Quer comprar imóvel nos EUA? Siga o plano

Gostaria de adquirir um imóvel nos EUA, mas ainda não tenho os recursos. Quais as melhores opções de investimento para esse objetivo?

Rafael Bastos, CFP®:

Caro leitor, diversos pontos precisam ser analisados para essa tomada de decisão, com destaque para o objetivo da compra (manutenção ou especulação), a modalidade (à vista ou financiada), a titularidade (se pessoa física ou jurídica), a origem do recurso (Brasil x EUA) e a data. 

Inicialmente, oriento para que tente adquirir esse imóvel através de uma pessoa jurídica, pois essa configuração lhe gerará eficiência tributária, tanto se o objetivo for manter esse imóvel como patrimônio familiar, como se for especular. A depender do estado do imóvel, os custos de transmissão sucessória podem superar 50% do valor do bem. A abertura de uma PJ em território americano é simples e barata. 

Outra decisão a ser tomada é a modalidade da compra, se irá financiar ou acumular para compra à vista. Os Estados Unidos gozam de modalidades de financiamento bastante competitivas em relação a taxas e prazo, com custos anuais abaixo da rentabilidade nominal das aplicações do Brasil. Como você não possui todo o recurso para a compra e a relação de câmbio x taxa do financiamento pode ser difícil de acompanhar, caso não tenha experiência ou assessoria, recomendo que pense em um financiamento. 

Se o recurso inicial estiver no Brasil, você terá taxas melhores que nos EUA. Projete a liquidez do seu investimento a partir do valor que poderá guardar por mês e da taxa oferecida. A liquidez deverá atender ao seu resgate no momento que a entrada for acumulada. Acumule o valor da entrada em alguma aplicação com baixo risco de mercado e alguma dose de risco de crédito. Um crédito privado que renda 120% do CDI bruto e prazo de vencimento coincidente com o aporte da entrada irá lhe atender. Faça um hedge com patrimônio líquido crescente, abrindo mão de parte dos juros para a compra de opções sobre o dólar e predeterminando sua rentabilidade final ou aceitando ajustes diários dos contratos futuros, mas podendo, assim, adotar postura de hedge ativo. 

Porém se este recurso estiver nos EUA, você já terá dolarizado seu caixa, protegendo-se das eventuais desvalorizações cambiais. Se este for o caso, dificilmente você conseguirá um fundo com baixo risco de mercado que lhe entregue a taxa necessária, portanto, sugiro procurar algum título de renda fixa com janela de resgate coincidente com o fluxo do financiamento. Muitas empresas brasileira emitem renda fixa nos Estados Unidos. Apesar de abrir mão de uma rentabilidade melhor no Brasil (cerca de 6% ao ano na renda fixa), você já estará protegido contra movimentações cambiais naturais entre 10% e 20% ao ano. 

É possível estruturar portfólios com baixo risco com rentabilidade próxima a 5% nos EUA. Pense em renda fixa high yield, fundos multimercados de moedas e, talvez, se o horizonte de acumulação for superior a três anos, renda variável por meio de fundo de ações. 

Para as parcelas do financiamento, que deverão estar em linha com seu potencial de acumulação, você precisará de uma aplicação com liquidez curta, que lhe renda acima do IOF de emissão do recurso somado ao custo dos juros do seu financiamento. Atualmente, aplicações como CDBs ou multimercados de crédito privado oferecem condições necessárias de taxa e de liquidez. 

Este é um planejamento sofisticado e considera leituras técnicas especificas para a decisão final, contudo, você agora sabe quais são as alternativas que devem ser discutidas junto ao seu planejador financeiro familiar nesta demanda. Desejo-lhe sucesso em sua aquisição.

Rafael Bastos é planejador financeiro pessoal e possui a certificação CFP (Certified Financial Planner), concedida pela Planejar – Associação Brasileira de Planejadores Financeiros. Email: rafael.bast[email protected]

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