
Como realizar a declaração de impostos sobre investimentos em criptomoedas?
25 de mar. de 2026
Guto Moizés, CFP®, responde:
Investimentos em moedas digitais exige mais do que conhecimento de mercado; a conformidade fiscal é crucial para evitar dores de cabeça com o Leão.
O mercado de criptoativos, com sua volatilidade e promessas de retornos exponenciais, tem atraído milhões de brasileiros. De Bitcoin a Ethereum, passando por uma infinidade de altcoins, a diversificação de portfólio com moedas digitais tornou-se uma realidade para muitos. No entanto, a euforia dos ganhos muitas vezes se choca com a complexidade da legislação tributária. Declarar corretamente os impostos sobre investimentos em criptomoedas à Receita Federal não é apenas uma obrigação legal, mas uma garantia contra multas pesadas e problemas futuros.
A Receita Federal do Brasil (RFB) tem intensificado a fiscalização sobre as operações com criptoativos, exigindo que exchanges e investidores reportem suas movimentações. Ignorar essas regras pode resultar em altas penalidades, que vão desde multas por atraso na entrega da declaração até autuações por omissão de rendimentos. Portanto, entender como e quando declarar é tão importante quanto saber investir.
A primeira etapa para uma declaração eficaz é compreender que nem toda operação com criptomoedas é tributada da mesma forma. A Receita Federal categoriza as transações de acordo com sua natureza, e cada uma delas possui regras específicas de apuração e alíquotas.
O ganho de capital ocorre quando você vende suas criptomoedas por um valor superior ao de aquisição. Este é o tipo de tributação mais comum. Assim como o mercado de ações, onde há isenção de imposto para vendas de até R$ 20 mil por mês, até o fim de 2025 há isenção para vendas de R$ 35 mil de criptoativos. Essa isenção foi derrubada por medida provisória e a partir de 2026 passa a valer a tributação de 17,5% sobre ganhos com ativos digitais. A nova regra, prevista para entrar em vigor em 2026, será aplicada a todas as operações, independentemente do valor movimentado ou do tempo de posse do ativo. A cobrança também será aplicada em casos de custódia própria — quando o contribuinte mantém acesso direto às criptomoedas por meio de chaves privadas, sem intermediários — e a ativos digitais negociados em exchanges estrangeiras.
A chave para uma declaração de imposto de renda sem problemas é a organização. Manter um registro meticuloso de todas as suas transações é fundamental. A Receita Federal exige que você guarde os comprovantes por, no mínimo, cinco anos.
Reúna extratos, históricos de transações com suas datas e tipos de criptos, notas de compras e transferências e todos os documentos e informações que julgar necessário.
Com a documentação organizada, o próximo passo é preencher a Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda Pessoa Física (DIRPF) ou o programa GCAP e Carnê-Leão, conforme a necessidade.
Baixe o programa IRPF do ano-calendário correspondente (por exemplo, IRPF 2025 para ano-calendário 2024) no site da Receita Federal. Para apurar e pagar o imposto sobre o ganho de capital mensalmente, você precisará do programa GCAP (Ganho de Capital).
A aba “Declaração de bens e direitos” (ficha 7) é a seção onde você informa à Receita Federal que possui criptomoedas.
Código: Selecione o código 81 - Criptoativo Bitcoin (BTC), 82 - Outros criptoativos, como Ether (ETH), XRP, Litecoin (LTC) e Dogecoin (DOGE), 83 - Outros criptoativos (altcoins) que não sejam stablecoins, 84 - Stablecoins, como Tether (USDT), USD Coin (USDC) e Brazilian Digital Token (BRZ), ou 89 - Demais criptoativos. Escolha o código mais adequado para cada tipo de criptomoeda que você possui.
Depois basta informar o país e detalhe a criptomoeda e a quantidade que você possui, o nome da Exchange ou da carteira custodiada e, se possível, o CNPJ da Exchange.
Informe o valor total em reais dos seus criptoativos na data de 31 de dezembro do ano-calendário. O valor a ser considerado é o custo médio de aquisição, não o valor de mercado. Se você comprou em diferentes momentos, some os custos de aquisição e dívida pela quantidade total para obter o custo médio.
O universo das criptomoedas oferece oportunidades incríveis, mas a responsabilidade fiscal é um pilar inegociável para qualquer investidor sério. A complexidade das regras não deve ser um impedimento, mas sim um convite à organização e ao conhecimento. Ao entender as nuances da tributação, manter registros impecáveis e buscar auxílio profissional quando necessário, você garante não apenas a conformidade com a lei, mas também a tranquilidade para focar no que realmente importa: o crescimento do seu patrimônio.
Portanto, evite deixar para a última hora. Organizar seus registros o quanto antes ajuda a entender suas obrigações e a planejar sua declaração.
Guto Moizés é planejador financeiro pessoal e possui a certificação CFP® (Certified Financial Planner), concedida pela Planejar - Associação Brasileira de Planejamento Financeiro.
E-mail: guto_moizes@yahoo.com.br
As respostas refletem as opiniões do autor e não do site ÉpocaNegócios.com ou da Planejar. O site e a Planejar não se responsabilizam pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso destas informações.

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