Desafios do consultor de investimentos

Tenho interesse em me tornar um “financial advisor”, alguém que ajudasse as pessoas em seus investimentos pessoais. O que devo fazer? Qual o melhor caminho?

José Raymundo de Faria Júnior, CFP::

Caro leitor, o mercado de trabalho para o “financial advisor” é muito promissor e, no Brasil, está apenas no início.

Nos últimos anos, vários fatores mudaram e modernizaram o mercado financeiro e de capitais no país, como as constantes atualizações na Lei das S/As; lançamento pela bolsa no início dos anos 2000 de mercados para atender o crescente movimento de governança corporativa (Novo Mercado e Níveis I e II); lançamento em 2002 do Tesouro Direto; surgimento dos ETFs a partir do PIBB lançando em julho de 2004; Circular 3328 do Banco Central (BC) de outubro de 2006 que libera os investimentos no exterior para pessoas físicas e jurídicas; Instrução nº 450 da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) de março de 2007 que autorizou os fundos de investimentos a aplicarem total ou parcialmente os recursos sob sua administração no exterior; e a criação de produtos do agronegócio, imóveis e infraestrutura com isenção de IR para pessoas físicas.

Junto com estes avanços, ocorreu o início da certificação dos profissionais de finanças e a criação, em 1999, do conceito de “suitability”, que objetiva conhecer o perfil de risco do investidor com a finalidade de garantir que a estratégia de investimentos esteja adequada.

Como consequência, temos hoje aproximadamente 300 mil investidores pessoa física cadastrados no Tesouro Direto e perto de 600 mil na Bovespa. Além disso, dados do BC indicam que o volume de investimento de brasileiros no exterior cresceu constantemente nos últimos anos, ultrapassando R$ 50 bilhões em 2012, e o segmento de private banking apresentou forte evolução nos últimos anos.

Assim, podemos destacar que os principais desafios para o “financial advisor” são: como fazer com que as aplicações rendam acima da inflação no momento em que a taxa Selic está no menor patamar da história? Como criar poupança de longo prazo para fins de aposentadoria no momento de profunda alteração da demografia brasileira? Como ter disciplina financeira para equilibrar os gastos e a formação de poupança? Como trabalhar a questão da sucessão nas famílias?

O mercado de trabalho do “financial advisor” está inserido nesse ambiente de novos produtos, maior informação, novos desafios e forte regulação por parte do BC, CVM e órgãos autorreguladores. Em geral, este profissional atua em bancos, principalmente na área de private banking, corretoras de valores, seguradoras e em consultorias de valores mobiliários registradas na CVM.

A certificação CFP é amplamente desejável e recomendável para o “financial advisor”, e esta se baseia no conceito de “4 E’s”:

– Experiência profissional e Educação: histórico comprovado na atividade de planejamento financeiro pessoal de pelo menos três anos, no caso de ter curso superior, ou de cinco anos, se não tiver curso superior.

– Exame: prova rigorosa com 120 questões, sendo necessário obter pontuação mínima de 70% para aprovação. Serão testados conhecimentos nas áreas de economia, renda fixa, renda variável, derivativos, tributação, fundos, seguros, previdência, sucessão, ética e planejamento pessoal. O exame ocorre duas vezes ao ano, em junho e novembro. Todas as informações estão disponíveis no site do IBCPF (www.ibcpf.org.br).

– Ética: o interessado precisa ter reputação ilibada e aderir ao código de ética. A ética é o norte na vida do profissional CFP. O interesse do cliente é sempre maior do que qualquer outro, e saber entender isto e buscar a orientação correta para o mesmo é primordial para uma relação de confiança de longo prazo.

José Raymundo de Faria Júnior é Planejador Financeiro Pessoal e possui a Certificação CFP (Certified Financial Planner) concedida pela Planejar – Associação Brasileira de Planejadores Financeiros. E-mail: [email protected]

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