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Não consigo me organizar financeiramente e meu impulso é sempre pegar novos empréstimos. Por onde começar?

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Jailon Giacomelli, CFP®, responde:

Sugiro que você e sua família comecem entendendo sua situação atual.

Para isso vocês precisarão de:

  • Papel e caneta ou uma planilha (caso vocês tenham facilidade com Excel);
  • Extratos dos últimos 3 meses de contas correntes e cartões de crédito;
  • Extratos dos empréstimos, onde conste o saldo devedor, valor da parcela e taxa de juros mensal;
  • Saldo atual do dinheiro que vocês têm guardado ou investido.

Com essas informações em mãos, separe algo como 2 horas do seu tempo. É importante que seja um tempo de qualidade, não façam isso no trabalho, no jantar ou enquanto assistem televisão. Para se organizar financeiramente é preciso ter dedicação e foco.

Vou deixar aqui alguns passos que podem lhes dar uma direção.

Passo 1 – saber quanto ganha e gasta

Com os extratos de contas e cartões, descubram:

  • Renda: quanto vocês ganham por mês?
  • Despesas pessoais (todas elas): quanto vocês gastam por mês? Utilizem como base os últimos 3 meses. Não considerem aqui os compromissos com parcelas de empréstimo.
  • Parcelas de empréstimo: quanto vocês pagam por mês em parcelas de empréstimo?

Passo 2 – saber quais os compromissos futuros

  • Quais os valores e quantidade de parcelas que ainda faltam das suas compras parceladas no cartão de crédito (por exemplo, “parc. 2/5” que aparece no extrato)?
  • Quais os valores e quantidade de parcelas ainda faltam para terminar seus empréstimos?
  • Qual o valor que vocês precisam para quitar todos os empréstimos atuais?

Passo 3 – saber quanto dinheiro vocês têm guardado ou investido

  • Vocês têm algum dinheiro guardado ou investido? Qual seria o valor de resgate líquido de impostos?
  • Vocês destinam algum valor mensal para algum produto de investimento, previdência privada ou para título de capitalização? Qual o valor por mês?

Passo 4 – organizar as informações e encontrar uma solução

Primeiro descubram o SALDO MENSAL, ou seja, quanto sobra (ou deveria sobrar, se vocês não estivessem com dívidas) no final do mês. Como? Façam “rendas” menos “despesas” e somem a este resultado o valor que vocês destinam todo mês a algum produto como previdência ou título de capitalização (motivo: se não houver mais esses compromissos mensais, esse dinheiro vai sobrar para vocês no final do mês).

Depois, caso tenham algum dinheiro guardado ou investido, entendam a condição atual (saldo atual e impostos a pagar no caso de resgate) e se o valor líquido de resgate seria suficiente para quitar totalmente ou parcialmente seus empréstimos. Lembre-se de que seu custo com juros normalmente é maior do que o rendimento destes produtos, por isso é bem provável que valha a pena quitar os empréstimos com o dinheiro que vocês têm guardado ou investido.

Em seguida, somem o saldo devedor de todos os seus empréstimos atuais e busquem em algumas instituições financeiras (seu banco, inclusive), uma opção de empréstimo com as seguintes condições:

  • Taxa de juros menor ou igual às taxas dos empréstimos atuais;
  • Prazo mais longo;
  • Parcela que caiba no seu bolso (ou seja, seja igual ou menor ao SALDO MENSAL, que vocês descobriram fazendo as contas);

A ideia aqui é concentrar tudo que vocês devem em um empréstimo só e que caiba no bolso.

Talvez uma alternativa viável seja colocar algum bem (como um imóvel, por exemplo), como garantia.

Depois desses 4 passos, coloquem seu plano em prática e lembrem-se de que haverá mudanças no meio do caminho até que vocês saiam da condição atual, mas com clareza da situação e um plano bem feito, é possível superar os desafios.

E depois, como não se endividar novamente?

Depois de resolver o que é mais urgente (se livrar das dívidas), separem mais 2 horas do seu tempo, mas dessa vez para entender “por que vocês gastam mais do que ganham e se endividaram?”. A explicação possivelmente estará nos seus hábitos de consumo ou em algum período da sua vida que exigiu despesas extras por causa de uma eventualidade.

Trabalhem para aumentar sua renda ou reduzir suas despesas. Depois que as coisas estiverem mais equilibradas, recomendo que vocês comecem a praticar o “pague-se primeiro”, ou seja, separem da sua renda um valor para investir e usem o restante para pagar as despesas. Sugiro ainda que seu primeiro objetivo seja ter uma reserva de emergência para que não seja mais necessário tomar empréstimo quando algo inesperado acontecer.

Por fim, recomendo que vocês procurem um profissional CFP® para lhes ajudar nesse caminho da saída das dívidas. Com certeza as chances de sucesso aumentam muito se vocês contarem com a orientação profissional.

Espero que minha resposta tenha mostrado um caminho possível para vocês se livrarem das dívidas e passarem a investir seu dinheiro para atingir seus objetivos.

Jailon Giacomelli é planejador financeiro pessoal e possui a certificação CFP® (Certified Financial Planner), concedida pela Associação Brasileira de Planejadores Financeiros (Planejar). Email: jailon@parmais.com.br

As respostas refletem as opiniões do autor, e não do site ÉpocaNegócios.com ou da Planejar. O site e a Planejar não se responsabilizam pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso destas informações.

Texto publicado no site Época em 22 de outubro de 2019.