Como o prêmio de risco da renda variável brasileira se compara ao de mercados emergentes concorrentes?

12 de jan. de 2026

Martin Hauser, CFP®, responde:

Quando falamos em renda variável, uma expressão aparece com frequência nas análises: “prêmio de risco”. Em termos simples, trata-se do retorno adicional que o investidor espera receber ao aplicar em ações, em vez de permanecer em um ativo considerado praticamente livre de risco, como os títulos públicos. Essa diferença é a compensação por suportar a volatilidade e as incertezas da economia e das empresas.

No caso brasileiro, essa discussão ganha força porque convivemos historicamente com juros elevados, maior instabilidade econômica e mudanças frequentes no ambiente fiscal. Em um cenário assim, o investidor tende a exigir um prêmio de risco maior para aplicar na bolsa local. Na prática, isso costuma se refletir em preços mais descontados em relação ao lucro das empresas quando comparamos o Brasil a outros mercados emergentes.

De forma geral, estudos de mercado e organismos internacionais indicam que, ao longo do tempo, o prêmio de risco da renda variável brasileira tende a ficar acima da média de mercados emergentes. Ou seja, para atrair o mesmo investidor global, o mercado brasileiro precisa oferecer uma expectativa de retorno maior do que a de alguns concorrentes, a fim de compensar a percepção de risco adicional.

Quando comparamos o Brasil a outros emergentes, observamos perfis distintos. Estimativas internacionais de prêmio de risco de ações apontam algo em torno de 7,5% a 8% ao ano para o Brasil, contra cerca de 7% no México, 7,3% na Índia e 8,3% na África do Sul. Países com instituições mais estáveis e menor volatilidade de inflação e câmbio tendem a conviver com prêmios menores, enquanto economias com maior risco fiscal ou político exigem prêmios semelhantes ou até superiores ao brasileiro.

É importante lembrar que prêmio de risco não é promessa de ganho. A bolsa pode apresentar períodos de retorno abaixo ou acima do esperado. O prêmio é apenas uma estimativa de longo prazo, construída a partir de taxas de juros, perspectivas de crescimento e resultados das empresas.

Para o investidor pessoa física que faz planejamento financeiro de longo prazo, a consequência prática é clara: um prêmio de risco maior pode indicar potencial de retorno mais elevado, mas também uma trajetória mais volátil. Por isso, a renda variável brasileira tende a fazer mais sentido em horizontes longos, em que as oscilações de curto prazo têm menor peso nas decisões.

Outro ponto relevante é a diversificação internacional. Ao combinar ações brasileiras com renda variável de outros mercados, o investidor distribui o risco entre diferentes economias, moedas e ciclos, reduzindo a dependência do prêmio de risco de um único país.

Nesse contexto, o planejamento financeiro ajuda a transformar essas variáveis em decisões concretas: quanto alocar em renda variável, qual proporção manter em ativos locais e globais e como alinhar essas escolhas ao perfil de risco e aos objetivos de vida. O apoio de um planejador financeiro com certificação CFP® pode ser útil nesse processo.

Em resumo, o prêmio de risco da renda variável brasileira tende a ser mais elevado do que o de muitos mercados emergentes concorrentes, justamente porque o investidor enxerga mais incerteza. Isso não é bom nem ruim por si só: é uma característica do mercado, que pode ser aproveitada de forma responsável por quem investe com horizonte adequado, disciplina e diversificação.

Martin Paulo Hauser é planejador financeiro pessoal e possui a certificação CFP® (Certified Financial Planner), concedida pela Planejar - Associação Brasileira de Planejamento Financeiro. E-mail: mh@caremfo.com.br

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Confira a publicação original do artigo: Valor Econômico