se o céu promete calmaria, estica o pano para aproveitar a brisa. O duration funciona como esse ajuste de velas: calibrá-lo corretamente diante das expectativas para a curva de juros, isso é, as taxas esperadas dos títulos para diferentes prazos de vencimento, pode fazer a diferença entre navegar com tranquilidade ou enfrentar turbulências desnecessárias.
Mas, afinal, o que é duration? De forma simples, ele mede a sensibilidade do preço de um título às variações nas taxas de juros. Tecnicamente, representa a média ponderada do tempo até o recebimento dos fluxos de caixa, que podem ser os pagamentos de juros periódicos (cupons) e também o resgate final do investimento. Quanto maior o duration, mais o preço oscila quando os juros sobem ou caem. Como regra prática, para cada 1% de variação nos juros, o preço varia aproximadamente o percentual equivalente ao duration, em sentido inverso.
Os títulos prefixados, como Tesouro Prefixado (LTN/NTN-F), possuem duration elevado porque sua taxa é travada no momento da compra. Já os pós-fixados, como Tesouro Selic, têm duration próximo de zero, pois acompanham a taxa básica diariamente. Os indexados à inflação, como o Tesouro IPCA+ (NTN-B), ficam em posição intermediária, os de vencimento mais longo chegam a ter duration de 9 anos ou até mais, segundo dados da ANBIMA e do Tesouro Nacional.
A lógica da calibração é intuitiva: se você espera queda de juros, aumentar o duration permite capturar a valorização dos títulos. Se a expectativa é alta, reduzir o duration protege a carteira. No cenário brasileiro atual, com a Selic em patamar elevado e o Banco Central atento às pressões inflacionárias, as taxas dos contratos de DI futuro refletem diferentes expectativas e servem como bússola para o planejamento financeiro.
Uma estratégia recomendada por planejadores financeiros é a diversificação de prazos por meio da estratégia “ladder”. Em vez de concentrar recursos em títulos de um único prazo, você distribui os investimentos em diferentes vencimentos. Por exemplo: 30% em Tesouro Selic (duration zero), 40% em IPCA+ de até 5 anos (duration de 2 anos) e 30% em prefixados de 3 a 4 anos (duration de 3,5 anos). Essa distribuição resulta em duration médio de 1,8 anos. Nesse cenário, se os juros subirem 1%, a perda na marcação a mercado seria de aproximadamente 1,8%, bem menor que os 9% de uma carteira concentrada em títulos do Tesouro IPCA+ mais longos.
O horizonte de investimento também importa. Para metas de curto prazo, faz sentido manter duration baixo para evitar volatilidade. Por outro lado, para objetivos de longo prazo, como aposentadoria em 15 ou 20 anos, um duration mais alto pode ser adequado, pois há mais tempo para atravessar diferentes ciclos de juros. Escalonar vencimentos também reduz o risco de reinvestimento: quando um título vence, será necessário reinvestir nas taxas vigentes, que podem ser menos atrativas.
Por outro lado, as expectativas para a curva nem sempre se confirmam. Movimentos inesperados na política monetária ou no cenário fiscal podem mudar rapidamente a trajetória. Por isso, não existe duration "certo" universal. A calibração ideal, que pode ser realizada através da orientação de um planejador financeiro certificado CFP®, depende do horizonte, tolerância a oscilações e leitura sobre o futuro do próprio investidor.
Como em qualquer navegação, os ciclos econômicos são como marés: vêm e vão, mas investidores preparados sabem ajustar suas velas quando o vento muda. A disciplina de revisar periodicamente o duration é o que diferencia uma gestão ativa de uma exposição passiva aos ventos do mercado. Um planejador financeiro certificado pode ser seu guia, ajudando a posicionar sua carteira diante das expectativas para a curva de juros.
Thiago Dekker é planejador financeiro pessoal e possui a certificação CFP® (Certified Financial Planner), concedida pela Planejar - Associação Brasileira de Planejamento Financeiro.
E-mail: tdd@dekkeradv.com.br
As respostas refletem as opiniões do autor e não do jornal Valor Econômico ou da Planejar. O jornal e a Planejar não se responsabilizam pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso destas informações. Perguntas devem ser encaminhadas para: consultoriofinanceiro@planejar.org.br
Confira a publicação original do artigo: Valor Econômico

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