Como montar uma carteira para o longo prazo

Tenho 35 anos e até agora tenho poupado pensando no curto e médio prazo. Recebi um bônus interessante, correspondente a quase dois anos de trabalho, o qual pretendo investir pensando no longo prazo e assim, me preparar para o futuro. Diante disto, gostaria de saber qual seriam as melhores opções para otimizar o retorno, levando-se em consideração a questão tributária.

Segundo o pai da teoria moderna do portfólio, Harry Markowitz, duas condições são essenciais para se otimizar o retorno. Determinar a tolerância ao risco e diversificar. Somado a isso, manter uma reserva de liquidez adequada às suas necessidades é crucial para se obter uma carteira de investimentos saudável.

Diante disso, para investimentos líquidos e de curto prazo é recomendável ativos de renda fixa flutuante, indexados à taxa SELIC ou ao CDI, já que o valor resgatado tende a ser maior do que o valor aplicado, considerando o cenário atual do Brasil. Nessa esfera, o título público LFT e o título privado CDB são os mais populares. É importante citar também as letras de crédito agrícola (LCA) e imobiliárias (LCI) que são isentas de imposto de renda para pessoa física.

Para o longo prazo, as opções aumentam e incluem aplicações como ações, certificado de recebíveis, debêntures, fundos de investimento, notas do tesouro e previdência privada. Em questão tributária, para ações, os dividendos e os lucros das operações com vendas inferiores a 20 mil no mesmo mês são isentos de IR. Para renda fixa, os proventos de fundos imobiliários, certificados de recebíveis agrícolas (CRA) e imobiliários (CRI), e das debêntures incentivadas são livres de impostos para pessoa física.

Já a previdência complementar é um dos instrumentos de planejamento fiscal mais importantes. Os fundos de previdência não estão sujeitos ao come-cotas, como nos fundos comuns de recolhimento de IR de curto e longo prazo. Além disso, o contratante pode optar entre dois regimes de tributação, o progressivo, que é tributado de acordo com a tabela de imposto de renda, a exemplo do salário, ou o regressivo, que favorece o prazo da aplicação. Quanto maior o prazo, menor o imposto a ser pago, limitado a 10% após 10 anos.

Outra vantagem da previdência é a possibilidade de conversão dos recursos em renda temporária, vitalícia ou até mesmo post mortem, destinando a renda para os beneficiários, de acordo com o desejo do contratante.

Em adição, o PGBL ainda permite a dedução de até 12% da renda tributável na declaração de ajuste anual. No entanto, o imposto no resgate ou transmissão incidirá sobre o total investido e não somente sobre o lucro, como ocorre no VGBL.

Você começou a investir de forma correta, partindo de ativos de curto prazo. Agora, se você ainda não usufrui do diferimento fiscal propiciado pelo PGBL, esse pode ser um bom ponto de partida para um horizonte de longo prazo.

Por fim, se seu objetivo é otimizar o retorno, é indispensável comparar a rentabilidade e as taxas envolvidas. Entretanto, evite promessas de lucros exorbitantes. Pesquise a segurança e as garantias dos investimentos e busque distribuí-los entre diferentes categorias, setores e emissores.

Vale ressaltar que o desconhecimento da própria tolerância ao risco e a concentração dos recursos são os principais motivos de fracasso dos investidores.

Procure um planejador financeiro para te ajudar na sua situação individual.

Espero ter colaborado e desejo sucesso!

Eric Trevisani, CFP é planejador financeiro pessoal e possui a certificação CFP® (Certified Financial Planner), concedida pela Planejar – Associação Brasileira de Planejadores Financeiros, do qual é membro do conselho fiscal. Email: [email protected]

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