O que levar em consideração na hora de escolher um fundo de investimento?

Ricardo Ghilardi, CFP®, responde: 

Olá, primeiramente gostaria de agradecer pela pergunta, esta é uma dúvida muito comum e pertinente, tanto pelo momento que vivemos de juros baixos no mercado brasileiro, quanto pelas diversas opções de fundos existentes.

Antes de mais nada, é importante entender; qual o objetivo, o prazo do investimento, e principalmente o perfil do investidor (suitability).

Vamos falar rapidamente sobre suitability: os agentes financeiros são obrigados a entender o perfil dos clientes, só assim poderão garantir que irão sugerir investimentos em produtos adequados para cada investidor.

É fundamental entender bem o perfil do investidor antes de buscar as opções existentes. Tanto a CVM (Comissão de Valores Mobiliários), quanto a Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), divulgam suas classificações de fundos, para diversos perfis de investidores.

Já com as respostas sobre prazo, objetivo e perfil, o investidor pode buscar dentro da classificação, as opções dentre fundos mais conservadores até os mais agressivos.

Agora, respondendo sua pergunta, é nesta hora que algumas considerações devem ser observadas:

  • Um dos pontos a observar é a taxa de administração cobrada pelo fundo: – Os fundos passivos normalmente devem ter taxas de administração menores, podem ser fundos tradicionais que seguem algum índice específico ou podem ser ETFs, (Exchange Traded Fund), que são negociados em bolsa e que aplicam seus recursos em índices de investimento ao invés de montar uma carteira própria seguindo uma estratégia. – Já os fundos ativos, normalmente têm uma taxa de administração maior, são fundos onde o gestor realiza uma análise dos melhores investimentos para compor uma carteira própria e para isso é necessário a utilização da tecnologia e maior complexidade para atingimento dos resultados esperados. É importante comparar estas taxas entre fundos de mesma classificação, pois, como a taxa referencial de juros no Brasil hoje é muito baixa, esta taxa de administração vai influenciar muito no resultado do fundo de investimento escolhido;
  • Também é importante verificar e comparar,  dentro das disponibilidades oferecidas, o comportamento destes fundos em momentos de maior estresse do mercado financeiro, existem alguns cálculos estatísticos, como VaR (Value at Risk), é um indicador de risco que estima a perda potencial máxima de um investimento para um período de tempo, com um determinado intervalo de confiança, e também a VOL (Volatilidade), que é uma medida estatística que aponta a frequência e a intensidade das oscilações no preço de um ativo, em um determinado período de tempo, esses indicadores normalmente são informados pelos administradores dos fundos, e  ajudam a tomar a decisão no momento da escolha;
  • Tão importante quanto os pontos acima, o investidor deve também ler com atenção a lâmina e o prospecto do fundo, nestes documentos encontram-se informações importantes como: público alvo para este determinado fundo de investimento, objetivo do fundo, a politica de investimento do fundo, as condições de investimento, como, horário para aplicar e resgatar, valor mínimo, prazo de resgate, taxa de administração, taxa de performance, etc…, composição da carteira do fundo, riscos do fundo, e uma rentabilidade histórica normalmente comparada a um índice de referência de mercado, também chamada de benchmark. Lembrando que a rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura, mas serve como observação de variação do retorno do fundo ao longo do tempo.

Quanto maior for o nível de conhecimento do investidor, assim como a sua capacidade financeira para investir, muitos outros pontos devem observados. A indústria de fundos oferece diversas alternativas para atender os objetivos mais distintos dos investidores, desde investimentos em ativos financeiros até investimentos na economia real, como investimentos em startups ou empresas consolidadas e mercado imobiliário via fundos de investimento. Para volumes maiores existem os fundos exclusivos e restritos, que podem ser de condomínio aberto ou fechado.

A indústria de fundos no Brasil já evoluiu muito e continua em evolução, por este motivo é fundamental que as pessoas entendam cada vez mais sobre o mercado financeiro e sempre contem com o apoio e trabalho de profissionais qualificados, para ajuda-las nas suas decisões de investimentos.

Ricardo Ghilardi é planejador financeiro pessoal e possui a certificação CFP® (Certified Financial Planner), concedida pela Planejar – Associação Brasileira de Planejadores Financeiros. Email: [email protected].         

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Texto publicado no site Época Negócios em 14 de janeiro.