
Por que o controle mensal de receitas pode ser decisivo para evitar inconsistências na declaração do IR?
18 de mar. de 2026
Geovane Zanini, CFP®, responde:
Para a maioria dos contribuintes, o período de elaboração da declaração do Imposto de Renda (IR) é marcado por dúvidas, prazo apertado e esforço para obtenção de todos os documentos necessários. No entanto, essa realidade vem mudando. Com o nível de complexidade crescente em relação às informações a serem declaradas à Receita Federal, o planejamento necessário começa muito antes do período de entrega.
Por exemplo, uma pessoa que possui imóveis alugados, recebe os pagamentos em seu CPF e não declara esses rendimentos corre sérios riscos de cair na malha fina. Com a implementação do novo CIB (Cadastro Imobiliário Brasileiro), a Receita Federal poderá identificar imóveis e aluguéis não declarados, facilitando a fiscalização e a aplicação de possíveis punições. Uma solução é o controle mensal dos recebimentos, aliado ao recolhimento do imposto via carnê-leão no mês seguinte ao recebimento. Com esses documentos em mãos, ao iniciar o período de declaração do IR, o contribuinte já terá uma parte da documentação organizada e as obrigações tributárias em dia, reduzindo o risco de cair na malha fina e da incidência de multas.
Com a comunicação integrada entre instituições financeiras - bancos, fintechs, facilitadoras de pagamentos e operadoras de saúde - e o cruzamento de dados junto ao fisco, os valores são reportados e comparados ao que foi declarado pelo contribuinte. Em 2025, segundo dados da Receita Federal, foram enviadas 397.731 cartas a contribuintes pessoas físicas de todo o Brasil que estavam com a declaração do Imposto de Renda retida na malha fina. Essa iniciativa busca incentivar o contribuinte a realizar a regularização por conta própria, evitando penalidades mais severas.
O controle mensal de receitas surge como uma forma de planejamento para evitar que situações onerosas ocorram para os contribuintes. Ao efetuar esse acompanhamento de forma contínua, a apuração correta dos impostos a serem pagos e a identificação de maneiras legais de pagar menos tributos tornam-se mais eficientes, reduzindo a chance de transtornos futuros. Salários, pró-labore, dividendos, aluguéis, proventos de investimentos e outras entradas financeiras devem ser acompanhados com atenção, para que sejam declarados corretamente e para evitar que valores sejam esquecidos, lançados de forma incorreta ou até mesmo duplicados no momento da declaração.
Em um ambiente de fiscalização cada vez mais digital, integrado e com apoio de inteligência artificial, o contribuinte que mantém um controle mensal apurado não apenas evita inconsistências tributárias, como ganha também previsibilidade, maior clareza sobre suas movimentações financeiras e melhor organização de suas entradas e saídas.
Contar com o auxílio de um planejador financeiro CFP® pode ser fundamental para organizar melhor o acompanhamento das receitas, identificar maneiras de elisão fiscal em determinadas atividades e encontrar alternativas que otimizem a gestão tributária de forma legal e eficiente.
Geovane Zanini é planejador financeiro pessoal e possui a certificação CFP® (Certified Financial Planner), concedida pela Planejar - Associação Brasileira de Planejamento Financeiro.
E-mail: geovane.zanini@gmail.com
As respostas refletem as opiniões do autor e não do site ÉpocaNegócios.com ou da Planejar. O site e a Planejar não se responsabilizam pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso destas informações.
Confira a publicação original do artigo: Época Negócios

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