Quem trabalha remoto para empresas estrangeiras precisa pensar diferente na organização patrimonial?

9 de set. de 2026

Carla Cristina Silva, CFP®, responde:

Segundo o IBGE, há 15 milhões de pessoas no Brasil que trabalham de forma remota, sendo que parte destas pessoas trabalham 100% remotamente para empresas estrangeiras.

Algo que não se fala muito, mas de acordo com a Fundação Dom Cabral e o relatório da Deel, plataforma global de recursos humanos, em 2024, houve um crescimento de 24% no número de contratações de brasileiros por empresas estrangeiras. O Brasil já ocupa a 5ª posição entre os locais mais procurados para contratação de profissionais.

Os EUA são, de longe, o país que mais contrata brasileiros, seguidos por Canadá e Austrália. Os profissionais ligados à tecnologia são os mais requisitados, seguidos por áreas como produtos, experiência do cliente e recursos humanos.

Se pretende internacionalizar sua carreira, é preciso ter alguns cuidados, planejamento financeiro e organização pessoal, além da disciplina para se adequar ao fuso horário de sua empresa, mesmo o Brasil tendo um fuso bastante estratégico, capturando em um mesmo dia útil os movimentos comerciais e financeiros da América do Norte e da Europa Ocidental, poderá em média trabalhar com 2 a 4 horas de diferença do horário de Brasília.

Para trabalhar para empresas estrangeiras, que não dominam nosso arcabouço trabalhista, os profissionais normalmente se colocam no mercado utilizando um dos mecanismos como: Modelo PJ, denominado contractor, você abre uma empresa, portanto um CNPJ, pode até ser um MEI (microempreendedor individual), porém considerando a média de remuneração e o câmbio, é muito provável fique fora do limite de faturamento de R$ 81 mil por ano.

Pelo “contractor”, você emite um “invoice”, que é uma espécie de Nota Fiscal, e recebe em sua conta PJ o valor de sua remuneração. Lembrando que está exportando serviço, portanto precisa ficar atento ao imposto sobre exportação, além do imposto sobre renda.

E como PJ não tem as proteções da CLT como plano médico, férias remuneradas, 13º salário, FGTS, vale alimentação e refeição, precisa colocar essas despesas no seu planejamento; Modelo EOR, contratado de Employer of record, a empresa empregadora contrata uma intermediadora especializada, portanto uma empresa brasileira que te contrata como empregado CLT. A intermediadora cobra da empresa contratante o valor do seu salário, mais os encargos e mais taxa de administração. Esse modelo é mais caro para a contratante, mas mitiga o risco de judicialização.

Para o profissional, há maior estabilidade, os recebimentos são em reais, não precisa lidar com o câmbio, porém tende a ter proventos menores, visto o custo da operação.O planejamento previdenciário e a proteção social estão presentes, trazendo menos preocupações e melhor o planejamento financeiro.Assim como a prestação de serviço ou emprego em território nacional, o bom planejamento financeiro mitiga os riscos da rescisão do contrato de trabalho, despesas extraordinárias e período sem renda.

Se há pretensão de prestar serviço para empresas estrangeiras, avalie o formato, tipo de contrato, a veracidade da existência da empresa, sua origem e funcionamento e cheque se há algo que a desabone. O ideal é consultar um planejador financeiro certificado.

Em linhas gerais, atenção aos pontos: a renda oscila de acordo com o câmbio, portanto, não conte com os mesmos valores todos os meses; avalie as questões tributárias, pois, dependendo do país, pode ocorrer bitributação; em relação às contas internacionais, pense em utilizar contas digitais; faça uma reserva de emergência em reais e em moeda forte; avalie a contratação de seguros e a forma de sucessão patrimonial. De preferência, faça um planejamento financeiro completo, com os vértices da proteção financeira e patrimonial, com o auxílio de um planejador com certificação CFP®.

Carla Cristina Silva é planejadora financeira pessoal e possui a certificação CFP® (Certified Financial Planner), concedida pela Planejar - Associação Brasileira de Planejamento Financeiro.
E-mail:
carlacristinassilva@gmail.com

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