“O problema é colocar robôs para fazer trabalho de humanos e humanos para fazer trabalho de robôs”, afirma Luciano Tavares, CEO da Magnetis

Debatendo a relação entre robotização e relacionamento pessoal durante o Congresso Planejar 2018, Luciano Tavares, fundador e CEO da Magnetis, fintech e primeira gestora de investimentos automatizados do Brasil, defende que o essencial é não perder de vista os pontos fortes de cada um – do humano e da máquina. “Nós acreditamos em aproveitar o melhor dos dois mundos para gerar um atendimento cada vez melhor, sem sobrepor um ao outro”, completa. “Robôs são essenciais em trabalho repetitivos, previsões e cálculos, mas não substituem a empatia e compreensão da necessidade do outro que os humanos possuem”.

Para Tito Gusmão, a tecnologia não é útil apenas para clientes na base da pirâmide, com ticket médio mais baixo, mas também para clientes no topo. “Em todos os níveis financeiros há pessoas que preferem o autoatendimento e pessoas que preferem falar com seres humanos”, afirma. “Quem atua como planejador financeiro sabe que muitas vezes é preciso fazer um papel quase de psicólogo, entender os problemas da família a fim de planejar a sucessão da melhor maneira possível”, destaca.

Responsável por grandes transformações nos relacionamentos humanos, no mercado de investimentos e bancário, a tecnologia gera também uma questão urgente: a segurança da informação. “Devido à quantidade de dados que armazenam, os bancos e instituições financeiras sofrem ataques diários. Estamos entrando em uma fronteira totalmente nova, na qual nossos dados passam a ter um valor tremendo. Na China, dados já são tratados como o novo petróleo”, afirma Sergio Opice Mattar, responsável pelo segmento Ultra High do Private Banking do Banco Santander.

“Eu acho que nos próximos 5 anos podemos esquecer arquivos PDF, planilhas de planejamento em Excel e qualquer coisa impressa. E daqui a mais tempo ainda, daqui a dez anos, acho que não existirão mais agências bancárias, estaremos em uma nova lógica”, completa Gusmão.