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Vale a pena investir em previdência privada?

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“Entre salário e aluguel de um imóvel que possuo minha renda é de R$ 80 mil por ano. Realmente vale a pena investir em um PGBL mesmo com investimentos melhores?”

Eliane Tanabe, CFP®, responde: 

Olá leitor(a),

Quando o assunto é investimento, é sempre bom considerar as alternativas disponíveis em nosso amplo mercado, inclusive o Plano Gerador de Benefício Livre, o PGBL, se este for o seu caso.  Para ele valer a pena, vamos esclarecer detalhes importantes para a sua pergunta.

Primeiramente é preciso saber o tipo de declaração de Imposto de Renda anual que você faz. Se for o modelo completo, aí sim o PGBL pode ser indicado, mas se a sua declaração de rendimentos é pelo modelo simplificado, o PGBL não é o melhor investimento.

O PGBL, indicado apenas para quem faz a declaração do Imposto de Renda pelo modelo completo, é interessante porque, além do planejamento para a aposentadoria e planejamento tributário, é bastante utilizado para o planejamento sucessório.

Atualmente, você conta com dois tipos de renda tributável sobre os quais incidem o Imposto de Renda da pessoa física. São eles: a renda do aluguel e do seu salário. Na soma, as duas rendas devem ser tributadas à alíquota de 27,5% com parcela a deduzir de R$ 869,36. Rendimentos tributáveis podem ter deduções na base de cálculo do imposto sobre a renda como os gastos com educação, saúde, dependentes etc.

Os aportes em PGBL também podem ser deduzidos da base de cálculo do Imposto de Renda, porém somente até 12% da renda tributável! Mas, isso é considerado um diferimento, já que o imposto sobre esta dedução em sua declaração será pago no futuro, quando ocorrer o resgate.

Veja abaixo a simulação e a economia prevista de R$ 2.640.

 

Caso escolha para o seu PGBL a tributação pela tabela regressiva do imposto, você poderá chegar, após 10 anos de cada aporte, a uma alíquota de 10% sendo mais vantajosa do que a alíquota de 15% incidente sobre a maioria dos produtos de investimento.

Outro excelente benefício do PGBL é servir como mecanismo para o planejamento sucessório. Na sua falta, os herdeiros deverão levantar fundos para realizar a sucessão de bens. Como o saldo do PGBL não entra em inventário e é depositado diretamente na conta dos beneficiários que você designou, se for bem planejado, poderá cobrir o recurso líquido necessário para pagar os custos de inventário, o ITCMD, honorários advocatícios, emolumentos e custos de cartório.

Por outro lado, as opções de investimentos com fundos, Tesouro Direto, títulos públicos e privados existentes no mercado, poderão contribuir com sua acumulação de riqueza. Quanto mais cedo iniciar, melhor será para o seu futuro.

Alertas importantes!

  • O primeiro passo para uma carteira saudável é adequá-la ao seu perfil de investidor;
  •  A opção do PGBL só será interessante se o valor dos aportes anuais não ultrapassar os 12% do total das rendas tributáveis no período;
  • Os valores superiores aos 12% de sua renda anual poderão ser direcionados para o VGBL que também é indicado para quem faz declaração do Imposto de Renda no modelo simplificado;
  • Observe as regras de tributação, pois no PGBL o imposto incide sobre o total, ou seja, o valor deduzido mais os rendimentos. E, no VGBL, o imposto incide somente sobre os rendimentos, mas não é dedutível da base de cálculo;
  • Compare sempre a taxa de administração de PGBLs similares versus instituições ofertantes. Quanto maiores forem as taxas, mais reduzem o potencial de rentabilidade. Faça uma boa escolha entre custo e benefício!

Procure orientação de um planejador financeiro pessoal para auxiliá-lo neste tipo de decisão e mantenha o equilíbrio e o sucesso da vida financeira.

Eliane Tanabe é planejadora financeira pessoal e possui a certificação CFP (Certified Financial Planner), concedida pela Planejar – Associação Brasileira de Planejadores Financeiros. E-mail: eliane.tanabe@gmail.com

As respostas refletem as opiniões do autor, e não do jornal Valor Econômico ou da Planejar. O jornal e a Planejar não se responsabilizam pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso destas informações. Perguntas devem ser encaminhadas para: consultoriofinanceiro@planejar.org.br.

Texto publicado no jornal Valor Econômico em 12 de agosto de 2019.