
Como se planejar para compras?
16 de mar. de 2026
Marcelo Henriques de Brito, CFP®, responde:
Durante uma aquisição, um consumidor deve estar ciente do modelo de compra que está adotando e, subsequentemente, compreender as características daquela compra e seu impacto sobre o planejamento do orçamento pessoal.
Há basicamente três modelos de compra. Enquanto a "compra por impulso" é caracterizada por um processo de decisão emocional, intempestivo e até compulsivo no momento de uma aquisição, a "compra com análise de problema" demanda um processo estruturado e lento antes de efetuar uma compra. Já a "compra por hábito" pressupõe uma decisão rápida e automática para compras periódicas com lealdade a um produto, uma marca ou um fornecedor, o que até traz comodidade, mas pode ser prejudicial, sendo um modelo de compra que favorece diversos comerciantes.
A adoção da compra por hábito para um produto ou serviço é antecedida por um dos dois outros modelos de compra, sendo mais simples e frequente atrair a atenção, o interesse e a confiança do consumidor na compra por impulso, inclusive quando o fornecedor ou comerciante querem reduzir estoques, fazer caixa ou se desfazer de um modelo antigo de um produto. A compra por impulso é incentivada pela oferta com descontos, pagamentos parcelados supostamente "sem juros", promoções pela compra em quantidade, propaganda eficaz das características do produto e sua disposição atraente no ponto de venda.
Por mais que os comerciantes invistam nas estratégias de marketing, os consumidores devem evitar as armadilhas das compras por impulso e privilegiar a compra com análise, planejando com racionalidade e avaliando as vantagens e desvantagens em adquirir um produto ou serviço. A compra com análise ocorre naturalmente nas aquisições de maior vulto, quando se tem consciência de restrições orçamentárias e dos danos de compras equivocadas. Por outro lado, a compra por impulso até se justifica em casos de urgência, quando é desaconselhável adiar o consumo e quando não há soluções alternativas para uma compra indispensável, além de se considerar que o preço está baixo de forma temporária ou inexplicável.
A intenção de comprar um bem apenas por estar barato seria justificável se for possível vender o mesmo bem posteriormente a um preço mais elevado, além da expectativa em receber fluxos de caixa até realizar um ganho de capital. Esta é a atitude de um investidor, mas os consumidores precisam ter um comportamento bem diferente.
A compra de um bem de consumo deve ser motivada pelo benefício não monetário ou bem-estar que ocorrerá durante o uso daquele bem, que em princípio não será revendido. Uma aquisição torna-se de fato cara quando o produto comprado não for utilizado.
Arrependimentos resultam basicamente de gastos altos em excentricidades que não foram planejadas e sequer podem ser justificadas. Já pequenos prazeres espontâneos, esporádicos e de baixo valor não devem causar arrependimentos.
Cabe então definir o valor a partir do qual um gasto incomum desequilibraria as finanças pessoais de forma que as compras acima daquele valor só devem ser feitas se tiverem sido previamente planejadas, exceto haja uma justificativa forte para um desembolso contingente. Cabe igualmente distinguir as aquisições essenciais daquelas excentricidades que precisam ser coibidas, sobretudo se acarretarem um desequilíbrio orçamentário pela frequência ou pela magnitude elevadas. O planejamento orçamentário deve também avaliar a adesão a serviços com o compromisso de pagamentos periódicos e em geral por um período mínimo durante o qual não pode ocorrer uma desistência.
Evita arrependimentos diante de ofertas supostamente imperdíveis em liquidações quem valoriza um padrão de vida simples, sem exibicionismo e com planejamento. O comportamento frugal costuma ser essencial para acumular riqueza. Como teria exposto Warren Buffett: "Se você comprar coisas que não precisa, em breve você vai vender coisas que precisa".
Marcelo Henriques de Brito é Planejador Financeiro Pessoal e possui a certificação CFP® (Certified Financial Planner), concedida pela Planejar - Associação Brasileira de Planejadores Financeiros.
E-mail: marcelohdb@probatus.com.br
As respostas refletem as opiniões do autor, e não do jornal Valor Econômico ou da Planejar. O jornal e a Planejar não se responsabilizam pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso destas informações. Perguntas devem ser encaminhadas para: consultoriofinanceiro@planejar.org.br
Confira a publicação original do artigo: Valor Econômico

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