Coronavírus: como escolher um bom investimento em época de crise

“Não gosto de ficar acompanhando mercado. Como escolher um bom investimento em um momento tão complicado? Seria bom aplicar em um fundo de investimento? Como escolher em qual?

Bruno Pereira, CFP®, responde:

Olá,

Primeiramente parabéns por procurar investir melhor o seu dinheiro, não se preocupe, pois, acompanhar com muita frequência os indicadores de mercado não é sinônimo de melhorar o processo de investir, muitas vezes, significa exatamente o oposto. O acompanhamento frenético e a busca por altos retornos no curto prazo podem te levar a grandes prejuízos. Investir é uma maratona não uma corrida de 100 metros.

Um bom investimento é aquele que atende ao seu perfil , horizonte de investimento e necessidade de liquidez, apenas um produto dificilmente conseguirá equilibrar todas essas necessidades e por isso uma carteira diversificada é uma excelente maneira de investir, tornando menos traumático esses momentos turbulentos. Fundos não são os únicos instrumentos que permitem a diversificação de uma carteira, mas quando optamos por essa modalidade estamos terceirizando a gestão dos nossos recursos para um profissional, esse método possui algumas vantagens como o acesso a estratégias e ativos que dificilmente conseguiríamos em função do capital mínimo e da sofisticação na execução. Há várias categorias de fundos, sendo as mais comuns; renda fixa, multimercado e ações.

Uma análise de fundos consiste em aspectos quantitativos e qualitativos, mas antes disso é importante verificar quais os custos do produto, os dois principais são : taxa de administração e performance. Com a taxa de juros nos patamares mais baixos da história esses custos impactam cada vez mais a rentabilidade final do investidor. Para os fundos mais simples que são usados na reserva de emergência já existem produtos que não cobram nenhuma dessas taxas e são ótimas opções para sua carteira. Outro aspecto a ser analisado é a carência do fundo, que é o tempo que demora para o dinheiro cair na sua conta depois que você pede o resgate.

Na sequência seguimos a análise dos aspectos quantitativos; retorno em diferentes períodos de tempo e situações de mercado, volatilidade, que é uma medida de risco que mede a variação dos retornos ao longo do tempo,  medidas de eficiência que analisam a relação risco X retorno como : Índice de Sharpe, Treynor e Information Ratio. Esses indicadores embora muito importante não são tão simples de serem entendidos e a ajuda de um profissional qualificado é muito importante para conciliar essas características com suas necessidades como investidor. Existem sites que disponibilizam boa parte dessas informações sem custo.

Seguindo para os aspectos qualitativos são muito importantes; patrimônio líquido sob gestão e sua evolução ao longo do tempo, quem são os sócios, sua experiência profissional e se trabalham juntos há muito tempo, como é a divisão societária da gestora, é bem visto  que os tomadores de decisão sejam sócios do negócio, como é a distribuição dos retornos por estratégia dentro do fundo, uma performance bem distribuída entre as diferentes estratégias é importante, por exemplo, um fundo multimercado que só ganha dinheiro quando a taxa de juros cai pode sofrer em momentos que os juros fiquem estáveis. A distribuição do passivo, ou seja, dos clientes dessa gestora, é interessante que não tenha uma concentração em um só segmento, como plataformas de investimentos, fundos de pensão ou Privates. As gestoras estão cada vez mais tentando se aproximar dos clientes finais, através dos sites você pode entrar em contato com a área comercial ou procurar pelo formulário de referência que é um documento que as gestoras são obrigadas a disponibilizar e que você encontra muitas dessas informações.

Por fim, é importante investir em ativos com baixa correlação entre si, isto é, que se comportem de maneira diferente nos diversos cenários de mercado a fim de minimizar perdas na sua carteira total. Executar bem essas etapas não é um processo simples e a ajuda de um profissional qualificado é muito importante nesse momento.

Bruno Pereira é planejador financeiro pessoal e possui a certificação CFP® (Certified Financial Planner), concedida pela Planejar – Associação Brasileira de Planejadores Financeiros. E-mail: [email protected]

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Texto publicado no site Época Negócios em 12 de maio de 2020.