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Fiz um empréstimo de R$ 5 mil e gostaria de pagar esse valor à vista, mas não tenho esse dinheiro. O que devo fazer?

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“Peguei um empréstimo de R$ 5 mil há mais ou menos 2 anos, e venho pagando juros todos os meses. Já paguei uns R$ 4 mil. Quero pagar à vista os R$ 5 mil para quitar a dívida, mas não tenho esse dinheiro. O que devo fazer?”

Thiago Sieklicki, CFP®, responde: 

Prezado leitor, obrigado por sua pergunta.

Em primeiro lugar você já está no caminho certo, antes de tomar qualquer decisão está buscando opinião profissional e principalmente, conversou com o travesseiro. Isso faz com que você possa ser mais racional em suas decisões e impede o emocional de tomar a frente, deixando de afetar o órgão mais sensível do seu corpo, o bolso!

Pelo que dá para constatar, seu empréstimo de R$ 5 mil está te gerando um juro aproximado de 2,5% ao mês. Até o momento você só pagou juros e o valor da sua dívida se manteve nos mesmos R$ 5 mil. Imagino que se continuar nessa modalidade, ou terá que aumentar o valor pago até então para de fato começar a amortizar seu saldo devedor ou sua dívida estará igual a aquele famoso filme: “A história sem fim”. Brincadeira à parte, vamos para a solução!

Como você já antecipou, uma das possibilidades para resolver esse problema é quitar essa dívida, mas atualmente você não possui dinheiro para isso. Se você fizer buscar uma nova opção de crédito, tenha muito cuidado ao contratar esse empréstimo, e certifique-se de que é de fato a opção mais barata que os juros da sua atual dívida.

Lembro sempre de ressaltar que a melhor forma de comparar um contrato e outro em relação valor a ser pago não é só a taxa de juros mensais mas sim o CET (Custo Efetivo Total), pois nele estão embutidos custos além dos juros, como impostos e taxas financeiras, que podem passar despercebidas aos olhos mas que não passarão despercebidas no seu orçamento mensal.

Algumas informações importantes que precisam ser consideradas a respeito dessa opção: Quanto maior a garantia oferecida no empréstimo, menor os juros que serão cobrados pelo agente financeiro. Isso pode ser uma boa opção se você for recorrer a essa medida. Pensando por esse aspecto, os juros do crédito consignado costumam ser os mais baratos do mercado pois a parcela do empréstimo é descontada direto em folha tendo um risco de não pagamento baixíssimo e consequentemente as taxas praticadas nessa modalidade estarão facilmente abaixo daquilo que você tem pago atualmente.

Se este não for o seu caso e você possuir um imóvel ou veículo para dar de garantia, pode recorrer aos empréstimos com garantia, opção mais em conta do que o crédito pessoal tradicional, mas cuidado! Vincular bens de patrimônio te trará outras consequências que não estão relacionadas a sua dívida atual, além de serem um grande atrativo para que você acabe tomando uma dívida maior que os R$ 5 mil e seu saldo devedor, ao invés de diminuir, só aumentará.

Aqui deixo uma sugestão que avalie as ofertas de crédito das instituições financeiras das quais você é cliente e também aproveito para sugerir que avalie as propostas filtradas pela Serasa Consumidor, que apresentam uma série de instituições financeiras idôneas com propostas de crédito dos mais variados tipos de juros e modalidades. Busque aquilo que atenda suas expectativas e que principalmente se encaixe no seu orçamento mensal.

Vale ressaltar também, caro leitor, que temos mais duas opções que podem ser analisadas. Uma é conversar com seu credor ou refinanciar a dívida. Assumir a não condição do pagamento do contrato atual e propor amigavelmente uma nova condição para esse pagamento sempre é visto com bons olhos, pois é sinônimo de zelo e boa fé e pode lhe trazer uma condição mais atrativa para honrar seu pagamento.

Por último mas não menos importante é a portabilidade de dívidas; um mecanismo ofertado pelas instituições financeiras que aceitam quitar a dívida atual abrindo uma nova com essa instituição, mas como já reforcei antes, sempre se atente ao prazo e ao Custo Efetivo Total, que precisa ser melhor do que as condições atuais para que compense essa troca.

Acima de tudo, tenha em mente que essa situação é pontual e passageira, o importante é sua disposição para resolver seu problema e zelo em cuidar do seu dinheiro. Seu futuro agradece.

Thiago Sieklicki é planejador financeiro pessoal e possui a certificação CFP® (Certified Financial Planner), concedida pela Planejar – Associação Brasileira de Planejadores Financeiros. Email: thiagosie@gmail.com

As respostas refletem as opiniões do autor, e não do site ÉpocaNegócios.com ou da Planejar. O site e a Planejar não se responsabilizam pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso destas informações.

Texto publicado no site Época Negócios em 06 de agosto de 2019.