Como tornar mais rentável a previdência

Tenho R$ 400 mil investidos na previdência, o rendimento atual não está me satisfazendo e gostaria de saber sobre outros investimentos. 

Eliane Tanabe Deliberali, CFP®:

Caro Leitor, 

Os planos de previdência complementar obtêm rendimentos através dos fundos de investimento aos quais estão vinculados e que adotam estratégias diversas em renda fixa, multimercados, ações, entre outros. Você pode escolher o que melhor atende ao seu perfil e objetivo, ou ainda, o de menor taxa de administração, para melhor rentabilidade. 

Se a característica do fundo adotado para o seu plano não o satisfaz, a boa notícia é poder remanejar sua estratégia em previdência. Porém, sua pergunta é pertinente, pois apesar de existirem outros investimentos, é preciso ter cuidado para não afetar o seu planejamento financeiro de longo prazo. 

Como os planos de previdência são voltados para o complemento de rendimentos futuros e, portanto, para o planejamento da aposentadoria que leva tempo, eles possuem características que necessitam atenção para não perder alguns benefícios adquiridos com o passar dos anos. Cabe ressaltar, também, que é um importante instrumento para o planejamento sucessório. 

Dada sua insatisfação com o rendimento do plano de previdência veja as opções: 

1. Você pode parar de contribuir neste plano e direcionar o recurso para outro. 

Ao deixar de contribuir no plano atual, os recursos contribuídos continuam rendendo de acordo com o fundo vinculado. Se o seu produto é um PGBL – Plano Gerador de Benefício Livre – os benefícios do diferimento do imposto são mantidos, pois são cobrados apenas no momento do resgate, neste caso, sobre o valor total: valor investido mais rendimento. Se o regime de tributação escolhido seja o regressivo, você pode continuar obtendo a redução das alíquotas decrescente de cada aporte a cada dois anos, partindo da alíquota de 35% e chegando até 10% em 10 anos. 

Você pode iniciar outro plano de previdência com fundo que adote outra estratégia de alocação dos recursos, ou ainda, alocar em alternativas formando a sua própria carteira de investimentos.

2. Você pode resgatar o plano.

Ao resgatar o seu plano, você pode escolher outro plano de previdência, ou ainda, outras opções de investimento como os títulos públicos federais LFT, LTN, NTN; os títulos privados CDB, LCI, LCA; Fundos de Investimento; entre outras opções. Porém é preciso avaliar, pois poderá abandonar alguns benefícios acumulados no tempo. Suponhamos que o seu produto seja um VGBL – Vida Geradora de Benefício Livre, o imposto é cobrado sobre o rendimento, mas, ainda assim, é preciso avaliar o regime de tributação escolhido e as taxas envolvidas. 

3. Você pode realizar a portabilidade do seu plano de previdência.

Na fase de contribuição ao seu plano, a portabilidade é uma excelente forma de trocar o seu plano por outro da mesma modalidade, PGBL por PGBL ou VGBL por VGBL. Sua flexibilidade é buscar opções que ofereçam melhor rentabilidade, preservando possíveis benefícios adquiridos no decorrer do tempo. Mas atenção, pois em planos muito antigos, é preciso avaliar a sua tábua atuarial ou de mortalidade (que estabelece quanto um indivíduo tende a viver e é a base para o cálculo do benefício a ser pago). Isso pode ser importante quando da conversão do seu plano em renda. 

Analise o fundo vinculado aos planos, pois poderá haver maior risco de oscilações para maior rentabilidade. E rentabilidade passada pode não acontecer no futuro.  

Faça uma consulta individual com o seu planejador financeiro, pois ele poderá avaliar detalhes do seu plano e ajudá-lo na decisão.  

Eliane Tanabe Deliberali, CFP e planejadora financeira pessoal e possui a certificação CFP® (Certified Financial Planner), concedida pela Planejar – Associação Brasileira de Planejadores Financeiros. Email: [email protected]

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