Quais são os principais indicadores financeiros analisados em ações e fundos imobiliários?

7 de jan. de 2026

Bianca Borges, CFP®, responde:

Você provavelmente já ouviu a expressão “não coloque todos os ovos na mesma cesta”. Essa frase, bastante conhecida no mundo dos investimentos, traduz o princípio da diversificação — ou seja, a prática de distribuir os recursos entre diferentes tipos de produtos e classes de ativos. Essa estratégia permite ao investidor equilibrar risco e retorno, obtendo resultados mais consistentes em diferentes cenários econômicos, como períodos de juros altos ou baixos.

No contexto do planejamento financeiro, a diversificação é uma das ferramentas centrais utilizadas pelos planejadores financeiros, com objetivo de reduzir a exposição a riscos específicos e buscar retornos sustentáveis ao longo do tempo. Um portfólio bem estruturado leva em consideração o perfil do investidor, o horizonte de tempo e a combinação entre segurança, liquidez e potencial de valorização.

Entre as alternativas de investimento de renda variável disponíveis, duas merecem destaque por sua relevância e ampla utilização: ações e Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs).

As ações são valores mobiliários que representam pequenas frações do capital social de uma empresa. Quando uma companhia decide abrir seu capital, ela emite ações para captar recursos junto a investidores, utilizando esses valores para financiar seu crescimento, inovação ou expansão. Ao adquirir ações, o investidor se torna sócio da empresa e passa a participar dos seus resultados, sejam eles positivos (lucros e dividendos) ou negativos (prejuízos e desvalorização).

Os FIIs, por sua vez, são veículos de investimento coletivo que reúnem recursos de diversos cotistas para aplicação em empreendimentos do setor imobiliário. Esses investimentos podem ocorrer tanto em ativos físicos, como prédios comerciais, shoppings e galpões logísticos, quanto em títulos de crédito imobiliário, como Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) e Letras de Crédito Imobiliário (LCIs).

Compreender o funcionamento desses produtos é o primeiro passo. O segundo é aprender a analisar seus indicadores financeiros, que ajudam o investidor — e o planejador financeiro — a avaliar o desempenho e o potencial de cada ativo.

Ao avaliar um fundo imobiliário, alguns indicadores se destacam por sua importância na tomada de decisão:

A Taxa de Vacância mede o percentual de imóveis desocupados em relação ao total administrado pelo fundo. Ela reflete a atratividade e a eficiência da gestão dos ativos.

Quanto menor esse percentual, maior tende a ser a estabilidade dos rendimentos distribuídos aos cotistas. Vacâncias elevadas, por outro lado, indicam menor geração de receitas e, consequentemente, menor potencial de rentabilidade.

Já o Dividend Yield mede o retorno percentual obtido por meio dos rendimentos pagos periodicamente pelo fundo, em relação ao preço atual da cota.

Esse indicador é amplamente utilizado para avaliar o potencial de geração de renda passiva de um fundo, mas deve ser interpretado em conjunto com outros parâmetros, como a taxa de vacância e a consistência dos resultados.

Na análise de ações, três indicadores se destacam entre os mais utilizados para avaliar desempenho e precificação:

O P/L (Preço/Lucro) indica quantos anos seriam necessários para recuperar o valor investido em uma ação apenas com os lucros atuais da empresa. Em termos simples, ele mostra se uma ação está sendo negociada a um preço elevado ou reduzido em relação à sua lucratividade. Um P/L muito baixo pode sugerir uma oportunidade, mas também pode refletir expectativas negativas do mercado.

O indicador P/VPA (Preço/Valor Patrimonial por Ação) compara o preço de mercado da ação com o valor contábil do patrimônio líquido da empresa. Quando o P/VPA é inferior a 1, o mercado está atribuindo um valor menor do que o patrimônio registrado, o que pode indicar uma ação subavaliada. Já valores muito altos podem sinalizar que o mercado espera forte crescimento futuro.

O ROE (Retorno sobre o Patrimônio Líquido) mede a capacidade da empresa de gerar lucro a partir do capital dos acionistas. Um ROE elevado, de forma consistente ao longo do tempo, é sinal de eficiência na gestão dos recursos. No entanto, deve-se analisar esse dado em conjunto com o nível de endividamento e o contexto do setor de atuação.

No âmbito do planejamento financeiro pessoal, a seleção de ações, fundos imobiliários ou outros ativos deve considerar não apenas os indicadores financeiros, mas também fatores como liquidez, horizonte temporal e tolerância ao risco.

Compreender os indicadores apresentados é fundamental para quem deseja investir de forma consciente e estratégica. Esses dados, quando bem interpretados, ajudam a reduzir riscos e a construir uma base sólida para decisões consistentes.

O planejador financeiro CFP® exerce papel essencial nesse processo, auxiliando o investidor na interpretação dos indicadores, na diversificação da carteira e na construção de estratégias que conectem suas decisões de investimento aos seus projetos de vida.

Bianca Aparecida Borges é planejadora financeira pessoal e possui a certificação CFP® (Certified Financial Planner), concedida pela Planejar - Associação Brasileira de Planejamento Financeiro. E-mail: biancaborges.bab@gmail.com

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Confira a publicação original do artigo: Época Negócios