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Vale a pena sacar o FGTS?

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Governo liberou o saque de até R$ 500 por conta. Retirar esse dinheiro é uma boa opção?

José R. Faria Júnior, CFP®, responde:

Caro leitor, o FGTS foi criado em 1966 com a finalidade de formar poupança para ser usada no caso de demissão sem justa causa, compra de imóvel, aposentadoria e doença grave. Assim, o trabalhador teria uma reserva para usar em situações importantes de sua vida.

O Governo Federal está com dois programas distintos para sacar os recursos do FGTS: resgate único de até R$ 500 por conta (ativa ou inativa) e o “saque-aniversário”, que é a possibilidade de sacar anualmente uma certa quantia do fundo. Vamos falar apenas para a primeira alternativa, o saque único de até R$ 500 por conta.

Neste momento, há uma pergunta recorrente: devo sacar até R$ 500 por conta do FGTS? A resposta é sim, mas antes de explicar o motivo deste “sim”, vamos esclarecer três pontos:

1- O saque total é por CPF. Assim, caso tenha 3 contas (ativas ou inativas) e cada conta tenha saldo mínimo de R$500, poderá sacar R$1.500;

2- Remuneração: o retorno do FTGS será de 3% ao ano (a.a.) + TR + 100% do resultado do fundo e é possível que o rendimento fique próximo de 4% ao ano. Assim, é importante comparar o retorno do FGTS com outras aplicações. Segundo o relatório Focus do Banco Central de 26 de julho, a taxa Selic deverá cair e ficar em 5,5% a.a. até o final do próximo ano. Isto significa que a Caderneta de Poupança renderá aproximadamente 3,85% a.a. e as aplicações financeiras que rendem a integralidade da taxa Selic ou da taxa CDI terão retorno líquido próximo de 4,45% a.a. após os custos (supondo 0,25% a.a.) e o Imposto de Renda (supondo 15%);

3- Liquidez: a possibilidade de usar o dinheiro a qualquer momento.

Resumidamente, ao optar pelo saque, você terá acesso a um dinheiro extra, com fácil liquidez e com retorno possivelmente maior.

Lembrando que o FGTS foi criado para formar poupança, o uso do dinheiro para compras e outros gastos não é recomendado, apesar de ser uma decisão única de cada um de nós. Assim, há três sugestões básicas sobre o que fazer:

a- Se tiver dívidas, use os recursos para pagá-las integralmente ou quitar boa parte delas, renegociando o saldo;

b- Se não tiver dívidas e se não tiver reserva de emergência (dinheiro guardado para ser usado rapidamente quando for necessário), aplique em investimentos de fácil liquidez e tome por base o Tesouro Selic: 100% da taxa Selic e com custo anual de 0,25% mais o Imposto de Renda;

c- Caso tenha reserva de emergência, invista preferencialmente no longo prazo. Antes de investir, sempre responda ao formulário API (análise de perfil do investidor) do seu banco ou de sua corretora para descobrir o seu perfil de investidor. Dependendo do seu grau de aceitação de risco, você pode aplicar em previdência privada (VGBL); fundos de ações ou multimercados e títulos Tesouro IPCA.

Porém, há uma sugestão pouco usual e com retorno imensurável: investir em você mesmo! Esta sugestão é válida mesmo para quem está próximo da aposentadoria, pois é possível iniciar o aprendizado de uma nova profissão para fins de complemento de renda. Algumas sugestões:

– Compra de livros didáticos;
– Cursos profissionalizantes;
– Cursos de idiomas;
– Cursos pela internet;
– Cursos presenciais, que agregam a vantagem de conhecer outras pessoas.

Em todo caso, lembre-se que este dinheiro só será usado uma única vez e, assim, precisa ser muito bem investido!

José R. Faria Júnior é planejador financeiro pessoal e possui a certificação CFP® (Certified Financial Planner), concedida pela Planejar – Associação Brasileira de Planejadores Financeiros. E-mail: jrfariajr@iterbrasil.com.br

As respostas refletem as opiniões do autor, e não do site ÉpocaNegócios.com ou da Planejar. O site e a Planejar não se responsabilizam pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso destas informações.

Texto publicado no site Época Negócios em 30 de julho de 2019.