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Portabilidade é o caminho para previdência pouco rentável

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“Tenho um plano de previdência privada, já sou aposentado e tenho 67 anos de idade. Como a rentabilidade do fundo está muito baixa estou pensando em transformá-lo em renda mensal de R$2000,00 por mês, para isso teria que fazer um aporte significativo. A minha dúvida é se eu faço a opção de transformar a aplicação em renda mensal ou continuo fazendo retiradas quando necessito?”

Bruno Bonacina, CPF®, responde:

Se o objetivo do plano for a renda complementar, recomenda-se transformar a reserva financeira em renda mensal. Contudo, se busca apenas ter disponibilidade para custear despesas extras e facilitar o planejamento sucessório, não opte pela renda mensal, pois, ao transformar a sua reserva em renda, esta deixa de ser sua e passa a ser a entidade previdenciária, não sendo mais possível repassá-la aos seus beneficiários. Ainda que possa escolher um benefício reversível a eles, caso eles venham a faltar, os herdeiros destes nada receberão. Portanto, esteja certo da finalidade do plano para que possa tomar a melhor decisão.

Em ambos os casos, considerando a rentabilidade baixa do plano, identifique o seu perfil de investidor e verifique a aderência do seu plano a sua estratégia de investimento. Compare a performance do fundo com a dos demais existentes no mercado. Existem inúmeros planos de previdência disponíveis e, caso encontre um plano mais rentável, que combine com o seu perfil e que seja mantido por entidade de sua confiança, porte o seu investimento e potencialize os seus ganhos. Antes de tomar a decisão, verifique a existência de eventual taxa de saída, faça os cálculos e, se compensar, siga em frente.

Importante destacar que nem sempre o fundo mais rentável será o recomendado. Analise a performance passada, o potencial de ganhos futuros, a estratégia de investimento, a aderência ao seu perfil de investidor e a solidez da entidade previdenciária. Afora tudo isto, examine a tábua atuarial, a correção do benefício e o regime tributário.

A tábua atuarial e os critérios de correção do benefício só devem ser considerados se optar pela renda mensal.

A tábua atuarial é o instrumento estatístico que mede a expectativa de vida. As mais antigas consideravam em seus cálculos uma perspectiva menor de vida. Logo, como proporcionam rendimentos maiores do que as mais recentes, mesmo que encontre um plano mais rentável, o seu benefício poderá ser menor caso este possua uma tábua mais recente.

Os critérios de correção do seu benefício são tão importantes quanto a tábua atuarial. São eles que corrigem o poder de compra e incrementam o valor do seu benefício ao longo do tempo. Planos mais antigos possuem condições melhores e utilizam o IGP-M ao invés do IPCA como indexador. Portanto, estude, calcule e compare.

A escolha correta do regime tributário também poderá incrementar os seus ganhos. O imposto de renda é cobrado quando do resgate e é retido na fonte pela entidade previdenciária. São dois os regimes de tributação: o progressivo, que retém 15% com ajuste posterior na declaração de imposto de renda; e o regressivo, que retém de 35% a 10% de imposto de renda, de forma exclusiva e definitiva, sem acerto posterior com o leão. Neste último, a alíquota chegará a 10% após dez anos da aplicação.

Realizadas as análises e, se ainda assim, se fizer necessário aporte adicional para incremento de renda, confira se existe taxa de carregamento. Esta taxa pode ser cobrada tanto na entrada como na saída dos recursos. Muitos planos já a extinguiram, confira, pois é bem possível evitá-la em alguns casos. Caso não seja necessária a aplicação adicional, estude as demais opções de investimento disponíveis e busque alocar o valor em opções compatíveis com o seu perfil de investidor.

Diante dos diversos aspectos elencados, se achar oportuno, conte com a orientação profissional de um Planejador Financeiro CFP® e tome a melhor decisão.

Bruno Bonacina é planejador financeiro pessoal e possui a certificação CFP® (Certified Financial Planner), concedida pela Planejar – Associação Brasileira de Planejadores Financeiros. E-mail: bruno.roldan@caixa.gov.br

As respostas refletem as opiniões do autor, e não do jornal Valor Econômico ou da Planejar. O jornal e a Planejar não se responsabilizam pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso destas informações. Perguntas devem ser encaminhadas para: consultoriofinanceiro@planejar.org.br

Texto publicado no jornal Valor em 25 de novembro de 2019.