Como investir em private equity?

15 de dez. de 2025

Rafael Mantuan, CFP®, responde:

Todo investidor já ouviu o ditado: “não se deve colocar todos os ovos na mesma cesta”. Ele resume uma das regras de ouro dos investimentos: diversificar. Mas, na prática, o que isso significa?

Diversificar é distribuir o dinheiro entre diferentes tipos de aplicações - renda fixa, ações, fundos imobiliários, ativos no exterior e alternativos - para que a carteira consiga atravessar momentos bons e ruins da economia sem grandes sustos. É como construir uma casa: a base precisa ser firme, as paredes sólidas e o telhado seguro. Cada parte tem uma função essencial para sustentar o todo.

Dentro dessa construção, algumas aplicações podem ser resgatadas a qualquer momento, como títulos públicos ou fundos DI. Outras, por sua vez, exigem um pouco mais de paciência, mas também oferecem maiores oportunidades de crescimento. É nesse segundo grupo que se enquadram os fundos de private equity.

Nos últimos anos, essa modalidade tem ganhado destaque entre investidores que buscam diversificação e retorno de longo prazo. De acordo com a ABVCAP e a KPMG, o mercado brasileiro de private equity e venture capital movimentou cerca de R$ 22,7 bilhões em 2023. Já dados da Anbima indicam que o patrimônio dos Fundos de Investimento em Participações (FIPs) - que representam o private equity — atingiu aproximadamente R$ 360 bilhões em 2024, alta de quase 20% em relação ao ano anterior. No cenário global, segundo a Preqin, os fundos de private equity somam mais de US$ 8 trilhões em ativos sob gestão, confirmando o interesse crescente dos investidores por essa classe.

Esses fundos aplicam o dinheiro dos investidores em empresas que estão fora da bolsa, muitas vezes startups ou negócios em expansão, financiando seu crescimento e buscando retorno por meio da valorização e posterior venda da participação na empresa.

O conceito é atraente — valorizar o capital participando do crescimento de empresas promissoras —, mas exige atenção e conhecimento. E é justamente aqui que muitos investidores cometem erros: aplicam recursos em produtos que não compreendem, sem saber que o private equity tem riscos, prazo de resgate longo e liquidez limitada. Quando precisam do dinheiro, descobrem que o recurso está comprometido por alguns anos.

Além do possível atraente retorno financeiro, eu vejo que os fundos de private equity tem grande valor econômico e social. Esses fundos financiam o crescimento de empresas, geram empregos e aceleram inovações — especialmente em setores de tecnologia, saúde e sustentabilidade. Em outras palavras, quem investe em private equity participa do desenvolvimento do país, ajudando negócios a prosperarem e multiplicarem oportunidades.

No entanto, isso não deve ser feito por impulso ou por modismo. O investimento em private equity exige paciência, conhecimento e propósito. Por isso, antes de investir, é essencial entender onde o dinheiro está sendo aplicado, por quanto tempo e com qual objetivo. O private equity pode ser um excelente complemento para uma carteira diversificada — desde que o investidor saiba o que está fazendo e conte com um bom planejamento financeiro.

Em resumo: investir sem entender é como dirigir um carro no escuro. A boa gestão patrimonial começa pela clareza e definição de propósito. O papel do planejador financeiro certificado é acender as luzes, ajudar o investidor a tomar decisões e garantir que cada real aplicado cumpra o seu propósito — de multiplicar recursos, impulsionar empresas e gerar prosperidade.

Rafael Mantuan é planejador financeiro pessoal e possui a certificação CFP® (Certified Financial Planner), concedida pela Planejar - Associação Brasileira de Planejamento Financeiro.
E-mail:
rafael.mantuan@alom.com.br

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Confira a publicação original do artigo: Valor Econômico