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Há 4 anos fiz um VGBL para minha filha e todo mês aplico R$ 130. Vale a pena manter esse investimento?

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Há 4 anos fiz um VGBL para minha filha, que hoje está com 24 anos, e todo mês aplico R$ 130. Vale a pena manter esse investimento? Também tenho um filho com 31 anos e gostaria de fazer um para ele. É vantagem ou devo procurar outros investimentos?

Icaro Ivens, CFP®, responde:

Olá leitor(a),

Meus parabéns por colaborar e pensar no planejamento futuro de seus filhos, investir com este objetivo proporcionará a eles um futuro mais próspero e seguro. Se esta é a sua intenção, sim, o VGBL é vantajoso.
O VGBL (Vida gerador de benefício livre) é uma opção em previdência privada e possui algumas características que o diferencia de investimentos tradicionais. Trata-se de uma alocação de longo prazo e que deve ser utilizado com foco na geração de reserva para aposentadoria.

No VGBL:

a) Não ocorre a antecipação de imposto de renda semestral (come cotas);

b) O participante poderá indicar beneficiários para sua reserva, o que significa que em caso de morte, ocorrerá a sucessão dos valores acumulados dispensando o inventário e, a depender da Lei vigente no Estado do participante, a possibilidade da não incidência do ITCMD na transferência do recurso;

c) Existe a opção de converter a reserva em renda após o período de acumulação, ou seja, o participante poderá gerar uma aposentadoria através do saldo investido.

No VGBL, o investidor precisa atentar-se a alguns pontos durante a fase de acumulação para que seu patrimônio gere rendimentos em linha com suas expectativas. Merecem a nossa atenção: a taxa de administração e a tributação.

Taxa de administração: É a remuneração paga pelo investidor pela prestação de serviço de gestão de recursos. É uma cobrança anual e considera o valor total investido. Avalie se a taxa de administração está justa pelos serviços prestados. Taxas muito altas corroem seus rendimentos. Por exemplo, uma taxa de administração justa em um fundo de renda fixa deve cobrar ao máximo 1% a.a..

Tributação no VGBL: existem duas formas, o regime regressivo e progressivo. Ambos consideram apenas o rendimento obtido pelo participante.

O progressivo utiliza-se do ajuste anual realizado em seu IR para apurar a tributação. Na prática, ao resgatar o VGBL são recolhidos 15% de IR na fonte. Na sua declaração, respeitando a tabela vigente, poderá ser exigido o recolhimento de até mais 12,5% ou a restituição do imposto pago, tudo a depender da base de cálculo de rendimentos do participante no ano-calendário.

O regime regressivo, que é exclusivo de fonte, beneficia-se do longo prazo, ele inicia-se na alíquota de 35% e cai 5 pontos a cada dois anos, alcançando a alíquota de imposto de renda mínima de 10% após 10 anos . O regime regressivo terá seu prazo contado a partir da data de cada aporte efetuado.

No regime regressivo, diante do falecimento do participante nos 4 primeiros anos da fase de acumulação de recursos, a alíquota de IR a ser aplicada é de 25%.

Consulte qual o melhor regime para os planos de seus filhos. Na previdência privada o participante poderá alterar o regime tributário de progressivo para regressivo durante o período de acumulação. O contrário não é permitido: uma vez escolhido o regime regressivo, este será definitivo.

Vale um breve comentário a respeito da chamada taxa de carregamento. Esta taxa tem como principal característica incidir sobre os aportes ou resgates da reserva em previdência. Em um grande movimento de mercado durante os últimos anos, foi realizada a “extinção” da cobrança dessa taxa, ou seja, taxa de carregamento zero tanto para aporte quanto para resgate. Caso encontre alguma instituição financeira que realize essa cobrança, atente-se. Em outras você poderá encontrar condições mais favoráveis com menos custos.

Caro(a) leitor(a), todo o dinheiro aportado estará em um fundo no qual o investidor delega o direito de gestão daquele patrimônio buscando o que chamamos de rendimento, é importante que seja identificado o perfil de investidor (conservador, moderado ou agressivo), bem como a tolerância a riscos. Através desse diagnóstico, poderá ser identificada qual é a opção de fundo de previdência privada que está mais alinhada com o perfil e expectativa de retorno. Vale lembrar que como as alocações são para os filhos, deve ser observado o horizonte de tempo e o perfil de investimento deles. Desta maneira você terá a tão sonhada reserva futura de seus filhos de forma eficiente.

Vale comentar que é resguardado ao investidor em Previdência Privada o direito à chamada portabilidade, ou seja, é possível que o investidor, caso tenha interesse e enxergue vantagem em outra instituição financeira, que migre sua reserva para esta nova instituição. A portabilidade é um processo simples e que permite ao investidor mudar a gestão de seu patrimônio para a instituição que lhe oferecer melhores condições, seja de taxa de administração, seja de opções de fundos ou até mesmo possibilidades de conversão daquele reserva em renda. A portabilidade é uma grande aliada do investidor!

Confira se a sua necessidade considera os pontos comentados acima, entenda a importância do acompanhamento de sua previdência e surgindo dúvidas, consulte o seu responsável financeiro ou um planejador financeiro certificado para que juntos vocês consigam levar os seus investimentos mais longe.

Icaro Ivens é planejador financeiro pessoal e possui a certificação CFP® (Certified Financial Planner), concedida pela Planejar – Associação Brasileira de Planejadores Financeiros. E-mail: icaroivens@outlook.com.

As respostas refletem as opiniões do autor, e não do site ÉpocaNegócios.com ou da Planejar. O site e a Planejar não se responsabilizam pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso destas informações.

Texto publicado no site Época Negócios em 28 de junho de 2019