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Vale a pena ter conta-corrente e cartão de crédito de bancos diferentes?

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“Vale a pena ter conta-corrente e cartão de crédito de bancos diferentes?”

Leticia Camargo, CFP®, responde:

Tudo depende dos custos e das vantagens oferecidas em cada caso e do seu perfil de utilização de cada um! Em se tratando de conta-corrente, em geral, há isenção de tarifa ou pelo menos um desconto, sobretudo quando existe uma boa reciprocidade com o banco. Quanto mais o correntista utiliza os produtos e serviços do banco, menores tendem a ser as tarifas cobradas.

Esses descontos também costumam ocorrer em relação ao cartão de crédito, quando está atrelado à conta-corrente. Quanto maior o relacionamento com o banco, menores devem ser as taxas de manutenção cobradas no cartão de crédito. No entanto, para os casos em que a conta-corrente é de um lugar e o cartão de crédito de outro, pode ser um desafio maior conseguir descontos ou isenção das tarifas. Mas também é possível que você venha a receber uma proposta de isenção de tarifa para aderir a um cartão de crédito do concorrente. E isso é mais comum do que se imagina!

Por outro lado, já existe a possibilidade de se obter cartão de crédito de fintechs digitais sem tarifas anuais. Do mesmo modo, também já é possível abrir conta-corrente em bancos digitais que não cobram taxas mensais, ou se cobram, essas tendem a ser mais baixas.

Em todos os casos, é sempre importante avaliar a situação financeira da instituição onde irá abrir a sua conta para avaliar o nível de risco a que você estará exposto por deixar o seu dinheiro lá. Lembrando também que o Fundo Garantidor de Crédito dá uma garantia de até R$ 250 mil por CPF em cada Conglomerado Financeiro no caso de liquidação financeira da Instituição. E estas garantias, no caso de mais de uma Instituição quebrar, são limitadas a um total de R$ 1 milhão a cada 4 anos por pessoa.

Uma outra questão a ser analisada é o fato de os cartões poderem oferecer vantagens, como pontuação para troca de milhas aéreas, produtos ou serviços no programa de fidelidade; salas vips em aeroportos; seguros de viagens; entre outras. Em alguns casos, é possível que o cartão oferecido pelo concorrente lhe confira mais vantagens do que as oferecidas pelo seu banco.

Se, por exemplo, você é uma pessoa que costuma viajar muito de avião, pode ser muito interessante usar os programas de fidelidade dos cartões, já que os pontos podem ser convertidos em milhas aéreas. Vários cartões também possuem parcerias com lojas on-line que trocam as milhas por produtos. Porém, ocorre que a conversão dos valores gastos em milhas varia muito de cartão para cartão, sendo necessário realizar uma verdadeira pesquisa para descobrir qual deles oferece a melhor relação custo-benefício para o seu caso.

Voltando para as vantagens, agora para quem tem o cartão no próprio banco, é o fato de receber um cartão múltiplo, ou seja, que tenha tanto o débito quanto o crédito. Isso facilita a vida, por não precisar ficar carregando vários plásticos na carteira. Outro benefício neste caso é a possibilidade de débito automático da fatura diretamente na sua conta-corrente.

Uma outra questão é relativa ao crédito oferecido e às taxas de juros cobradas… Costuma ser mais fácil conseguir um limite maior e taxas mais baixas quando o seu cartão é do mesmo banco em que você possui os seus investimentos, faz as suas movimentações bancárias ou recebe o seu salário. Isso porque o banco já conhece o seu perfil, o quanto você ganha e o quanto tem em investimentos, se costuma atrasar suas contas ou se as paga em dia. Os concorrentes não têm essas informações….

Atualmente, existe o cadastro positivo, que faz uma classificação da qualidade de crédito para os consumidores em geral, considerando seus históricos de pagamentos em dia e atrasos em financiamentos, contas de água, luz, telefone etc., e é como uma antítese ao Serasa, que identifica os maus pagadores (os negativados). Mas hoje ainda está engatinhando, pois, para ser incluído no cadastro positivo, o consumidor tem que optar por aceitar participar. Por conta disso, a adesão ainda é muito baixa.

Esse cadastro poderia ajudar a equalizar o conhecimento sobre o cliente, de forma que as fintechs também pudessem oferecer maiores limites de crédito com taxas de juros mais baixas para os clientes com bons ratings de crédito.

Há uma iniciativa atual de tornar esse cadastro automático e, se o consumidor não quiser participar, pode pedir para ser retirado. Entende-se que, com isso, os juros para empréstimos poderiam cair mais rapidamente.

Sendo assim, não há uma resposta definitiva: tudo depende das condições que você possui na sua conta-corrente e no seu cartão de crédito. E isso varia muito de pessoa para pessoa e de banco para banco, o que torna a análise bem mais complexa. É preciso identificar quais são os custos e vantagens em cada situação e optar pelo que for mais vantajoso para o seu bolso e perfil de utilização.

Leticia Camargo é planejadora financeira pessoal e possui a certificação CFP® (Certified Financial Planner), concedida pela Planejar – Associação Brasileira de Planejadores Financeiros. E-mail: leticia@leticiacamargo.com.br.

As respostas refletem as opiniões da autora, e não do site ÉpocaNegócios.com ou da Planejar. O site e a Planejar não se responsabilizam pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso destas informações.