Planejamento para comprar um imóvel

Estou guardando dinheiro para comprar um apartamento daqui a três anos e com toda esta confusão na economia, gostaria de saber onde deveria aplicar o dinheiro neste período.

Eric Trevisani, CPF®, responde:

Enquanto o Executivo e o Legislativo medem forças, o setor imobiliário e a bolsa de valores refletem o sentimento dos brasileiros e investidores: pessimismo. E em incongruência com a opinião dos investidores mais tradicionais, que diziam “comprem terras e ganhem dinheiro”, os preços dos imóveis avançaram apenas 1,3%, segundo o índice Fipe Zap Ampliado, diante de uma inflação de 10,7% medida pelo IPCA em 2015. Em agosto de 2015, o Fipe Zap chegou a registrar seu primeiro mês negativo desde sua criação em 2008.

Portanto, com a atual conjuntura e com juros altos, invista em renda fixa. Evite grandes surpresas. É como diz o ditado, mais vale um pássaro na mão do que dois voando.

Se o seu objetivo é comprar um imóvel apenas no fim de três anos, títulos prefixados são atrativos. Títulos privados como CDBs (Certificados de Depósito Bancário) e LCs (Letras de Câmbio), com emissão de instituições financeiras médias e vencimento em dois ou três anos, podem ser encontrados com rentabilidade bruta de impostos e taxas próxima a 18% ao ano. Já os títulos públicos apresentam rentabilidade bruta de 16% para o mesmo período.

Por outro lado, se você deseja comprar um imóvel a qualquer momento no decorrer desses três anos, a disponibilidade financeira será essencial para ter acesso às oportunidades geradas pelo grande estoque acumulado pelas construtoras e incorporadoras, e pela urgência ou ansiedade dos atuais proprietários. Nessa situação, é recomendado investir em títulos pós-fixados e líquidos. CDBs e LCs de banco médios com liquidez diária podem ser encontrados com rentabilidade bruta pouco superior ao CDI. Títulos públicos atrelados à taxa Selic têm rentabilidade similares.

Embora os títulos prefixados aparentem ter uma previsibilidade e rentabilidade maior, é fundamental considerar os riscos de ter seus rendimentos superados pela inflação ou de perda em resgates antecipados, devido ao aumento da expectativa da taxa de juros para o período.

Geralmente, títulos privados de instituições menores têm rentabilidade maior e podem ser encontrados na própria instituição emissora, em corretoras independentes de varejo e no segmento private de alguns bancos. Antes de investir, além de se atentar aos limites do FGC de até R$ 250 mil por CPF e instituição emissora, pesquise a idoneidade, saúde financeira e as certificações das instituições emissoras e distribuidoras, como o selo Cetip Certifica, por exemplo.

Já os títulos públicos possuem a segurança do governo federal, e têm a seu favor boa liquidez e fácil acesso. O investimento inicial é inferior a R$ 100 e são, portanto, ideais para aplicações mensais ou periódicas.

Diversifique. Você pode compor uma carteira de títulos públicos e privados, prefixados e pós-fixados, adequando-os à sua conveniência e aos seus objetivos. Antes de selar sua decisão, considere todas as taxas envolvidas, como custódia e administração. No caso de títulos públicos, o site da BM&FBovespa disponibiliza uma tabela com as taxas de administração cobradas pelos agentes autorizados.

Espero ter ajudado. E creio que seu planejamento aliado à atual situação econômica do país deve proporcionar um excelente negócio, seja por conta de uma boa oportunidade ou pelo poder de compra que você terá no futuro.

Eric Trevisanié planejador financeiro pessoal e possui a certificação CFP® (Certified Financial Planner), concedida pela Planejar – Associação Brasileira de Planejadores Financeiros. E-mail: [email protected].

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