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Um banco me ofereceu um cartão de crédito com limite de R$ 5 mil. Gastei compulsivamente. Como renegociar essa dívida?

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“Abri uma conta em um banco me ofereceram um cartão de crédito com limite de R$ 5 mil. Gastei compulsivamente, mas minha renda mensal é de R$ 950. Como renegociar essa dívida?”

Leandro Loiola, CFP®, responde:

Gastar mais do que somos capazes de pagar é um problema que pode ter diferentes origens.

Você pode ter passado por alguma situação que mudou sua rotina mensal e o levou ao endividamento. Ou você pode ter gastos fixos que ocupam parte importante da sua renda mensal. Ou ainda você pode estar consumindo compulsivamente para compensar algo que esteja faltando em sua vida.

Conhecer a origem do endividamento vai evitar que o problema se repita no futuro. Mas exige tempo e dedicação.

Como a situação precisa ser resolvida o quanto antes, sugiro deixar essa análise para um segundo momento.

Você menciona na sua pergunta, então já sabe: endividamento exige renegociação. Mas antes de procurá-la liste tudo o que deve, não apenas nesse cartão de crédito, mas também no cheque especial, carnês, boletos, empréstimos e financiamentos. Nessa lista é importante aparecerem os valores totais e das parcelas, os juros cobrados em cada uma e a quantidade de parcelas que ainda faltam.

Descubra o quanto você pode pagar por mês, relacionando tudo o que entra e sai da sua conta bancária todo mês. O que pode ser cortado imediatamente? Pense em cortes permanentes e cortes temporários, negociados com a família. Algumas coisas serão excluídas do orçamento somente até a quitação das dívidas.

Pense em trocas simples, como levar de casa o almoço para o trabalho ao invés de comer no restaurante, transporte alternativo ao invés de manter um carro, por exemplo. Se o que mais pesa no orçamento for o supermercado, considere “sair do automático” e escolher marcas diferentes e mais baratas, além de priorizar alimentos que estão na safra.

Há alguma oportunidade de renda extra? Ainda que temporariamente você pode fazer um “bico” para complementar o seu orçamento. Vale fazer doces para vender, dar aulas particulares, revender um produto, etc. Você pode descobrir um talento que poderá se tornar uma nova profissão.

Outra iniciativa é vender alguns itens que não estão sendo utilizados no momento. Se desfazer desses bens pode ser bom para você e para quem está querendo comprar. Tem uma moto na garagem?

Um videogame que nunca é ligado? Aproveite das redes sociais e aplicativos de venda para comercializá-los e fazer um dinheirinho. Feitas essas mudanças no orçamento e no patrimônio da família você já terá uma ideia da sua capacidade para lidar com o problema. Defina um valor mensal para pagar essa dívida antes de procurar a renegociação e só se comprometa com uma parcela que caiba nesse novo orçamento.

É importante questionar a administradora do cartão de crédito se é possível um desconto no pagamento renegociado, os juros do eventual parcelamento e a regularização do seu nome nos órgãos de registro de endividados (Serasa).

Anote todos os detalhes da proposta de renegociação para que você possa comparar com outras instituições financeiras – você pode levar essa dívida para outro credor ou contrair um empréstimo com juros menores para quitar essa dívida, como por exemplo o Empréstimo Consignado.

Você também pode antecipar rendas futuras, como o 13º salário e a restituição do imposto de renda. Em breve, até o saque aniversário do FGTS poderá ser antecipado. São empréstimos com juros bem menores do que o rotativo do cartão de crédito. Depois de “apagar o incêndio”, é hora de refletir e aprender com o que aconteceu. E evitar novas dívidas.

Retomando ao início do texto, reflita sobre o que te levou a essa situação. Foi o crédito fácil do cartão de crédito? Se esse for o caso, talvez você ainda não tenha desenvolvido a disciplina de pagar a fatura em dia. Sendo assim, você pode ficar longe do cartão de crédito por um tempo para adaptar seus gastos à sua renda e manter um controle mais firme do orçamento.

O cartão de crédito não é um vilão. Ele simplifica nossa vida, pois é um meio de pagamento seguro, que facilita o controle dos gastos em na fatura e com data única de pagamento, o que pode ajudar na reflexão sobre seu orçamento. Mas precisamos utilizá-lo com inteligência. Vale a pena também consultar o programa de milhagem disponível e acumular pontos para trocas por produtos ou serviços.

Se você conseguiu se equilibrar, o próximo passo é formar uma reserva de emergência. Quem não tem essa reserva sempre acaba contraindo novas dívidas, pois os imprevistos acontecem com todo mundo. Depois de quitar as dívidas, utilize novamente o 13º salário, a restituição do imposto ou aquelas rendas extras que você criou durante a crise para formar essa reserva.

Por último, uma recomendação que parece não tem a ver com suas finanças: não esmoreça! É comum ficar constrangido depois de entrar em dívidas, mas não se deixe abater. Você tem direitos e possibilidades de solução. E vai encontrar um caminho para se recuperar. Uma postura positiva é muito importante para conseguir sair dessa situação e alcançar o bem-estar financeiro.

Leandro Loiola é planejador financeiro pessoal e possui a certificação CFP® (Certified Financial Planner), concedida pela Planejar – Associação Brasileira de Planejadores Financeiros. E-mail: leandro@emsaconsciencia.com.br

As respostas refletem as opiniões do autor, e não do site ÉpocaNegócios.com ou da Planejar. O site e a Planejar não se responsabilizam pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso destas informações.

Texto publicado no site Época Negócios em 3 de setembro de 2019