Artigos

| Tempo de leitura: 3 minutos

Vale a pena fazer investimento no exterior?

Reading Time: 3 minutes

“Vale a pena investir fora do Brasil? Com o que devo me preocupar se fizer esse investimento?”

Tobias Maag, CFP®, responde:

Desde que a fase de juros reais “mais altos do mundo” passou, surgiu um desconforto para os investidores e os profissionais que lhes assessoram. Oferecer investimentos no exterior aos brasileiros, de forma bastante indiscriminada, virou um certo modismo.

Santo remédio? Com certeza, não! Vale a pena? Depende dos seus objetivos e realidade das suas expectativas, necessidades e limites.

É complicado? Não mais do que qualquer outro passo dado com seriedade e segurança. Procure entender oportunidades e riscos, as possibilidades do ponto de vista tributário, sucessório, de investimentos etc. Explore o caminho mais adequado, simples e menos oneroso possível, sem cair na tentação do barato que pode sair caro ou se fechar à necessidade de sofisticar, se indicado.

Estude e busque apoio profissional qualificado, junto à instituição financeira e outros profissionais de sua confiança. Inclua não apenas especialistas, mas aqueles com visão holística, para entender o assunto no contexto do seu patrimônio total e em alinhamento com os seus objetivos de vida.

A isenção de quem lhe assessora é essencial. Possíveis conflitos de interesse devem ser tratados de forma transparente. O foco precisa estar voltado para aquilo que é apropriado ao planejamento da sua vida financeira.

São muitas as virtudes da diversificação devidamente planejada. Investir em outros mercados e classes de ativos sempre é uma das variáveis cuja possível contribuição deveríamos considerar. A procrastinação se dá por motivos como:

– dificuldades de entendimento e acesso a oportunidades internacionais;

– barreiras de idioma;

– certa “acomodação” que se instalou em função dos juros altos;

– viés de representatividade (crença excessiva nas virtudes de uma alternativa);

“home bias” (viés doméstico) — acreditar mais no que está pertinho;

– burocracia e custo.

Além da mera diversificação de riscos e oportunidades, pense na eventual necessidade de certa moeda para custear uma fase futura da vida, como estudos e outros projetos.

Pense na diversificação cambial em função dos riscos inerentes a cada país e sua moeda. Estratégia empresarial em relação a importações, exportações, mitigação de alguns riscos jurídicos e assuntos correlacionados podem ser fatores determinantes.

Vale lembrar que o Brasil, por mais continental e pujante que seja, representa menos de 3% do PIB mundial, em torno de 2% se colocado em contexto com o mercado global de renda fixa e 1% da capitalização de todas as empresas cotadas em bolsa. Somos um pontinho no universo de escolhas, o que se reflete em capacidade limitada de diversificar de forma consistente, em limitações de acesso a alternativas de investimento e riscos, e liquidez muito dependente dos bons ventos…

Vale a pena ou não correr o risco cambial de um investimento no exterior? Esse pode ser um fator determinante na evolução do seu investimento em mercados estrangeiros. É possível eliminar esse risco por meio de um hedge cambial apropriado ou considerá-lo como parte da oportunidade. Avalie em relação aos seus objetivos, ranqueados por prioridade.

Devo investir por meio de produtos estruturados e fundos ofertados pelo meu corretor ou banco local, como um ETF, fundo cambial, fundo de ouro etc.? Os valores são relativamente baixos para essas opções e os processos são muito simples. Com R$ 1.000, pode-se investir na bolsa americana via ETF, sem precisar enviar o dinheiro para fora do país ou ser investidor qualificado.

Todavia, avalie se é viável e se pode haver alguma vantagem ter a sua própria estrutura e conta(s) em outros países! Isso traz alguns desafios e exigências, mas também um escopo significativo de possibilidades. Informe-se também em detalhes sobre as respectivas implicações e obrigações declaratórias e tributárias.

Voltando à sua pergunta, eu responderia claramente que sim! Vale a pena considerar investir no exterior parte do seu patrimônio, desde que compatível com o seu planejamento financeiro, sem viés meramente especulativo, buscando adquirir concomitantemente os conhecimentos mínimos necessários, e se cercando de pessoas e instituições qualificadas, sérias e focadas em primeiro lugar nas necessidades dos seus clientes e naquilo que é adequado para que eles possam ter a melhor chance possível de atingir seus sonhos e objetivos, minimizando a chance de incorrerem inadvertidamente em algum risco que possa deixá-los sem perspectiva.

Tobias Maag é planejador financeiro pessoal e possui a certificação CFP (Certified Financial Planner), concedida pela Planejar – Associação Brasileira de Planejadores Financeiros. E-mail tobias@infopinion.com.br

As respostas refletem as opiniões do autor, e não do jornal Valor Econômico ou da Planejar. O jornal e a Planejar não se responsabilizam pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso destas informações. Perguntas devem ser encaminhadas para: consultoriofinanceiro@planejar.org.br

Texto publicado no jornal Valor Econômico em 06 de março de 2019