
Como saber se deixar dinheiro parado na conta corrente está custando mais do que aparenta?
4 de fev. de 2026
Bruno Nahon, CFP®, responde:
Em um país acostumado a conviver com juros altos, muitos brasileiros acreditam que manter dinheiro parado na conta corrente – ou mesmo na conta de pagamento de um banco digital – é uma boa escolha. Não é. Essa decisão tem custos silenciosos e, muitas vezes, subestimados: o custo da inflação e o custo de oportunidade.
A inflação é um inimigo discreto. Ela não retira dinheiro da conta; retira poder de compra. Cem reais hoje não compram o mesmo que compravam dez anos atrás e, certamente, não comprarão o mesmo daqui a dez anos. Quando o dinheiro está parado, sem render nada, ele perde valor todos os dias. Essa perda é invisível até o momento em que o investidor percebe que o esforço de poupar não se transformou em ganho real.
Mas há um segundo fator tão importante quanto a inflação: o custo de oportunidade. Em um ambiente em que a renda fixa oferece retornos positivos, deixar recursos parados equivale a abrir mão de ganhos acessíveis. Em vez de acompanhar a dinâmica dos juros e trabalhar a favor do investidor, o dinheiro permanece estático e, portanto, encolhe em termos reais. Esse custo invisível é muitas vezes ignorado justamente por não aparecer no extrato bancário.
Considere um exemplo simples, com taxas hipotéticas. Se a inflação anual é de 5% ao ano e um investimento conservador rende 10% ao ano, deixar o dinheiro parado significa renunciar não apenas ao ganho de 10%, mas também absorver uma perda real de aproximadamente 5%. A diferença acumulada ao longo do tempo é enorme. Em horizontes mais longos, o impacto é ainda mais dramático, pois os juros compostos trabalham a favor de quem investe — e contra quem deixa de investir. O que começa como uma diferença aparentemente pequena se transforma, anos depois, em uma distância patrimonial difícil de recuperar.
A questão central, portanto, não é apenas “quanto eu ganho” ao aplicar, mas “quanto eu deixo de perder” ao evitar a estagnação. Um bom planejamento financeiro parte desse princípio: cada real deve ter um propósito. Recursos destinados à reserva de emergência podem — e devem — ser mantidos em aplicações de alta liquidez, mas não necessariamente parados na conta. Objetivos de médio e longo prazo exigem investimentos adequados ao prazo, ao perfil de risco e às metas do investidor. A estratégia precisa combinar segurança com eficiência, evitando que o conforto da conta corrente se transforme em um obstáculo ao crescimento.
Entender se o dinheiro parado está custando mais do que parece requer uma mudança de visão. A conta corrente não é um lugar de acumulação; é apenas uma ponte entre o que recebemos e onde deveríamos alocar os recursos. Quando o investidor entende que não decidir também é uma decisão, passa a olhar suas finanças com mais estratégia.
Uma questão importante dessa discussão é: por que as pessoas deixam o dinheiro parado na conta corrente? Um ponto fundamental é o medo — e a preocupação de não perder o dinheiro ganho com tanto esforço. Esse receio é natural. E é justamente aí que entra o papel do planejador financeiro.
O planejador financeiro certificado CFP® existe para ajudar o investidor a ter a perspectiva correta. Sua missão principal é otimizar os resultados, adequando os investimentos aos objetivos de vida. Isso inclui educar sobre riscos invisíveis e mostrar que, no longo prazo, a disciplina supera a intuição. Para isso, considerar o custo da inflação e o custo de oportunidade é fundamental.
No fim, a pergunta relevante não é “posso deixar o dinheiro parado?”. A pergunta correta é: “quanto isso está me custando?”. Em um país onde a inflação é persistente e as oportunidades na renda fixa são acessíveis, a resposta é clara: deixar o dinheiro parado custa muito mais do que aparenta.
Bruno Nahon é planejador financeiro pessoal e possui a certificação CFP® (Certified Financial Planner), concedida pela Planejar - Associação Brasileira de Planejamento Financeiro.
Email: bruno.nahon@grupofatorial.com.br
As respostas refletem as opiniões do autor e não da Gazeta Mercantil Digital ou da Planejar. O veículo e a Planejar não se responsabilizam pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso destas informações. Perguntas devem ser encaminhadas para: redacao@gazetamercantil.digital
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