Brasileiros organizam o orçamento, mas ainda estão despreparados para imprevistos

10 de set. de 2026

Primeira edição do Índice Planejar mede 52,7 pontos e cria uma referência de planejamento financeiro no Brasil

São Paulo, 10 de setembro de 2026 – O brasileiro consegue organizar as contas do mês, mas ainda encontra dificuldades para transformar esse controle em segurança diante de imprevistos e na construção do futuro. Essa é uma das principais conclusões da primeira edição do Índice Planejar, criado pela Associação Brasileira de Planejamento Financeiro para ampliar o debate sobre o tema e contribuir para direcionar estratégias capazes de aumentar o nível de planejamento financeiro das pessoas.

Com uma pontuação geral de 52,7 pontos, numa escala que vai de 0 a 100, o indicador mede o planejamento financeiro dos brasileiros das classes A, B e C com acesso à internet a partir de seus comportamentos efetivos. A iniciativa busca ampliar a compreensão sobre o próprio conceito de planejamento financeiro, frequentemente associado apenas à gestão orçamentária e ao controle das despesas.

Para isso, a metodologia desmembra o planejamento financeiro em cinco dimensões: gestão orçamentária, impacto do endividamento no orçamento, reservas e resiliência, proteção e seguros e planejamento de longo prazo. Além disso, considera que as prioridades mudam ao longo da vida.

Dessa forma, o levantamento permite identificar quais temas exigem maior atenção em cada etapa e oferece uma referência para a população, profissionais e instituições financeiras direcionarem melhor suas decisões e estratégias.

Segundo Ana Leoni, CEO da Planejar, a criação do indicador responde à necessidade de ampliar a discussão sobre o tema e oferecer uma ferramenta capaz de orientar diferentes atores envolvidos no desenvolvimento da cultura de planejamento financeiro no país. “Planejar não é apenas controlar o orçamento ou fazer as contas fecharem no fim do mês. É olhar para diferentes dimensões da vida financeira e entender quais devem ser priorizadas em cada fase”, afirma.

Brasileiros controlam o presente, mas ainda precisam construir proteção

Os resultados mostram uma diferença importante entre administrar as finanças no presente e se preparar para situações futuras. A gestão orçamentária aparece como a dimensão mais desenvolvida entre os brasileiros, enquanto reservas e resiliência representam o principal ponto de atenção. O contraste indica que organizar receitas e despesas não significa, necessariamente, contar com uma estrutura financeira capaz de enfrentar uma perda de renda ou outro evento inesperado.

Um dos principais exemplos aparece na formação de reservas. O levantamento mostra desempenho maior no item relacionado à posse de produtos de poupança ou investimento do que na capacidade de manter a vida financeira diante de uma interrupção de renda. Ter algum dinheiro aplicado, portanto, não representa automaticamente recursos suficientes ou adequadamente estruturados para absorver imprevistos e garantir proteção em momentos de maior vulnerabilidade.

Leoni acredita que os resultados reforçam a importância de compreender a função de cada recurso dentro da estratégia financeira. “Ter algum dinheiro investido é diferente de ter uma reserva capaz de sustentar a vida financeira quando a renda é interrompida. Antes de pensar apenas em rentabilidade, é preciso entender a função daquele recurso dentro do planejamento e construir segurança”, diz.

O desafio acompanha todas as faixas etárias avaliadas, dos jovens entre 18 e 24 anos às pessoas com 61 anos ou mais. Outro ponto de atenção aparece no planejamento de longo prazo: os resultados indicam uma distância entre reconhecer a importância de se preparar para a aposentadoria e efetivamente adotar comportamentos voltados a esse objetivo, com a previdência privada entre os itens mais frágeis avaliados pelo levantamento.

Cada fase da vida exige prioridades diferentes

O planejamento não cresce de maneira linear com a idade. Os brasileiros entre 25 e 44 anos apresentam o menor resultado entre as faixas analisadas, enquanto o grupo com 61 anos ou mais registra o melhor desempenho. A diferença ajuda a demonstrar como os desafios financeiros se transformam ao longo da vida e exigem prioridades e estratégias diferentes em cada período.


A faixa dos 25 aos 44 anos concentra muitas exigências simultâneas. Formação de família, financiamentos de longo prazo e uma carreira ainda em consolidação podem aumentar a pressão sobre o orçamento, enquanto esse grupo tende a ter menos patrimônio acumulado para absorver essas responsabilidades.

“A metodologia considera justamente essas particularidades ao distribuir os pesos que compõem o cálculo do índice. Em vez de aplicar uma única régua para todas as pessoas, o indicador pondera as diferentes dimensões do planejamento financeiro levando em conta as prioridades e necessidades de cada fase da vida, ajudando a identificar quais temas merecem maior atenção ao longo da trajetória financeira”, explica o gestor de Riscos e consultor da Planejar neste projeto, Hilton Notini.

Índice quer orientar população, profissionais e instituições

Um dos diferenciais do Índice Planejar está em medir o que as pessoas efetivamente fazem com o dinheiro, e não apenas quanto acreditam conhecer sobre finanças ou quão organizadas consideram suas próprias vidas financeiras. A metodologia prioriza comportamentos e ações realizadas, permitindo identificar com maior precisão onde estão os pontos fortes e, principalmente, os pontos de vulnerabilidade da população.

“Os resultados podem funcionar como uma bússola, ajudando instituições financeiras a direcionarem suas estratégias comerciais e de educação. Já os planejadores financeiros ganham uma ferramenta que pode apoiá-los nessa conversa direta com os clientes, mostrando a eles um verdadeiro mapa do que seria ideal e como fazer para chegar o mais próximo possível disso, considerando a realidade de cada um”, explica Leoni.

De acordo com a CEO da Planejar, o principal objetivo está em estruturar e ampliar o debate em torno do tema, para aumentar o grau de planejamento financeiro das pessoas.

Para informações mais detalhadas, acesse a apresentação e o paper do Índice Planejar.

Sobre a Planejar

A Associação Brasileira de Planejamento Financeiro (Planejar) é a única instituição no Brasil autorizada a conceder a certificação CFP® (Certified Financial Planner). É afiliada ao FPSB (Financial Planning Standards Board) entidade norte-americana responsável pela divulgação, gerenciamento e controle do uso das marcas CFP® fora dos Estados Unidos.

O Brasil é o quinto país com mais planejadores financeiros certificados, com mais de 12 mil profissionais. No mundo, são mais de 236 mil. A certificação CFP® é uma certificação de distinção que traz um diferencial para a carreira do profissional. Para obtê-la, além de comprovar conhecimentos técnicos por meio de avaliação específica, o candidato também precisa comprovar formação acadêmica, experiência profissional e adesão a um código de ética. Para manter a certificação, o profissional precisa ainda cumprir requisitos de educação continuada.

Contato para a imprensa:

imprensa@planejar.org.br

Tamer:
Adriano Santos | (11) 93474-9698 | adrianosantos@tamer.com.br
Evandro Ribeiro | (13) 98132-6511 | evandro@tamer.com.br
José Lucas Morais | (11)98878-7122 | jose.lucas@tamer.com.br
Vivian Lima | (13) 99707-5860 | vivian.lima@tamer.com.br