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Devo dinheiro para minha prima, mas não tenho dinheiro para pagar. O que fazer?

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“Devo dinheiro para minha prima, mas não tenho dinheiro para pagar. O que fazer?”

Pedro Amaro, CFP®, responde:

Olá, prezado leitor.

A sua pergunta é muito boa e demonstra a sua preocupação em executar esse compromisso que tem com a sua prima. Com certeza existem milhares de pessoas no Brasil com situações de dívidas parecidas com a sua.

Para quitar as nossas dívidas, precisamos elaborar um plano de ação que possibilite o acúmulo de dinheiro e, através de investimentos, potencializar o nosso ganho ao longo da execução do projeto.

Primeiro, precisamos conhecer os nossos gastos, por isso anotar tudo o que gastamos se torna essencial, podemos utilizar aplicativos, planilhas digitais (Excel) ou impressas (papel). De preferência, aquilo que dominamos melhor. Quanto mais precisas forem as informações, melhor será o diagnóstico do nosso comportamento financeiro. Depois de analisar as faturas de cartões de crédito e extratos de contas-correntes, identificamos para onde tem ido o nosso dinheiro e podemos começar a pensar sobre se temos realmente utilizado todos os serviços que contratamos. Devemos cortar aquilo que não usamos ou não faz sentido continuar fazendo, estamos falando dos desperdícios que fazemos, por exemplo, aquela TV por assinatura que não usamos mais ou que vemos só de vez em quando, ou a academia que só pagamos e não usamos.

Depois de conhecer os seus gastos, podemos separar um valor de esforço de poupança mensal, assim podemos prever em quantos meses teremos o valor para quitar a nossa dívida. Vamos imaginar que a nossa dívida seja de 5 mil reais e que possamos poupar 200 reais por mês, sem rendimentos, poderemos pagar essa dívida em 25 meses. Dependendo dos investimentos que fizermos ou de novas entradas de renda, podemos adiantar esse prazo. O segredo para isso dar certo é tratarmos o valor poupado todos os meses como uma despesa importante e colocá-la no orçamento de gastos planejados, assim não trataremos esse valor como uma sobra e isso fortalecerá o nosso compromisso em efetivar esse investimento mensalmente. Se tivéssemos várias dívidas, poderíamos tomar outras iniciativas que não se aplicam nesse caso específico.

Bom, talvez muitas pessoas achem 25 meses muito tempo para quitar uma dívida tão “pequena” e a sua prima pode não gostar de esperar tanto tempo. Nessa situação, seria interessante desenvolver múltiplas formas de renda, afinal de contas o salário ou a sua empresa são apenas uma forma de renda. Eu li sobre uma americana, chamada Dorie Clark, de 39 anos, que desenvolveu seis fontes de renda e isso é incrível. Ela tem uma vantagem em relação às pessoas que só possuem uma forma de renda.

Precisamos verificar a necessidade de procurar outras formas de ganhar dinheiro e se temos tempo disponível para isso. Importante desenvolver uma nova fonte de cada vez ou no máximo duas simultaneamente, porque fazer tudo ao menos tempo pode se tornar uma grande armadilha. Analisando as nossas possibilidades podemos: transformar um hobby ou um talento em uma atividade remunerada, aprender coisas novas, desenvolver novas habilidades e até vender itens que não usamos mais. Isso vai depender do nosso nível de conhecimento e habilidade em cada área, é importante que a nova atividade não atrapalhe nem interfira na nossa atividade atual. Não devemos acabar com algo lucrativo trocando por algo que não é concreto ainda.

Aumentando o nosso esforço de poupança através de novas receitas podemos quitar nossa dívida antes do tempo. Mas sem esforço não há resultado, ou melhor não haverá um bom resultado. Qualquer pessoa pode mudar a sua situação financeira, basta ter foco, buscar conhecimento e agir.

Com o desenvolvimento de um bom planejamento financeiro, teremos noção real da nossa situação financeira e melhor seleção de nossos gastos, pelo simples fato de dar atenção a eles. Poderemos estabelecer um orçamento planejado para dar direção ao nosso dinheiro e investir naquilo que é mais importante para as nossas vidas e nossas famílias, fortalecendo a nossa consciência e gratidão pelas pessoas que nos socorrem em momentos de dificuldade e aumentando o grau de importância com os nossos compromissos financeiros.

Com o desenvolvimento de novas fontes de renda, ampliaremos os nossos horizontes, redes de relacionamentos e oportunidades. Depois de atingir o objetivo de pagar essa dívida, teremos aumentado a nossa renda, desenvolvido novos negócios e não precisamos parar por aí. Próximo passo é estabelecer novas metas e planejar os próximos sonhos a serem realizados, não deixe a sua motivação diminuir pensando sempre nos próximos passos.

“Grandes projetos começam com pequenos passos.”

Pedro Amaro é planejador financeiro pessoal e possui a certificação CFP® (Certified Financial Planner), concedida pela Planejar – Associação Brasileira de Planejadores Financeiros. E-mail: planejador@pedroamaro.net

As respostas refletem as opiniões do autor, e não do site EpocaNegocios.globo.com ou da Planejar. O site e a Planejar não se responsabilizam pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso destas informações.

Texto publicado no site Época Negócios em 13 de setembro de 2018