É melhor investir na poupança ou no Tesouro Direto?

 

Vera de Santana Milagres Ribeiro, CFP®, Responde:

Com a taxa de juros em torno de 2% a.a., ou seja, aproximadamente 0,16% a.m., muitos investidores que antes nunca haviam pensado em alternativas de investimentos além da caderneta de poupança começam a se perguntar se existem outros investimentos que podem render mais com a mesma segurança. E logo vem à sua cabeça o Tesouro Direto por ser considerado um investimento de baixo risco.

Entretanto, primeiramente é preciso entender as características de cada investimento e qual deles conversa melhor com o perfil de investidor e com o objetivo desejado.

A caderneta de poupança é o investimento mais popular entre os brasileiros, já que a burocracia é bem pequena para abrir uma conta poupança, além de ser um investimento de baixo risco, com isenção de IR e liquidez imediata. No entanto, para obter os juros pela aplicação realizada é necessário aguardar 30 dias após a aplicação, ou seja, o dia do aniversário da poupança, caso contrário não haverá remuneração sobre o saldo aplicado.

Com relação à rentabilidade, existe uma regra na poupança para depósitos realizados a partir de 04 de maio de 2012 de que, se a Selic for inferior ou igual a 8,5% ao ano, o rendimento é de apenas 70% dessa taxa + TR. Como relatado anteriormente, a Selic hoje está em torno de 2% a.a. e, no mês de fevereiro de 2021, por exemplo, foi de 0,16% a.m. Logo, o rendimento da poupança foi de 0,11% a.m. Importante ressaltar que esse rendimento foi líquido, uma vez que a poupança é isenta de IR.

O Tesouro Selic, que seria o investimento que mais se assemelha a uma poupança, uma vez que ambos possuem o mesmo benchmark, rende aproximadamente 100% da Selic, entretanto, diferentemente da poupança, sobre sua rentabilidade temos que aplicar o IR correspondente a investimentos de renda fixa. De 0 a 6 meses de aplicação, o IR incidente será de 22,5%; de 6 meses a 1 ano, de 20%; de 1 a 2 anos, de 17,5%; acima de 2 anos, cai para 15%.

Outro ponto que difere o Tesouro Selic da poupança é que o Tesouro possui data de vencimento e, se resgatado antes do prazo preestabelecido, pode resultar em alguma perda de patrimônio. E, mesmo que se trate de um Tesouro pós-fixado, seu resgate não é imediato e acontece no dia seguinte à solicitação. Contudo, a rentabilidade é diária, de modo que não é necessário aguardar um mês para obter ganhos. Com relação à taxa da B3, de 0,25% a.a., há isenção para investidores que possuam até R$ 10 mil em Tesouro Selic.

Importante ressaltar que não existe uma única modalidade de Tesouro Direto; existem o pós-fixado (Tesouro Selic), o prefixado e ainda os híbridos (IPCA mais uma taxa prefixada), cada um com características e objetivos predeterminados. O investidor deve escolher aquele que melhor se enquadre dentro dos seus objetivos e do prazo de vencimento, pois solicitar o resgate antes do vencimento nem sempre é a escolha mais oportuna.

Quando se deseja manter o poder de compra ao longo do tempo, o Tesouro híbrido é o mais adequado, uma vez que o investidor recebe uma taxa prefixada mais IPCA. Nessa modalidade de investimento sempre haverá um ganho real, contudo até o vencimento esse Tesouro pode passar por oscilações. Apenas se levado até o final o investidor terá o principal acrescido da inflação mais uma taxa predeterminada.

No Tesouro prefixado, o investidor tem previsibilidade de ganho, pois no momento da contratação a taxa é pré-acordada, sendo possível calcular quanto receberá de rendimento se levado até o final. Esse cálculo pode ser realizado no próprio site do Tesouro Direto (https://www.tesourodireto.com.br/simulador/). O Tesouro Direto prefixado é amplamente recomendado em momentos nos quais o mercado projeta uma redução na taxa de juros.

No site oficial do Tesouro Direto é possível comparar Tesouro pós, pré ou híbrido com poupança e outras modalidades de investimento pós-fixadas. No site mencionado acima a diferença de ganhos fica bem evidente e, se o investidor possuir um prazo mais dilatado, é factível ganhar até três vezes mais aplicando no Tesouro híbrido/inflacionário do que com a poupança.

 

Vera de Santana Milagres Ribeiro é planejador financeiro pessoal e possui a certificação CFP® (Certified Financial Planner), concedida pela Planejar – Associação Brasileira de Planejadores Financeiros. Email: [email protected]

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Texto publicado no site Época Negócios em 23 de fevereiro de 2021.