
Benefícios do cartão justificam anuidade?
1 de jun. de 2026
Ana Lucia Rocha Soares, CFP®, responde:
A oferta de cartões de crédito com benefícios como acúmulo de milhas e acesso a salas VIP em aeroportos, tem crescido nos últimos anos. Ao mesmo tempo, muitos desses cartões possuem anuidades elevadas, o que leva à dúvida sobre a real vantagem de pagar por esses benefícios.
A resposta passa por uma análise estruturada, própria do planejamento financeiro. Planejar consiste em organizar receitas, despesas, investimentos e objetivos de vida para apoiar decisões financeiras mais conscientes ao longo do tempo. Nesse contexto, produtos financeiros como o cartão de crédito devem ser avaliados considerando custos, benefícios e o padrão de uso de cada pessoa.
Um primeiro ponto de análise é o custo. A anuidade é uma tarifa cobrada pela instituição emissora do cartão para manutenção do serviço e acesso a determinados benefícios. Dependendo da categoria do cartão, esse valor pode se tornar relevante ao longo de um ano.
Dentro dessa lógica, recomenda-se comparar o custo anual da anuidade com o valor potencial dos benefícios efetivamente utilizados. No caso de pessoas que viajam com frequência, seja a trabalho ou lazer, o acesso a salas VIP pode representar mais conforto durante conexões e até economia indireta com alimentação em aeroportos. Além disso, programas de milhagem permitem o acúmulo de pontos a partir das compras realizadas no cartão, que podem ser convertidos posteriormente em passagens aéreas ou outros serviços.
Entretanto, o aproveitamento desses benefícios depende diretamente do perfil de uso. Consumidores que viajam poucas vezes ao ano, tendem a utilizar pouco o acesso às salas VIP. Da mesma forma, quem utiliza o cartão com menor frequência acumula milhas em ritmo mais lento, reduzindo o valor prático desse benefício.
Outro aspecto relevante é compreender que milhas e pontos possuem valor econômico variável, influenciado por fatores como regras de conversão, disponibilidade de resgates e prazos de validade. Por essa razão, no planejamento financeiro recomenda-se avaliar esses programas com critérios semelhantes aos aplicados a outros recursos financeiros: custo, utilidade e previsibilidade de uso.
Também é fundamental considerar o comportamento de consumo. De acordo com informações divulgadas por instituições como o Banco Central e a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) indicam que o cartão de crédito está entre os meios de pagamento mais utilizados no país. Quando utilizado sem controle, porém, pode levar ao endividamento, especialmente em função das altas taxas de juros do crédito rotativo.
Nesse sentido, o cartão deve ser encarado antes de tudo como um meio de pagamento e organização de despesas. Benefícios adicionais como milhas ou acesso a serviços exclusivos, devem ser tratados como vantagens complementares, e não como incentivo ao aumento do consumo.
Em síntese, o pagamento de anuidade pode fazer sentido quando o padrão de uso permite aproveitar de forma consistente os benefícios oferecidos. O planejamento financeiro contribui para essa avaliação, auxiliando na análise de custos, hábitos de consumo e objetivos de longo prazo antes da tomada de decisão.
Ana Lucia Rocha Soares é planejadora financeira pessoal e possui a certificação CFP® (Certified Financial Planner), concedida pela Planejar - Associação Brasileira de Planejamento Financeiro.
E-mail: alsoares80@gmail.com
As respostas refletem as opiniões da autora e não do jornal Valor Econômico ou da Planejar. O jornal e a Planejar não se responsabilizam pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso destas informações. Perguntas devem ser encaminhadas para: consultoriofinanceiro@planejar.org.br
Confira a publicação original do artigo: Valor Econômico

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