Fundos sob nova classificação

Vi que recentemente foi lançada uma nova classificação de fundos de investimento. O que vai mudar, de fato, para nós, investidores?

Pedro Miguel Rodrigues, CFP, responde: 

A nova classificação dos fundos da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais) será lançada em 1º de outubro de 2015, com objetivo de melhorar o enquadramento dos novos produtos que vêm sendo lançados ao longo dos últimos anos. A proposta é tornar o processo decisório de investimento mais simples e eficiente para todos os agentes do mercado, inclusive investidores individuais.

As novas regras estão alinhadas com as alterações feitas na instrução CVM nº 555 e buscam uma adequação da indústria brasileira de fundos ao mercado internacional, seguindo uma linha mais explícita no que diz respeito a estratégias de investimento e fatores de risco.

A Anbima propôs uma divisão em três níveis de informação. No primeiro, temos a classe CVM, com quatro categorias: renda fixa, ações, multimercado e cambial. O segundo nível traz conceitos de risco e tipos de gestão: ativa, passiva (indexados) e de investimento no exterior. Já o terceiro detalha as estratégias.

Os investidores terão ainda a oportunidade de investir uma maior parcela de recursos no exterior, já que as novas regras possibilitam que alguns fundos apliquem o dobro do percentual. Para os fundos oferecidos a investidores qualificados (com mais de R$ 1 milhão em investimentos), esse percentual pode chegar a 40%.

Uma novidade é o fundo simples, com no mínimo 95% em títulos públicos, que dispensará o envio de contratos de adesão aos investidores. Os documentos poderão ser enviados por e-mail e será possível a manifestação do voto em assembleias de cotistas por meio eletrônico.

Anteriormente, os investidores tinham apenas o API (análise do perfil do investidor) para se proteger de uma inadequada alocação de seus recursos. O novo modelo oferece um processo mais lógico para auxiliar a decisão do investimento, além de promover uma melhora na comunicação entre investidor e assessor financeiro, em relação principalmente à expectativa de geração de patrimônio.

A nova classificação de fundos segue a tendência global que o mercado vem apresentando após a crise de 2008, em que a transparência, a simplicidade e a confiança se tornaram indispensáveis para se prestar um bom serviço financeiro.

Hoje, as instituições financeiras vêm colocando o cliente como foco principal e investindo numa melhor avaliação das reais necessidades do consumidor e em soluções que os realmente atendam, no lugar de priorizar a análise de riscos (crédito e legal).

Pedro Miguel Rodrigues é planejador financeiro pessoal e possui a certificação CFP (Certified Financial Planner) pelo Instituto Brasileiro de Certificação de Profissionais Financeiro (IBCPF). E-mail: [email protected]

As respostas refletem as opiniões do autor, e não do jornal Valor ou do IBCPF. Perguntas devem ser enviadas para: [email protected]