Comprar ou alugar um imóvel, o que fazer?

Vou me casar e tenho recursos suficientes para dar 50% de entrada para comprar um apartamento de um quarto. Como pretendemos ter um filho daqui a cinco anos, estamos em dúvida se será melhor comprar o apartamento agora e pegar um financiamento ou alugar um apartamento deste mesmo tamanho e guardar dinheiro para comprar um apartamento maior quando eu ficar grávida.

Wagner Drumond, CFP, responde:

Cara leitora, muito obrigado por sua pergunta, pois creio ser uma dúvida pertinente às pessoas que estão prestes a se casar. Você não menciona se o valor de entrada é decorrente do FGTS ou de reserva financeira própria, mas certamente será de grande valia para seu objetivo que é o de comprar o imóvel.

Vejo sua intenção em se preparar para a chegada de um filho para daqui a cinco anos, conciliando, com a decisão, a escolha do imóvel.

Fechamos 2015 com o cenário de taxa Selic a 14,25% ao ano, inflação acumulada de 10,67%, e o mercado imobiliário em fase de desaceleração. Há grande oferta de imóveis para comprar ou alugar, ocasionando baixo crescimento no valor dos imóveis (em alguns casos há até queda nos preços) e, consequentemente, nos valores dos aluguéis.

O índice FipeZap, que mede os preços dos imóveis anunciados, apresentou em 2015 um crescimento de apenas 1,32% nos preços dos imóveis à venda. Já para locação, em 2015, houve uma queda de 3,34%, ou seja, alugar um imóvel hoje está mais barato do que há 12 meses. Considerando um imóvel de R$ 300 mil, o aluguel seria de aproximadamente R$ 1.140, ou seja, 0,38% do valor do imóvel, segundo o índice da FipeZap.

Em relação aos juros para financiamento imobiliário, os mesmos aumentaram no decorrer de 2015 e terminaram o ano com um custo efetivo total por volta de 13% anuais.

Supondo que o valor já acumulado para entrada do imóvel esteja aplicado, minha sugestão é verificar sua rentabilidade e se a mesma está superando a inflação. Há opções rentáveis e seguras em investimentos de renda fixa. Feito isso, como você comentou que pretende ter o primeiro filho daqui a cinco anos, minha recomendação é, desde que se encaixe no orçamento do casal, alugar um imóvel de um quarto guardando a diferença entre o aluguel e o financiamento, pois certamente o valor da parcela inicial do financiamento imobiliário será mais alto que o valor do aluguel.

Vamos a um exemplo, usando como base um imóvel de R$ 300 mil; valor de entrada de R$ 150 mil; prazo de financiamento de 20 anos; valor de financiamento de R$ 150 mil; e taxa de juros de 13% (SAC). O valor estimado da primeira parcela será de aproximadamente R$ 2 mil. Alugando um imóvel de R$ 300 mil, o aluguel ficará em torno de R$ 1.200.

Verificamos que o casal alugando um imóvel teria R$ 800/mês de economia que poderiam ser aplicados para serem usados quando a chegada do bebê estiver mais próxima e, desse modo, comprar um imóvel com mais dormitórios.

Com o contexto do mercado imobiliário atual, agora é hora de usar as altas taxas de retorno disponíveis na renda fixa a seu favor (Selic a 14,25%) e, assim, guardar a diferença entre o valor do aluguel e o financiamento para comprar o imóvel futuramente. Devo lembrá-la também de que essa estratégia tem que ser revista de tempos em tempos, para poder reavaliar para onde sopram os ventos da inflação, dos preços dos imóveis e da taxa de rentabilidade da aplicação.

Wagner Drumond é planejador financeiro pessoal e possui a certificação CFP® (Certified Financial Planner), concedida pela Planejar – Associação Brasileira de Planejadores Financeiros. E-mail: [email protected]

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