
Em que situações manter aplicações conservadoras pode, na prática, aumentar o risco financeiro?
1 de jul. de 2026
Rafael Castanho, CFP®, responde:
Em períodos de alta volatilidade e imprevisibilidade, o investidor costuma concentrar seus investimentos em ativos conservadores, mas é preciso ter cautela com alguns riscos.
Estamos vivenciando um momento peculiar, para não dizer único. Há décadas não se observava tantos eventos macroeconômicos relevantes simultaneamente, com destaque para a revisão de tarifas entre países e os conflitos globais regionalizados. Somado a isso, o Brasil atravessa um momento político-econômico desafiador, em que a polarização política traz incertezas em relação ao futuro em um ano eleitoral, associadas a uma crise fiscal que ainda não possui um caminho claro para ser resolvida.
Nesse cenário, a previsão da taxa Selic publicada semanalmente pelo Banco Central do Brasil (BACEN), que na primeira semana do ano apontava a perspectiva de encerrar 2026 no patamar de 12,25% a.a., agora projeta o fechamento do ano em 14% a.a.
Com isso, é natural que o investidor procure aplicar seus recursos financeiros em ativos mais conservadores, ou na chamada Renda Fixa, visando maior estabilidade e segurança. Mas é preciso ter atenção a algumas situações para minimizar determinados riscos.
O primeiro deles é o risco de alta concentração em um único tipo de produto ou classe de ativos, como a classe pós-fixada (produtos indexados aos juros, como a poupança, CDBs convencionais com liquidez diária para resgate e Tesouro Selic). Com a taxa Selic elevada, é natural e cultural que os recursos fiquem aplicados nesse tipo de ativo. Porém, quando a taxa Selic cair, a rentabilidade nominal da carteira também será reduzida na mesma proporção. Ou seja, o que hoje rende 14,25% ao ano pode passar a render 12%, 10% ou 8% no futuro.
Vale lembrar que, durante a pandemia, em 2020, a taxa Selic foi reduzida para 2% a.a. Embora esse não seja um cenário previsto ou considerado natural atualmente, também não era em 2019.
O segundo risco é o de crédito, associado ao emissor de títulos bancários ou privados. Em outras palavras, trata-se do risco envolvido ao investir em CDBs, LCIs, LCAs, CRIs, CRAs, debêntures e outros títulos que oferecem taxas de remuneração acima da média de mercado. Nesse caso, com a perspectiva de manutenção de juros elevados, o emissor do título pode enfrentar dificuldades financeiras e não conseguir honrar seus compromissos com os credores.
Para CDBs, LCIs e LCAs, existe a proteção do FGC (Fundo Garantidor de Créditos) de até R$ 250 mil por instituição financeira e CPF, limitada a R$ 1 milhão por investidor. Já para CRIs, CRAs e debêntures, eventuais prejuízos são integralmente suportados pelo investidor.
Um terceiro risco da Renda Fixa está associado à volatilidade de alguns ativos, como os títulos prefixados e os indexados à inflação. Em função dos fatores do cenário macroeconômico já citados, os cupons desses títulos estão bastante atrativos e acima do que o mercado costuma remunerar. Vale ressaltar que são excelentes ativos para iniciar a diversificação da carteira e compor uma estratégia de investimentos de longo prazo.
Porém, caso o cenário de volatilidade permaneça, o resgate antecipado desses títulos pode gerar perdas significativas em função da chamada marcação a mercado. Isso significa que, se os títulos adquiridos estiverem oferecendo uma remuneração inferior àquela disponível no mercado no momento da venda, haverá um deságio (desvalorização) sobre o valor investido.
É importante ressaltar que é possível construir uma carteira de investimentos conservadora, diversificada e segura. Para isso, é fundamental que o investidor possua um Planejamento Financeiro adequado, colocando seus projetos de vida no centro da estratégia. A carteira de investimentos deve ser uma consequência desse planejamento, e não apenas uma resposta às oportunidades momentâneas oferecidas pelo mercado.
O planejador financeiro CFP® segue os mais rigorosos e atuais padrões de excelência profissional, colocando sempre os interesses do cliente em primeiro lugar.
Rafael Castanho é planejador financeiro pessoal e possui a certificação CFP® (Certified Financial Planner), concedida pela Planejar - Associação Brasileira de Planejamento Financeiro.
E-mail: rafael@fp360.com.br
As respostas refletem as opiniões do autor, e não da Gazeta Mercantil Digital ou da Planejar. O veículo e a Planejar não se responsabilizam pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso destas informações. Perguntas devem ser encaminhadas para: redacao@gazetamercantil.digital
Confira a publicação original do artigo: Gazeta Mercantil Digital

A Planejar
A Certificação CFP®
Quero ser Profissional CFP®
Sou Profissional CFP®
Planeje sua vida financeira
O que é planejamento financeiro
Imprensa
Saiu na mídia
Colunas e artigos
R. Joaquim Floriano, 1120 - 7º andar
Itaim Bibi - São Paulo - SP
CEP 04534-004 - Fone: (11) 4280-8520
Contato: planejar@planejar.org.br





