Recursos necessários para a aposentadoria

Interessante o artigo que li na coluna sobre aposentadoria, mas não poderíamos ter uma tabela com diferentes prazos para gozar a aposentadoria (25, 30 e 35 anos), valor de retirada (R$ 15.000,00/mês ou R$ 20.000/mês) e taxas (1,5%, 2% ou 2,5%)? Isso daria um melhor o entendimento de quanto é necessário e se há disposição para correr mais risco com renda variável.

Maria Angela Nunes Assumpção, CFP®:

Aproveitando a sua questão, reforço a importância do acompanhamento dos “números” relativos à nossa vida financeira, pois se não fizermos algum tipo de controle e projeções, corremos o risco de voar às cegas e, muitas vezes, considerar que temos uma capacidade financeira que não temos, colocando em risco aqueles que nos são caros e a nós mesmos. 

Neste contexto, cito um “instrumento” fundamental para um bom planejamento financeiro, o orçamento. 

O orçamento nos auxilia a acompanhar, de uma forma organizada, de onde vem e aonde vai o nosso dinheiro. É uma peça fundamental para a otimização das nossas receitas, pois nos ajuda a:

1) Ter uma visão mais precisa da nossa pauta de despesas;

2) Avaliar se estamos direcionando nossas receitas para o que realmente é necessário e importante;

3) Possibilitar que sejam feitos os ajustes necessários e/ou possíveis.

A estrutura orçamentária serve, também, para projetar a renda futura desejada/necessária após a saída da ativa. Desta forma podemos estabelecer um valor mais adequado para os cálculos da longevidade. 

Observações feitas, vamos à sua solicitação: qual deveria ser o montante de reservas/patrimônio no momento da saída da vida ativa para suportar a longevidade. 

Algumas considerações:

a) Prazo na aposentadoria – em função do aumento da longevidade, os patamares usados serão de 35 e 40 anos.

b) Renda futura – usarei a mais alta entre as que foram sugeridas, R$ 20.000,00;

c) Juro real – trabalharei apenas com juro real (juro nominal descontada a inflação e o imposto de renda), sem considerar a inflação na montagem do fluxo de caixa.

d) Momento da aposentadoria – como essa informação não foi fornecida, os cálculos serão feitos como se o início da aposentadoria fosse imediata. Cabe ressalvar que diferentes prazos até a aposentadoria resultarão em valores diferentes para as reservas necessárias.

Partindo-se de uma renda futura desejada de R$ 20.000,00 e dos parâmetros descritos, com prazo na longevidade de 35 anos, as reservas necessárias estimadas são de R$ 6.542.697,00, com 1,5% de juro real ao ano; de R$ 6.054.469,00, com 2% ao ano; e R$ 5.618.203,00, com 2,5% ao ano. Com prazo de 40 anos, as reservas são de R$ 7.229.030,00, com 1,5% ao ano; de R$ 6.625.282,00, com 2% ao ano; e R$ 6.093.391,00 para 2,5% ao ano. 

Como podemos observar, os valores não são nada triviais e o efeito do nível da taxa de juros real é extremamente relevante. 

Uma última observação sobre a sua colocação: “? se há uma disposição para correr mais risco com investimentos de renda variável.” 

Buscar um maior patamar de retorno para as reservas aumentando o grau de risco da carteira de investimento, não apenas em renda variável e como em outras modalidades de ativos/operações, é absolutamente pertinente e deve ser analisado. No entanto, cabe lembrar que “correr mais risco” requer uma avaliação consistente e criteriosa sobre o seu perfil de investidor para verificar a sua “disposição” e a sua capacidade de assumir possíveis oscilações (volatilidade) e perdas decorrentes do maior risco.

Maria Angela Nunes Assumpção é planejadora financeira pessoal, com Certificação CFP (Certified Financial Planner), concedida pela Planejar – Associação Brasileira de Planejadores Financeiros. E-mail: [email protected]

As respostas refletem as opiniões do autor, e não do jornal Valor Econômico ou da Planejar. O jornal e a Planejar não se responsabilizam pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso destas informações. Perguntas devem ser encaminhadas para: [email protected]