Dólar pode elevar em até R$ 800 custo de viagem internacional, aponta Planejar
3 de jul. de 2026
Oscilação cambial exige planejamento antecipado e estratégia financeira para brasileiros que viajam ao exterior nas férias de julho

São Paulo, 03 de julho de 2026 - Com a aproximação das férias de julho e o aumento da procura por destinos internacionais, a cotação do dólar volta a pesar no planejamento financeiro de brasileiros que se preparam para embarcar nas próximas semanas. Deixar a compra da moeda para os dias finais antes do embarque aumenta a exposição às oscilações cambiais, o que pode elevar custos e comprometer parte do valor inicialmente reservado para o período de descanso.
Grande parte dos gastos ligados ao turismo internacional, como passagens aéreas, hospedagem, alimentação, transporte local, seguro viagem, internet e compras, está direta ou indiretamente atrelada ao dólar ou a outras moedas fortes. Como a renda das famílias brasileiras permanece concentrada em reais, qualquer variação cambial altera o valor necessário para custear esses compromissos, principalmente quando não existe organização financeira prévia.
Para Elder Campi, planejador financeiro CFP® pela Planejar (Associação Brasileira de Planejamento Financeiro), um dos erros mais comuns começa justamente em deixar o câmbio para o fim da preparação. “Muitas famílias planejam primeiro a passagem e hospedagem, mas esquecem que boa parte da viagem está exposta à moeda estrangeira. Quando o câmbio se move, o mesmo gasto em moeda estrangeira passa a exigir mais reais do orçamento. Quem deixa essa decisão para a última hora fica exposto à cotação de um único momento”, afirma.
Uma alternativa para reduzir esse risco passa pela compra gradual de dólares ao longo dos meses anteriores ao embarque. Essa prática permite distribuir melhor os gastos ao longo do tempo e evita concentrar toda a operação em um único período, especialmente em momentos de maior instabilidade no mercado. Com isso, o viajante consegue acompanhar melhor o custo total e fazer ajustes antes da partida.
De acordo com o especialista, essa compra parcelada não tem relação com tentar prever o menor valor do dólar, mas com evitar depender exclusivamente de uma única cotação. “A compra gradual não serve para adivinhar o menor dólar, porque isso ninguém controla. Ela ajuda a reduzir o risco de concentrar toda a operação em uma única cotação desfavorável. Quem deixa para comprar tudo perto do embarque transforma parte das férias em uma aposta cambial”, explica.
Em um cálculo realizado pelo próprio planejador com base na cotação PTAX de junho de 2026, Campi identificou como pequenas oscilações podem gerar impacto relevante em poucos dias. Entre 2 e 10 de junho, a cotação da moeda americana passou de R$ 5,0154 para R$ 5,1757. Em uma despesa estimada em US$ 5 mil, essa variação representaria um custo adicional de R$ 801,50. Outros itens igualmente sensíveis ao câmbio incluem alimentação, transporte local, compras, internet internacional, IOF e taxas bancárias cobradas em operações no exterior.
Campi também enxerga que o planejamento precisa considerar toda a jornada financeira, inclusive o momento posterior ao retorno. “A viagem internacional precisa caber no orçamento antes, durante e depois das férias. Comprar moeda aos poucos, definir limites de gasto, comparar meios de pagamento e reservar margem para imprevistos são atitudes simples que reduzem riscos. A melhor viagem é aquela que cabe no bolso e não vira dívida depois da volta”, conclui.
Sobre a Planejar
A Planejar (Associação Brasileira de Planejamento Financeiro) é a única instituição no Brasil autorizada a conceder a certificação CFP® (Certified Financial Planner). É afiliada ao FPSB (Financial Planning Standards Board) entidade norte-americana responsável pela divulgação, gerenciamento e controle do uso das marcas CFP® fora dos Estados Unidos.
O Brasil é o quinto país com mais planejadores financeiros certificados, com mais de 10,6 mil profissionais. No mundo, são mais de 230 mil. A certificação CFP® é uma certificação de distinção que traz um diferencial para a carreira do profissional. Para obtê-la, além de comprovar conhecimentos técnicos por meio de avaliação específica, o candidato também precisa comprovar formação acadêmica, experiência profissional e adesão a um código de ética. Para manter a certificação, o profissional precisa ainda cumprir requisitos de educação continuada.
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