Seguro de vida ou previdência privada?

Tenho 34 anos, engenheiro, casado, tenho dois filhos e renda aproximada de dez mil reais. Quero começar um planejamento para o futuro. Tenho dúvidas sobre seguro e previdência. Como devo decidir?

Lívia Sambrana, CFP®, responde:

Pouco se sabe sobre as características dos produtos e a primeira resposta é sempre “não preciso” ou “já tenho um planejamento”. O entendimento dos detalhes dos produtos é de extrema importância para sua decisão e para que evite problemas futuros com o seu planejamento ou com a instituição que contratou.

A cobertura de um seguro de vida deve ser calculada com base nos gastos mensais de uma família e pelo prazo que essa família precisa de auxílio na falta do provedor dos recursos.

A previdência privada afim de planejamento financeiro e sucessão de patrimônio não passa pelo inventário do provedor dos recursos e a importância vai direto para o beneficiário escolhido.

As duas opções devem ser estudadas e calculadas para decisão do planejamento. Tanto a cobertura do seguro de vida quanto da previdência, são pagas aos beneficiários em até trinta dias da data de ocorrência do evento (óbito).

O objetivo do seguro de vida é uma cobertura para fluxo de caixa momentâneo. As contas continuam com seus vencimentos e a família precisa de recursos para seus compromissos financeiros. Nesse cálculo deve entrar gastos com moradia, alimentação, educação, dívidas e mensalidades a serem pagas pelos próximos 12 ou 24 meses. Nesse período estima – se que a família consiga se reerguer e readequar seus ganhos e gastos mensais (possivelmente outro membro da família precisará prover recursos).

O objetivo da previdência usada como planejamento é no mínimo pagar o inventário. Calculamos aproximadamente 14% do valor do patrimônio como custo incluindo honorários advocatícios e impostos. Esse valor precisa estar disponível aos beneficiários para que os outros bens possam ser utilizados, vendidos, etc. No cálculo do patrimônio considera – se imóveis, automóveis, aplicações financeiras, depósitos a vista em conta corrente e tudo que não puder ser movimentado pelos herdeiros sem o inventário.

O seguro de vida está sujeito à aprovação da seguradora e a partir de determinada idade a seguradora não tem obrigação de renovar a apólice (exceto seguros contratados desde o início com característica “vida toda” ou “whole life”). Quase todos os seguros passam por renovação e isso costuma acontecer a cada 12 meses. Quanto maior a idade do segurado, maior o risco da seguradora. Essa situação pode ocorrer na aposentadoria e sua cobertura pode ser cancelada.

A previdência não tem um vencimento e tem rentabilidade de acordo com o fundo escolhido. Quanto maior o tempo de permanência, maior a expectativa do montante resgatado (não existe garantia de rentabilidade). Além da aplicação inicial é importante também uma contribuição mensal. Seu patrimônio aumenta ao longo dos anos e sua reserva também deve aumentar. Vale lembrar que a previdência tem duas opções de tributação e estas podem ser calculadas sobre a rentabilidade, ou sobre o montante quando utilizado o benefício de postergação fiscal. Deve ser definida de acordo com declaração de imposto de renda e tempo de permanência no plano.

Na dúvida faça os dois. Considere um seguro de vida para caso viva pouco. A cobertura é imediata. Considere uma previdência privada para caso viva muito. Ela não será cancelada e no futuro sua reserva está garantida.

Lívia Sambrana, CFP® é planejadora financeira pessoal e possui a certificação CFP® (Certified Financial Planner), concedida pela Planejar – Associação Brasileira de Planejadores Financeiros. Email: [email protected]

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