Liquidez, diversificação e governança na alocação de crédito privado são debatidas no Congresso Planejar

17 de set. de 2026

Painel reúne executivos da Itaú Asset, Santander Corretora, Nord Research e Íon para debater a importância da diversificação, a gestão de liquidez no mercado secundário e a ética no acompanhamento contínuo dos clientes

São Paulo, 17 de setembro de 2026 - O forte crescimento da classe de crédito privado no mercado brasileiro trouxe maior sofisticação para as carteiras de investimento, mas também ampliou a necessidade de rigor na análise de riscos por parte dos planejadores financeiros. O tema foi debatido durante o Congresso Internacional Planejar 2026, no painel "Riscos e oportunidades do crédito privado na carteira dos clientes", que contou com a participação de Fayga Delbem (Head de Crédito na Itaú Asset), Gustavo Ledimuth, CFP® (Conselheiro da Planejar e Diretor na Santander Corretora), Marilia Fontes (Sócia-fundadora da Nord Research) e mediação de Eduardo Forestieri, CFP® (Conselheiro da Planejar e Superintendente dos Escritórios de Investimentos Íon).

Durante o debate, os especialistas ressaltaram que, embora o crédito privado tenha se consolidado como classe estrutural nos portfólios, a busca excessiva por rentabilidade pode levar ao dimensionamento incorreto do risco. A alocação prudente deve ir além da simples escolha da taxa de retorno inicial, contemplando pulverização de emissores, acompanhamento constante e rigor na avaliação da governança das companhias.

Diversificação e os benefícios da gestão via fundos vs. ativo direto

Fayga Delbem destacou que a gestão de risco exige carteiras pulverizadas e que o crédito privado não pode ser a única classe de ativos de um portfólio. Ao comparar a alocação direta em papéis com o investimento via fundos de crédito, Fayga reforçou os benefícios da diversificação institucional. “Nos fundos da Itaú Asset, temos mais de 130 grupos econômicos na carteira. É difícil para o investidor pessoa física ter esse nível de pulverização e conseguir monitorar individualmente cada emissor. Os fundos trazem flexibilidade, ganho de escala nas negociações de mesa e um acompanhamento diário dedicado”, explicou.

Ela salientou ainda que as duas estruturas podem se complementar: enquanto o investimento direto permite maior controle individual de prazos e duration, os fundos oferecem diversificação, liquidez e capacidade de gestão ativa.

A evolução do mercado secundário e a superação da visão de "carrego"

O avanço da negociação secundária de títulos privados no Brasil, que passou de volumes reduzidos no passado para movimentações mensais na casa dos R$ 100 bilhões, foi apontado como um vetor de transformação. Para Fayga, essa maturação exige uma mudança de mentalidade do investidor, superando a visão simplista de que o crédito deve ser avaliado apenas pela taxa contratada na emissão.

“Não olhamos o crédito apenas pela taxa emitida na origem. Com a gestão ativa e a negociação no mercado secundário, podemos capturar a valorização do papel quando o spread de crédito fecha, entregando uma rentabilidade ao cliente superior à taxa contratada”, observou.

Pós-venda, "sinal amarelo" e a ilusão de liquidez

A disciplina de monitoramento após a compra do ativo foi colocada no centro da atuação profissional por Gustavo Ledimuth. O executivo defendeu que o trabalho do planejador não termina na execução da ordem e exige atenção contínua às mudanças da empresa, do mercado e do próprio perfil do cliente.

“Sempre que uma luz amarela acende, seja por um fato relevante, mudança de gestão ou alteração de fundamentos, precisamos voltar imediatamente ao cliente para reavaliar a tese. Além disso, no mercado secundário, é proibido ao planejador motivar qualquer troca de papéis por remuneração; o movimento só deve existir se for estritamente do interesse do investidor”, afirmou Ledimuth.

Ao abordar a liquidez, Marilia Fontes alertou para a assimetria característica da classe e o comportamento do mercado secundário sob estresse. Diferentemente de ativos com garantia física ou real, o descumprimento de obrigações de um emissor privado pode resultar em perdas significativas para o investidor.

“Em um momento de revés ou reestruturação, a liquidez simplesmente desaparece e os deságios aumentam no mercado secundário. Nem sempre o deságio momentâneo deve levar à venda precipitada se os fundamentos da empresa se mantiverem, mas, quando a tese se deteriora, insistir na posição pode ser ainda pior. O profissional deve alinhar expectativas e conscientizar o cliente sobre essa realidade”, avaliou Marilia.

Ética e alinhamento de longo prazo

A discussão sobre a atuação profissional também passou pelo compromisso ético na distribuição de produtos financeiros e pela construção de relacionamentos sustentáveis com os clientes. “Ética na distribuição não é seguir um script de vendas, mas garantir que o cliente entendeu perfeitamente onde está investindo. Não existe segundo negócio com o mesmo cliente se o primeiro não foi bem-feito”, finalizou Ledimuth.


Sobre a Planejar

A Associação Brasileira de Planejamento Financeiro (Planejar) é a única instituição no Brasil autorizada a conceder a certificação CFP® (Certified Financial Planner). É afiliada ao FPSB (Financial Planning Standards Board) entidade norte-americana responsável pela divulgação, gerenciamento e controle do uso das marcas CFP® fora dos Estados Unidos.

O Brasil é o quinto país com mais planejadores financeiros certificados, com mais de 12 mil profissionais. No mundo, são mais de 236 mil. A certificação CFP® é uma certificação de distinção que traz um diferencial para a carreira do profissional. Para obtê-la, além de comprovar conhecimentos técnicos por meio de avaliação específica, o candidato também precisa comprovar formação acadêmica, experiência profissional e adesão a um código de ética. Para manter a certificação, o profissional precisa ainda cumprir requisitos de educação continuada.

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