
Vale a pena enviar IRPF já e retificar depois?
25 de mai. de 2026
Goldie Aragão, CFP®, responde:
O prazo para entrega da declaração do Imposto de Renda 2026 termina em 29 de maio, e dados da Receita Federal mostram que, até o início desta semana, apenas pouco mais de 22 milhões de declarações foram recebidas, praticamente metade das 44 milhões esperadas.Para quem ainda não reuniu todos os documentos, fica a dúvida: entregar incompleto ou aguardar e arriscar a multa?
O ideal é entregar no prazo com todas as informações, mas, se algum informe ainda não foi disponibilizado, faz mais sentido enviar a declaração dentro do prazo e fazer a retificação depois.
Isso porque a multa por entrega fora do prazo é de 1% ao mês sobre o imposto devido, com valor mínimo de R$ 165,74, mesmo para quem não tem imposto a pagar, podendo chegar a 20% do imposto devido, além da incidência de juros pela taxa Selic.
A declaração retificadora é um mecanismo oficial da Receita Federal que permite corrigir informações sem multa adicional por até cinco anos após o prazo de entrega. Na prática, ela possibilita complementar posteriormente dados pendentes, ganhando tempo e eliminando o risco da multa.
Mas atenção: isso não significa omitir rendimentos ou enviar informações incorretas deliberadamente.
A Receita já possui boa parte dos dados enviados pelas fontes pagadoras, e a omissão de rendimentos frequentemente resulta em malha fina. Além disso, o modelo de tributação — simplificado ou completo — não pode ser alterado após o encerramento do prazo, nem mesmo por meio da retificadora. A escolha precisa ser feita corretamente já no envio inicial.
Deduções, por outro lado, têm mais flexibilidade: comprovantes de saúde, educação e outros gastos dedutíveis podem ser incluídos na retificadora.
Mais do que uma obrigação tributária, o IR acaba funcionando como um retrato da vida financeira. Ele mostra renda, patrimônio, investimentos, dívidas, despesas dedutíveis e, principalmente, o nível de organização financeira construído ao longo do ano.
Quem planeja chega ao período de entrega com documentos organizados, deduções otimizadas e risco reduzido de cair na malha fina. Quem não planeja corre contra o tempo, fica sujeito a cometer erros e, frequentemente, paga mais imposto do que deveria.
Um exemplo clássico é o Plano Gerador de Benefício Livre (PGBL), uma modalidade de previdência privada que permite abatimento fiscal. Contribuições feitas até 31 de dezembro podem permitir dedução de até 12% da renda bruta tributável para quem declara no modelo completo. Esse benefício depende de uma decisão tomada ao longo do ano anterior, portanto não é possível aproveitá-lo no momento de preencher a declaração.
Planejar é a melhor forma de evitar surpresas no IR e, claro, de garantir que cada real seja declarado, deduzido e restituído da forma mais eficiente possível. Uma sugestão prática é aproveitar o momento de envio da declaração para já iniciar o planejamento de otimização tributária do próximo ano, considerando o valor das rendas tributáveis e das deduções.
Goldie Aragão é planejadora financeira pessoal e possui a certificação CFP® (Certified Financial Planner), concedida pela Planejar - Associação Brasileira de Planejamento Financeiro.
E-mail: goldie@goldiearagao.com.br
As respostas refletem as opiniões do autor e não do jornal Valor Econômico ou da Planejar. O jornal e a Planejar não se responsabilizam pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso destas informações. Perguntas devem ser encaminhadas para: consultoriofinanceiro@planejar.org.br
Confira a publicação original do artigo: Valor Econômico

A Planejar
A Certificação CFP®
Quero ser Profissional CFP®
Sou Profissional CFP®
Planeje sua vida financeira
O que é planejamento financeiro
Imprensa
Saiu na mídia
Colunas e artigos
R. Joaquim Floriano, 1120 - 7º andar
Itaim Bibi - São Paulo - SP
CEP 04534-004 - Fone: (11) 4280-8520
Contato: planejar@planejar.org.br





