Produtos para começar a investir no exterior

Tenho 29 anos, sou advogado, solteiro, renda de 12 mil e moro sozinho. Meu apartamento e carro estão pagos. Tenho interesse em investimentos, porém sem tempo para acompanhar. Gostaria de começar algum investimento no exterior, mas precisa ser algo simples. Qual opção mais prática eu poderia ter? 

Livia Sambrana, CFP®, responde:

 Quando o assunto é investimento no exterior, infinitas dúvidas podem surgir. Prazo, tributação, volatilidade do câmbio, etc. O interesse por esse tipo investimento aumenta cada vez mais por parte dos investidores e as opções de produtos também estão crescendo.

O cenário Brasil hoje é pouco favorável na questão desenvolvimento e o investidor não consegue muitas opções para diversificação sem ter que acompanhar de perto sua carteira, ou ter alguém de confiança que faça isso. Desta forma, fundos de renda fixa atrelados a juros e inflação são as recomendações momentâneas.

Uma alternativa muito procurada e simples são os fundos multimercados com estratégias no exterior. Existem diversos tipos de estratégias e dois tipos de operações foram lançadas recentemente no mercado, e com bastante assertividade. Compra de papel à vista ou compra de índice futuro.

Na compra de papel à vista o fundo sofre com oscilação do dólar (para cima ou para baixo), pois é à vista. Normalmente o gestor adota uma estratégia 80/20 ou 70/30 em percentual do patrimônio total do fundo. A maior parte em renda fixa Brasil afim de proteção e o restante fora, buscando países desenvolvidos e em desenvolvimento. Essa estratégia une a constante de juros e inflação alta no Brasil e possibilita alavancar com desenvolvimento dos outros países.

Na segunda operação, o fundo compra um índice futuro, S&P 500 por exemplo, não sofre com oscilação do dólar pois é futuro e é comprado na bolsa de valores Brasil. O fundo rende de acordo com a entrega do índice. No caso deste, as 500 empresas mais negociadas nos EUA é que vão determinar sua rentabilidade, positiva ou negativa. Um investimento como esse acompanha o desenvolvimento da economia americana sem ter que abrir conta fora ou enviar dinheiro para lá.

Fundos de investimentos tem um gestor por trás que define as operações. Com base na economia e nos mercados ele faz uma determinada alocação, sempre respeitando e atendendo o objetivo do fundo. Qualquer mudança na política de investimento precisa ser aprovada em assembleia de cotistas. Na escolha de um fundo, além da estratégia, a análise de taxas é fundamental. Fundos multimercados são tributados sob o rendimento de acordo com a tabela regressiva, são cobradas taxas de administração e podem cobrar taxas de desempenho. Quanto menor a taxa cobrada pelo gestor, normalmente, maior a rentabilidade.

Outra opção são os chamados ETFs (Exchange Traded Funds). Negociados na bolsa de valores Brasil, o investidor compra cotas do fundo que pode ser atrelado a diversos índices, também no exterior e negociado em reais. Estes entregam o retorno do índice, positivo ou negativo.

Comece do perfil de investidor para saber se é conservador, moderado ou agressivo, sempre de acordo com conhecimento, idade, momento de vida, etc. Após essa definição, um percentual do seu patrimônio poderá ser indicado para cada investimento. Faça uma alocação apropriada neste tipo de produto visando o longo prazo. Nunca fique sem liquidez no seu portfolio. A diversificação trará valorização, redução de risco e resultados apropriados para sua carteira de investimentos.

Lívia Sambrana, CFP® é planejadora financeira pessoal e possui a certificação CFP® (Certified Financial Planner), concedida pela Planejar – Associação Brasileira de Planejadores Financeiros. Email: [email protected]

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