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Perdi o emprego. Vendo meu carro ou uso para trabalhar como motorista de aplicativos?

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Perdi o emprego. Vendo meu carro ou uso para trabalhar como motorista de aplicativos?

Caio Leal, CFP®, responde:

Olá, leitor!

Realmente, o momento pelo qual você está passando traz muitas preocupações e a sua dúvida é bem pertinente, afinal, ninguém é totalmente imune a uma eventual demissão.

Como você bem ponderou em sua pergunta, com o advento das empresas de transporte via aplicativo, o carro deixou de ser um mero bem de consumo e passou ao status de ferramenta de trabalho, proporcionando ao proprietário meios para trabalhar como motorista particular de forma independente.

O importante agora é manter a calma, refletir bastante e se planejar para realizar a melhor transição possível, garantindo o sustento próprio e o conforto da família.

Para começar, precisamos lembrar que, com a crise, o tempo médio de recolocação profissional supera 12 meses, sendo assim, o recado para os leitores é: poupar nos tempos de bonança para somar reservas financeiras suficientes para suportar períodos de estresse financeiro por, no mínimo, 12 meses.

Recado dado, estamos assumindo que você, leitor, não possui uma reserva financeira suficiente para fazer frente às despesas familiares e que precisa decidir se vai liquidar o carro ou se vai utilizá-lo como ferramenta de trabalho (motorista de aplicativos).

Vale lembrar que, como qualquer outra profissão são necessários requisitos técnicos e psicológicos para se tornar um motorista de aplicativos, tais como:

Técnicos: CNH com a observação “Exerce atividade remunerada – EAR”; possuir ou alugar um veículo que se enquadre nas especificações das firmas (em geral, veículos com menos de 10 anos, quatro portas e com ar-condicionado); possuir CONDUAPP (Município de São Paulo);

Não técnicos (segundo os próprios motoristas): resiliência, disposição, boa condução, sociabilidade, vontade de dirigir, etc.

Outro ponto importante que o leitor precisa levar em consideração antes de tomar a decisão é a renda média auferida pela categoria.

Vale lembrar que, como qualquer outro profissional liberal, os motoristas de aplicativos dependem da qualidade e da quantidade de corridas realizadas para determinar sua renda média mensal.

Como fonte de consulta, informamos que algumas reportagens na internet (incluindo as divulgadas pelas próprias empresas de aplicativos) divulgam que, em média, um motorista de aplicativos convencional que trabalha entre 45 e 60 horas semanais aufere um lucro mensal de R$ 3 a R$ 5 mil.

Sendo assim, as primeiras perguntas que você precisa fazer são: tenho as capacidades técnicas e não técnicas para assumir a função de motorista de aplicativos? A renda mensal auferida por um motorista é suficiente para suprir os gastos familiares mensais? Tenho expectativa de voltar ao meu antigo emprego no curto prazo?

Respondidas estas perguntas, vamos às alternativas:

1) Renda como motorista de aplicativo basta e o leitor tem aptidão para trabalhar como motorista de aplicativos:

Neste caso, você pode manter o carro e trabalhar como motorista de aplicativos até o restabelecimento do emprego. Muitos brasileiros acabaram seguindo o mesmo caminho e trocaram suas profissões tradicionais pela praticidade e liberdade oferecida aos motoristas independentes de aplicativo.

Uma segunda alternativa, viável para quem precisa de uma liquidez inicial ou para quem possui um carro pouco eficiente para o trabalho, seria realizar a venda do carro, com posterior aluguel de veículo específico para a atividade de motorista de aplicativos.

Esta última opção oferece diversas vantagens ao motorista pois, além de gerar uma liquidez inicial com a venda do carro, confere maior transparência ao motorista que saberá exatamente sua despesa com o veículo (sem precisar fazer cálculos de depreciação, IPVA e outros custos). Ademais, as empresas de locação oferecem planos atrativos para motoristas com carros adequados para a função (econômicos e confortáveis).

2) Renda como motorista de aplicativo não basta e o leitor tem aptidões para trabalhar como motorista de aplicativos:

Se a renda não bastar, temos as seguintes opções:
(a) empréstimo com garantia do veículo, gerando maior liquidez ao leitor enquanto ele mantém a atividade de motorista particular e obtém uma recolocação; ou
(b) venda do carro e aluguel de um veículo para exercer a atividade de motorista de aplicativos, conforme descrito no ponto acima, com a diferença que, ao adotar esta opção, a renda como motorista de aplicativo somada à aplicação financeira pode suprir as necessidades financeiras do leitor.

3) O leitor não tem aptidões para trabalhar como motorista de aplicativos e/ou espera ser recolocado no mercado de trabalho no curto prazo.

Agora, se o leitor não atende aos requisitos para se tornar um motorista de aplicativos ou espera ser recolocado no mercado de trabalho no curto prazo, mas possui muitas despesas e nenhuma reserva, nossa sugestão é que ele realize a venda do veículo para gerar liquidez de curto prazo para o sustento da família e que busque uma recolocação profissional e/ou transição de carreira.

Lembrando que, se a condição de desemprego permanecer por muito tempo, o leitor poderá, no futuro, se encontrar sem carro e sem dinheiro para fazer frente às novas despesas.

O recado final aqui é: não desanime, continue engordando suas economias, invista bem seu dinheiro e faça sempre seu trabalho da melhor forma possível, seja na sua área de formação ou como motorista de aplicativos.

Colocou tudo na ponta do lápis? Pesou todas as suas escolhas? Tome sua decisão e siga em frente, não olhe para trás.

Boa sorte com seus objetivos e até a próxima!

Caio Leal é planejador financeiro pessoal e possui a certificação CFP® (Certified Financial Planner), concedida pela Planejar – Associação Brasileira de Planejadores Financeiros. E-mail: caio.leal@btgpactual.com.

As respostas refletem as opiniões do autor, e não do site ÉpocaNegócios.com ou da Planejar. O site e a Planejar não se responsabilizam pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso destas informações.

Texto publicado no site Época Negócios em 09 de abril de 2019