El Niño forte pode impactar o orçamento das famílias, aponta Planejar

7 de out. de 2026

Com previsão de persistência do fenômeno até 2027, impactos climáticos no preço dos alimentos e na conta de luz demandam cautela e atenção à reserva de emergência

São Paulo, 07 de outubro de 2026 - A permanência de um El Niño de forte intensidade pelos próximos meses do ano, pode trazer impactos no custo de vida. A combinação entre alta na inflação de alimentos e a vigência da bandeira tarifária amarela na conta de luz pode aumentar contas básicas, exigindo atenção das famílias ao orçamento, aponta a Associação Brasileira de Planejamento Financeiro (Planejar).

Um boletim conjunto emitido por órgãos como INMET, INPE, ANA e Cemaden aponta probabilidade superior a 90% para a consolidação do fenômeno até o final do ano. O impacto já foi inclusive incorporado pelo Banco Central em suas projeções para a inflação de alimentos no ano. Na prática, a alteração no regime de chuvas afeta diretamente a produtividade agrícola e os custos de geração de energia elétrica, gerando repasses aos consumidores em itens básicos do dia a dia.

Segundo Goldie Aragão, planejadora financeira CFP® pela Planejar, o momento exige capacidade de adaptação e revisão de hábitos de consumo no supermercado. “Se determinado legume, fruta ou proteína subir muito por conta desse fenômeno, o mais eficiente é olhar para os produtos da estação, comparar o preço por quilo e buscar substitutos. Planejamento financeiro não é deixar de comer o que se gosta, mas saber quais escolhas podem ser temporariamente adaptadas sem comprometer a organização da casa”, pontua.

Além dos alimentos, a energia elétrica também demanda atenção no planejamento familiar. Para absorver a cobrança adicional da bandeira tarifária sem gerar déficit, a orientação da Planejar é olhar para a planilha de gastos de forma global, identificando pequenas despesas em outras categorias que possam ser reduzidas temporariamente para abrir espaço às contas essenciais. Nem sempre a economia virá exclusivamente de cortar custos na conta de luz, mas sim de uma reorganização geral das contas de casa.

Outro ponto de atenção em períodos de alta de preços é a correta utilização da reserva de emergência. O recurso deve ser utilizado exclusivamente em eventos extraordinários e imprevisíveis, como os custos de reparos no imóvel ou no veículo decorrentes de tempestades e intempéries. Por isso, o uso da reserva não deve ser feito de forma recorrente para custear o aumento diário do supermercado ou das faturas mensais.

Nesse contexto de riscos climáticos, Goldie ressalta também a relevância da proteção patrimonial por meio de seguros residenciais e automotivos. “Muitas pessoas enxergam o seguro apenas como um produto financeiro secundário e deixam de analisar coberturas essenciais. Diante de cenários de chuvas intensas, alagamentos ou vendavais, não ter uma apólice adequada pode significar a perda de bens valiosos. É fundamental checar os riscos cobertos, os limites e se o contrato contempla danos causados por fenômenos naturais”, destaca a especialista da Planejar.

Goldie também enxerga com preocupação o hábito de recorrer ao cartão de crédito para cobrir despesas básicas quando a renda deixa de ser suficiente. “O problema não é usar o cartão como meio de pagamento no supermercado, mas sim financiar a fatura e empurrar o saldo devedor para o mês seguinte. Ao carregar o custo de uma despesa recorrente de um mês para o outro acrescido de juros altos, uma pequena oscilação no custo de vida se transforma rapidamente em uma bola de neve”, afirma.

Antes de realizar mudanças drásticas nas finanças, a recomendação é mapear detalhadamente os gastos fixos e variáveis, monitorar o consumo de energia e avaliar coberturas de seguros contra danos climáticos. A análise prévia evita o desencaixe financeiro e ajuda a atravessar períodos de instabilidade de preços mantendo a saúde financeira da família.

Sobre a Planejar

A Associação Brasileira de Planejamento Financeiro (Planejar) é a única instituição no Brasil autorizada a conceder a certificação CFP® (Certified Financial Planner). É afiliada ao FPSB (Financial Planning Standards Board) entidade norte-americana responsável pela divulgação, gerenciamento e controle do uso das marcas CFP® fora dos Estados Unidos.

O Brasil é o quinto país com mais planejadores financeiros certificados, com mais de 12 mil profissionais. No mundo, são mais de 236 mil. A certificação CFP® é uma certificação de distinção que traz um diferencial para a carreira do profissional. Para obtê-la, além de comprovar conhecimentos técnicos por meio de avaliação específica, o candidato também precisa comprovar formação acadêmica, experiência profissional e adesão a um código de ética. Para manter a certificação, o profissional precisa ainda cumprir requisitos de educação continuada.

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