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Opções para proteger o patrimônio da inflação

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Muito está sendo noticiado sobre a inflação alta no ano passado e os riscos de mais um ou dois anos com a inflação também em alta. Como posso garantir que meu patrimônio mantenha o meu poder de compra quando eu for me aposentar (que deve acontecer daqui a uns dez anos)?

Ricardo Gomes da Silva, CFP®:

Há diversos indicadores de inflação. Além da inflação “oficial” usada pelo Bacen, o IPCA do IBGE, temos o INPC do mesmo instituto, o IGP-M, INCC e IPC-3i da FGV, entre outros. Mas nenhum destes índices representará com exatidão a sua inflação pessoal, pois cada um considera uma cesta de itens diferentes daqueles que você consome. Se, por exemplo, você viaja com frequência ao exterior, utiliza de insumos importados em seu trabalho, alimenta-se regularmente fora de casa e consome mais serviços do que produtos, com certeza sua inflação foi superior ao IPCA. A minha inflação pessoal em 2014 foi de 9,17% enquanto o IPCA foi 6,41%. E o Índice de Preços ao Consumidor da terceira idade (IPC-3i) foi 6,62%. Por isso a percepção das pessoas de que o dinheiro está “acabando mais rápido” ultimamente. 

Observe que o poder de compra tem a ver com padrão de vida. O cuidado deve ser maior para a aposentadoria, quando a renda deixará de vir do trabalho mas, sim, do patrimônio. Com o tempo livre e a idade, a cesta de produtos e serviços consumidos tende a mudar, com gastos maiores, por exemplo, com diversão e saúde – itens que têm apresentado maiores altas recentemente. É importante estimar como será o seu futuro para dimensionar os recursos financeiros necessárias. 

Para garantir que esses recursos não serão consumidos pela sua inflação, você terá que buscar investimentos que rendam mais do que ela, que tenham o que chamamos de ganho real (acima da inflação). Para não correr este risco, você terá que correr alguns outros. 

No Brasil temos uma alternativa muito simples: a NTN-B do Tesouro Direto. Sua rentabilidade é dada por uma taxa prefixada (hoje acima dos 6% ao ano) mais o IPCA. Um excelente rendimento real em relação a inflação oficial. Há várias opções de vencimento (quando o investimento será devolvido com a rentabilidade definida na compra), com ou sem pagamentos semestrais de juros. 

São papéis com o menor risco de liquidez e crédito do país. Porém, seu principal risco é a volatilidade no curto prazo. Se você comprar uma NTN-B com vencimento longo e precisar deste recurso em prazo mais curto, poderá vender por um valor inferior ao desejado ou até mesmo inferior ao investido. 

Então, o segundo ponto a considerar em suas estimativas é o fluxo de renda que você vai precisar. Há uma NTN-B com vencimento em 2024, próximo do prazo desejado para sua aposentadoria. Mas muito provavelmente você não precisará de todos os seus recursos financeiros daqui a nove anos. Bem como se você optar pelo vencimento mais longo (2050) você estará sujeito à volatilidade durante o início de sua aposentadoria. 

Outras opções de diversificação, com maior risco de volatilidade e liquidez, são os fundos imobiliários, com cotas negociadas em bolsa para pessoa física, que repassam os aluguéis com isenção de IR e possuem contratos de reajuste anual por algum índice de inflação. Ou ações de empresas, boas pagadoras de dividendos, em setores cujo faturamento também segue algum reajuste. 

Uma consulta a um planejador financeiro pessoal poderá lhe ajudar a dimensionar o patrimônio necessário para seu fluxo de caixa futuro.

Ricardo Gomes da Silva é planejador financeiro pessoal e possui a certificação CFP® (Certified Financial Planner) concedida pela Planejar – Associação Brasileira de Planejadores Financeiros. E-mail: ricardo.gomes@lifefp.com.br

As respostas refletem as opiniões do autor, e não do jornal Valor Econômico ou da Planejar. O jornal e a Planejar não se responsabilizam pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso destas informações. perguntas devem ser encaminhadas para: consultoriofinanceiro@planejar.org.br