“Tenho um financiamento imobiliário, mas estou com dificuldades em pagar as parcelas. Quais minhas opções para evitar ficar inadimplente?”

Annik Konradt, CFP®, responde:

Encontrar uma solução para a sua situação não é fácil porque é o financiamento da sua casa própria, e deve ser parte do seu plano de vida.

A primeira coisa a se fazer, quando se está em uma situação como essa, é se organizar, por isso, é importante saber exatamente quanto de renda você recebe mensalmente, quanto destes recursos estão comprometidos com despesas essenciais como água, eletricidade, alimentação, educação e outras despesas correntes e verificar se o restante de seu orçamento é realmente compatível com as parcelas de seu financiamento.

Às vezes é preciso abrir mão de itens supérfluos, refeições fora de casa, idas a shows, ao cinema ou ao shopping center são apenas alguns exemplos de atividades que geram gastos. Gastos estes que, frequentemente, precisam ser revisados.

Planejar e colocar em prática um orçamento familiar pode ser bastante complicado se alguns membros não estiverem dispostos a fazer concessões.

Se para um casal tomar essas decisões já é difícil, agora imagine uma família com filhos.

Sugiro a venda de algum bem como um carro ou uma moto. E, caso seja celetista, há a possibilidade de uso do FGTS.

Buscar uma renda extra pode ser uma opção possível para sanar ou diminuir a dificuldade financeira.

Se após as considerações acima não estiver mais conseguindo pagar as parcelas do seu financiamento, deverá entrar em contato com o banco para saber as opções de renegociação.

Nos financiamentos imobiliários, existem dois tipos de garantia, a hipotecária e a alienação fiduciária, a principal diferença está na maneira de se exigir o cumprimento do contrato de financiamento.

Na Hipoteca existe uma enorme dificuldade da cobrança da dívida, que exige uma ação judicial de execução, sujeitando o credor a demora do Poder Judiciário Brasileiro, o que torna a recuperação do valor emprestado lenta e difícil.

Na Alienação Fiduciária esse procedimento é realizado de forma extrajudicial, perante o Cartório de Registro de Imóveis, sendo necessário apenas considerar uma ação ao final do procedimento para a retomada da posse do imóvel.

A renegociação da dívida é uma etapa importante se você pretende renegociar a sua dívida com o banco, pois, somente dessa forma, você saberá exatamente quais são as propostas que caberão no seu bolso durante o acordo. Esta é uma opção geralmente bem aceita, tanto pelos bancos, quanto pelos devedores.

Com a renegociação das parcelas vencidas e daquelas que ainda não foram pagas, é possível diminuir o valor das mensalidades e, ainda, acabar com o aumento dos juros e das multas, nessa hora é importante demonstrar ao banco que você está disposto a quitar os seus débitos, para isso, exponha detalhadamente como anda a sua situação financeira.

Dessa forma será mais fácil chegar a algum acordo e verificar quais possibilidades podem se adaptar ao seu orçamento algumas opções são: uma diminuição dos juros, a diminuição no valor das parcelas e o aumento do número de mensalidades ou ainda pagar à vista uma parte destes débitos.

Após analisar seu orçamento, a renegociação da dívida com o banco será mais fácil e você conseguirá solucionar seu problema com a sensação de alívio conquistada. Desejo boa sorte!

Annik Konradt é planejadora financeira pessoal e possui a certificação CFP® (Certified Financial Planner), concedida pela Planejar – Associação Brasileira de Planejadores Financeiros. E-mail: [email protected]

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Texto publicado no site Época Negócios em 15 de outubro de 2019.