
Como investir em meio a eleições?
19 de out. de 2026
Gustavo Brum, CFP®, responde:
A proximidade de uma eleição costuma trazer dois efeitos ao mesmo tempo, mais oscilações nos mercados e mais ansiedade em quem investe. Diante disso, é comum a tentação de resgatar tudo e esperar o resultado das urnas para só então voltar a investir. Do ponto de vista do comportamento financeiro, porém, essa decisão costuma custar caro, e entender os motivos ajuda a atravessar o período com mais tranquilidade.
Vale separar, antes de qualquer decisão, duas ideias que se confundem, volatilidade e resultado. Volatilidade é a oscilação natural dos preços no curto prazo, e ela ocorre nos dois sentidos, tanto para baixo quanto para cima. Uma oscilação, porém, em qualquer direção, ainda não é um resultado. A perda só se concretiza quando se vende por menos do que se pagou, e o ganho só acontece quando se vende por um valor maior. Até lá, tanto a queda quanto a alta são apenas números intermediários no caminho. Por isso, nem a baixa que assusta nem a alta que empolga deveriam, sozinhas, ditar uma decisão. E há um detalhe que ajuda a manter a calma. A incerteza eleitoral, ao contrário de muitos outros cenários, tem hora marcada para terminar, porque se dissolve quando o resultado é conhecido.
São nesses momentos que o nosso próprio comportamento atrapalha mais do que o cenário. Um erro frequente é reagir à oscilação pela emoção. Na queda, a aversão à perda desperta o medo e a tentação de resgatar imediatamente, recomprando depois mais caro. Na alta, a euforia e o medo de ficar de fora empurram a comprar no preço mais alto, atrás de um movimento que já aconteceu. Outro erro é deixar a preferência política escolher o investimento. Há quem, convencido de que tudo vai piorar se um lado vencer, zere posições, e quem, convencido do contrário, aposte mais do que deveria. Em direções opostas, cometem o mesmo erro: entregam a uma eleição, que é passageira, decisões sobre um investimento que deveria ser pensado no longo prazo.
Se o resultado da eleição não é um bom guia para a carteira, o que seria? Aquilo que permanece além de qualquer mandato, os seus objetivos, o seu horizonte de tempo e a consistência do seu plano. Alguns pontos ajudam a manter o rumo. O primeiro é considerar o horizonte de cada objetivo, o dinheiro que só será usado daqui a muitos anos não precisa reagir a cada solavanco de curto prazo. Essa separação por prazo é um dos pilares do planejamento financeiro.
O segundo é conhecer de verdade o próprio perfil de risco, que vai além do questionário rápido do banco. Tolerância a risco não é um número só. Ela nasce do encontro entre o risco que os seus objetivos exigem, o que a sua situação financeira permite correr e, sobretudo, o que você aguenta emocionalmente em um período de oscilação. É esse lado emocional que o formulário quase nunca capta, porque a coragem de um dia calmo costuma encolher na hora da queda.
O terceiro é manter a diversificação e uma reserva de emergência. Distribuir os recursos entre diferentes aplicações reduz o impacto de um único mercado sobre o conjunto, e a reserva evita que seja preciso resgatar investimentos de longo prazo, em um momento ruim de mercado, apenas para cobrir uma despesa inesperada. Com essa folga, fica mais fácil deixar os investimentos seguirem o próprio curso.
Um último cuidado é não decidir no calor do noticiário. Definir com antecedência as regras da carteira, e então segui-las, protege mais do que reagir a cada pesquisa ou manchete.
No fim, o ruído de uma eleição é intenso, mas tem prazo de validade. Os fundamentos de uma carteira, não. Separar um do outro, e resistir tanto ao susto da baixa quanto à euforia da alta, é o que distingue quem atravessa o período de quem é atravessado por ele. Investir bem, em ano eleitoral ou em qualquer outro, é trocar a reação pela estratégia.
Gustavo Brum é planejador financeiro pessoal e possui a certificação CFP® (Certified Financial Planner), concedida pela Planejar – Associação Brasileira de Planejamento Financeiro.
E-mail: gustavobrum90@hotmail.com
As respostas refletem as opiniões do autor e não do jornal Valor Econômico ou da Planejar. O jornal e a Planejar não se responsabilizam pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso destas informações. Perguntas devem ser encaminhadas para: consultoriofinanceiro@planejar.org.br
Confira a publicação original do artigo: Valor Econômico

A Planejar
A Certificação CFP®
Quero ser Profissional CFP®
Sou Profissional CFP®
Planeje sua vida financeira
O que é planejamento financeiro
Imprensa
Saiu na mídia
Colunas e artigos
R. Joaquim Floriano, 1120 - 7º andar
Itaim Bibi - São Paulo - SP
CEP 04534-004 - Fone: (11) 4280-8520
Contato: planejar@planejar.org.br





