Ano eleitoral exige estratégia e cautela nas decisões de investimento, orienta Planejar

16 de out. de 2026

Planejamento, diversificação e horizonte de longo prazo ajudam a evitar decisões por impulso

São Paulo, 16 de outubro de 2026 – A proximidade para votação do segundo turno das eleições costuma aumentar as oscilações dos mercados e a ansiedade dos investidores. Nesse ambiente, pode surgir a tentação de resgatar aplicações e aguardar o resultado das urnas para voltar a investir. Para Gustavo Brum, planejador financeiro com certificação CFP® pela Planejar (Associação Brasileira de Planejamento Financeiro), decisões tomadas em reação ao noticiário podem afastar o investidor de seus objetivos e de sua estratégia de longo prazo.

Antes de mudar a carteira, é importante distinguir volatilidade de resultado. A oscilação dos preços no curto prazo ocorre tanto para baixo quanto para cima e, isoladamente, não representa ganho ou perda definitiva. Esses resultados se concretizam na venda do ativo. Por isso, movimentos pontuais do mercado não devem ser o único motivo para uma decisão de investimento.

Brum explica que o comportamento do próprio investidor pode se tornar um fator de risco em períodos de maior incerteza. Nas quedas, o medo pode levar ao resgate de aplicações em um momento desfavorável. Nas altas, a euforia pode estimular compras depois que parte do movimento já aconteceu. As preferências políticas também podem interferir nas escolhas. “Em direções opostas, os investidores podem cometer o mesmo erro: deixar uma eleição  determinar decisões que podem afetar a concretização de  objetivos financeiros de longo prazo”, afirma.

Para evitar decisões impulsivas, o primeiro passo é considerar o prazo de cada objetivo. Recursos destinados ao longo prazo não precisam acompanhar cada oscilação de curto prazo. Já o dinheiro reservado para necessidades próximas deve permanecer em aplicações compatíveis com esse horizonte e com a necessidade de liquidez.

Outro ponto é conhecer o próprio perfil de risco. Essa avaliação deve considerar o risco necessário para alcançar os objetivos, a capacidade financeira de suportar perdas e a tolerância emocional às oscilações. Segundo Brum, essa dimensão comportamental nem sempre é percebida em momentos de estabilidade, mas se torna mais evidente quando os mercados passam por movimentos intensos.

A diversificação e a reserva de emergência também ajudam a reduzir decisões precipitadas. “Distribuir os recursos entre diferentes classes de ativos diminui a dependência de um único mercado, enquanto a reserva evita que investimentos de longo prazo precisem ser resgatados para cobrir despesas inesperadas”, explica.

Brum recomenda ainda que o investidor defina previamente as regras da carteira e evite alterações motivadas exclusivamente por pesquisas, manchetes ou expectativas políticas. A necessidade de ajustes deve ser avaliada de acordo com os objetivos, o horizonte de investimento e a composição do patrimônio. “O ruído de uma eleição é intenso, mas tem prazo de validade. Os fundamentos de uma carteira, não. Investir bem, em ano eleitoral ou em qualquer outro, é trocar a reação pela estratégia”, conclui.

Sobre a Planejar

A Associação Brasileira de Planejamento Financeiro (Planejar) é a única instituição no Brasil autorizada a conceder a certificação CFP® (Certified Financial Planner). É afiliada ao FPSB (Financial Planning Standards Board) entidade norte-americana responsável pela divulgação, gerenciamento e controle do uso das marcas CFP® fora dos Estados Unidos.

O Brasil é o quinto país com mais planejadores financeiros certificados, com mais de 12 mil profissionais. No mundo, são mais de 236 mil. A certificação CFP® é uma certificação de distinção que traz um diferencial para a carreira do profissional. Para obtê-la, além de comprovar conhecimentos técnicos por meio de avaliação específica, o candidato também precisa comprovar formação acadêmica, experiência profissional e adesão a um código de ética. Para manter a certificação, o profissional precisa ainda cumprir requisitos de educação continuada.

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