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Vou viajar, mas ainda não tenho todo o dinheiro necessário. É uma boa opção parcelar os maiores gastos?

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“Vou viajar, mas ainda não tenho todo o dinheiro necessário. É uma boa opção parcelar os maiores gastos, como passagem aérea e hotéis?”

Paula Sauer, CFP®, responde: 

Olá, leitor, sua pergunta é bastante objetiva e não é exatamente difícil de responder. Difícil mesmo é ter a disciplina para colocar em prática as recomendações como falaremos aqui. De qualquer forma, vamos colocar aqui os dois cenários, o ideal, e o possível para você hoje, ok?

Veja: do ponto de vista puramente financeiro, parcelar bens de consumo normalmente não é a melhor alternativa, pois você consome o bem e, principalmente, consome imediatamente o serviço e continua pagando por ele e pagando mais caro pois pagará com juros, o que provavelmente te deixará aborrecido.

Tenha em mente que, de férias, damos férias para nosso cérebro também e tendemos a ser mais mão aberta em todos os sentidos, relaxamos mesmo, com o dinheiro, com o que comemos, com a exposição a riscos, ao sol, enfim, damos folga também a nossa racionalidade.

É importante observar que saber que as despesas da viagem vão continuar depois da volta das férias tende a afetar seu comportamento. Em um primeiro momento, pode fazer com que você queira economizar durante o passeio, pois sabe que, ao regressar, parcelas te esperam. Essa racionalidade cansa e pode inclusive estragar o passeio e o mais provável é que, de férias, você embarque muito facilmente em um viés comportamental chamando na literatura da economia comportamental de “falácia dos custos irrecuperáveis” ou “sunk cost”.

Falando em linguagem coloquial, é o conhecido “já que”… “Já que viemos até aqui”, “já que já terei de parcelar esse custo”, “já que já fiz dívida mesmo”, “o que é fazer mais um empréstimo?”, “vou parcelar no cartão”… E por aí vai. Essas atitudes podem conduzir a uma grande dívida. Percebe o tamanho da bola de neve que isso pode se tornar? Viajar com dívidas é uma grande cilada.

Se a ideia é relaxar, aproveitar e se desligar da realidade cotidiana, o ideal é viajar com tudo pago antecipadamente. Parece impossível, mas não é.

Planeje-se para sua viagem antecipadamente. Pague-se parceladamente!

Conhece a máxima faça o dinheiro trabalhar para você? Ela é bastante verdadeira. Pesquise, compare os preços e logo que você estipular o quanto custará sua viagem, ponha na ponta do lápis e faça isso o quanto antes. Tenha em mente que despesas com hospedagem e passagens, justamente o que você pensou em parcelar, costumam ser mais baratas se compradas à vista e com antecedência mínima de seis meses.

Divida o valor do “seu” pacote pelo número de meses que faltam para a viagem. Essa quantia deve ser aplicada religiosamente no dia em que entrar o seu pagamento. Aplique em um investimento conservador, sem muita volatilidade e com a liquidez necessária para efetuar o pagamento à vista de suas despesas, nas datas combinadas com os credores.

O ideal é que você volte de férias e comece a se planejar para as próximas férias, percebe?

Lembra que você fazendo a conta do valor cheio e aplicando os recursos mensalmente, na data de pagamento, a tendência é que você tenha mais dinheiro para a viagem do que o planejado e, então, além de viajar sem dívidas. Você viaja com mais recursos, mais liberdade para fazer escolhas, seja esticar um pouquinho mais a viagem, ou fazer um “upgrade” na passagem, na hospedagem, ou ter a opção de comprar ou usufruir de experiências mais dispendiosas.

Mas se por algum, ou vários motivos, não deu para efetuar o planejamento adequado e as férias estão chegando, existem algumas alternativas para você não perder a viagem.

Veja com a própria agência de turismo a possibilidade de parcelamento do passeio. Pesquise os pacotes e as condições de financiamento dessas que são as despesas maiores, passagem e hospedagem. Compare preços entre agências de turismo para o combo desejado.

Compare também, com os preços que teu banco te ofereceria por um crédito parcelado e deixe claro para o gerente da instituição financeira o motivo do empréstimo, pois pode ser que o banco tenha alguma linha de crédito específica para financiar uma viagem.

Uma terceira alternativa, que é mais específica para funcionários de algumas empresas e funcionários públicos, é verificar junto ao banco que detém a sua folha de pagamento se você possui alguma modalidade de crédito consignado vinculado ao seu salário. Muito provavelmente essa será a alternativa de crédito mais barata a se tomar, uma vez que é debitada mensalmente direto no seu holerite, o que reduz o risco para o banco e a taxa de juros para você, tornando, assim, o valor das parcelas menor.

Depois de uma viagem incrível, chegar em casa com as malas cheias de roupas sujas e boas recordações te dará um prazer enorme, motivação e energia de sobra para planejar a realização da próxima “trip”!

Para a próxima viagem, planeje-se com mais antecedência, disciplina e muito cuidado para não se deixar cair nas ciladas comportamentais.

Até a próxima!
Boa viagem!

Paula Sauer é planejadora financeira pessoal e possui a certificação CFP® (Certified Financial Planner), concedida pela Planejar – Associação Brasileira de Planejadores Financeiros. E-mail: paula.sauer@economiadevalor.com.br

As respostas refletem as opiniões da autora, e não do site ÉpocaNegócios.com ou da Planejar. O site e a Planejar não se responsabilizam pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso destas informações.